Caros e revoltados leitores, há músicas que atravessam gerações. E há músicas que, quando os escândalos da Corte parecem se multiplicar, simplesmente voltam a dizer aquilo que muitos prefeririam não ouvir.
“Que País É Este?”, do Capital Inicial, nasceu como um grito de indignação e permanece como um dos grandes hinos de protesto da música brasileira. Décadas depois, suas perguntas continuam desconfortavelmente atuais.
No palco do Rock in Rio, Dinho Ouro Preto decidiu fazer aquilo que a canção sabe fazer tão bem: provocar reflexão e protestar.
Ao mencionar o escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, cujos desdobramentos chegaram ao Supremo Tribunal Federal, o vocalista direcionou suas cobranças a ministros do STF e também a políticos de esquerda, centro e direita.
E assim, diante de uma multidão, uma velha canção ganhou um novo endereço.
“Essa próxima música é para o Daniel Vorcaro. Essa música é para os ministros do STF que nos devem explicações. Essa vai para os políticos de direita, de centro, de esquerda, que nos devem explicações.”
Ora, caros leitores, se há algo que a temporada política brasileira jamais parece economizar é em escândalos. Mas este, convenhamos, chega com todos os ingredientes de um verdadeiro grande escândalo da Corte: banqueiro, poder, política, Justiça e perguntas que atravessam os salões mais nobres da República.
E talvez seja justamente por isso que “Que País É Este?” continue tão poderosa.
Porque a música não escolhe lado. Ela escolhe a pergunta.
E quando o país inteiro parece perguntar quem deve explicações a quem, talvez o refrão nunca tenha parecido tão apropriado.
Mas dizei-me, caros leitores: “Que País É Este?” ainda representa apenas um protesto do passado ou continua sendo o retrato do Brasil de hoje?

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