domingo, 14 de janeiro de 2024

Governo da Nicarágua liberta bispos e religiosos críticos a Ortega


O governo da Nicarágua libertou neste domingo, 14 de janeiro, dois bispos católicos, incluindo o monsenhor Rolando Álvarez, um forte crítico do presidente Daniel Ortega, além de 13 padres e três seminaristas. Essas informações foram relatadas por meios de comunicação e opositores nicaraguenses no exílio. Álvarez, que foi detido em agosto de 2022 e condenado em fevereiro passado a 26 anos de prisão, foi enviado para Roma, juntamente com os demais religiosos libertados. 

Essa ação ocorre em meio a uma crescente perseguição à Igreja Católica pelo regime de Ortega. Entre os libertados, também está o bispo Isidoro Mora e outros padres que foram detidos em dezembro. O padre Uriel Vallejos, a ativista humanitária Haydée Castillo e meios de comunicação, todos no exílio, confirmaram essa informação. Vallejos, que está exilado nos Estados Unidos, escreveu nas redes sociais que Ortega e sua esposa, vice-presidente Rosario Murillo, pretendem “deixar a Nicarágua sem padres” e que outro avião cheio de religiosos foi enviado para o exílio.

Em outubro passado, outros 12 padres foram libertados e enviados a Roma após um acordo entre o governo e o Vaticano. No entanto, até o momento, nem o governo de Ortega, nem a polícia, nem os meios de comunicação oficialistas se pronunciaram sobre a informação deste domingo em Manágua. Porém, meios como o jornal La Prensa, El Confidencial e 100%Noticias, que operam a partir da Costa Rica, afirmaram que o avião já chegou a Roma. Essa informação foi confirmada pela Associação Grupo de Reflexão de Excarcerados Políticos (GREXCR), sediada em San José.

Desde 2018, a relação entre a Igreja e o governo de Ortega se deteriorou, principalmente após o presidente acusar os padres de apoiarem os protestos antigovernamentais de 2018, que ele considerou uma tentativa de golpe de Estado promovida por Washington. Segundo a ONU, esses protestos resultaram em mais de 300 mortes. 

Uma investigação realizada pela advogada Martha Molina, especialista em temas da Igreja nicaraguense e exilada nos Estados Unidos, aponta que desde 2018 houve 740 ataques contra a Igreja e 176 sacerdotes e religiosos foram expulsos ou impedidos de regressar ao país. O papa Francisco já manifestou sua preocupação com a situação e acompanha de perto as detenções de padres na Nicarágua.

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