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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Livro do Mês: O MUNDO PRECISA DE PAIS - Drª Mayra Pinheiro





O mundo precisa de pais (publicado pela Editora UmLivro em 2024) é um retrato urgente sobre educação, família e responsabilidade social, uma obra coletiva organizada pela Dra. Mayra Pinheiro, que evidencia desde a capa, a proposta de construção plural de perspectivas sobre a parentalidade.

Com cerca de 210 páginas, o livro surge como um mapa de leituras temáticas, reunindo textos que abordam diferentes aspectos da educação de filhos, desde a importância dos vínculos familiares até temas delicados como adolescência, fé, limites, alienação parental e o papel ético dos adultos na formação de jovens, um repertório que pretende traduzir desafios reais em caminhos práticos de reflexão e ação para pais e responsáveis.

Uma coletânea de vozes para um momento crítico

Ao contrário de um manual técnico com uma voz única, a obra aposta na interdisciplinaridade e no diálogo entre autores. Cada capítulo funciona como um ensaio temático, oferecendo ferramentas conceituais e exemplos que incentivam os adultos a repensarem atitudes e modelos familiares. Essa segmentação não fragmenta o leitor, ao contrário: torna a leitura mais dinâmica e adaptável às inquietações de pais e mães que, hoje, enfrentam uma sociedade cada vez mais complexa, conectada e exposta a múltiplos estímulos.

O tom do livro é positivo e propositivo, cada texto busca fortalecer a ideia de que educar não é apenas reagir a comportamentos, mas compreender e cultivar um ambiente seguro, responsável e afetuoso para que crianças e adolescentes cresçam com autonomia e senso de pertencimento.

A importância social num tempo desafiador

Ler O mundo precisa de pais em 2026 é refletir sobre um país onde questões como violência juvenil, falta de diálogo entre gerações e fragilização de estruturas familiares estão na pauta pública. A educação das novas gerações é encarada, cada vez mais, como um desafio coletivo, e não apenas familiar. Ao oferecer múltiplos olhares sobre como cultivar relações saudáveis em casa, o livro participa de um debate que ultrapassa a esfera doméstica e toca a própria saúde social.

Essa relevância fica ainda mais clara quando se considera casos recentes que chocaram o Brasil, como o caso do cachorro Orelha em Florianópolis, um episódio no qual quatro adolescentes são suspeitos de agressão violenta contra um animal comunitário, gerando ampla repercussão nacional e debates sobre responsabilidade, empatia e limites na formação dos jovens.

Situações como essa, que mobilizaram protestos e reflexões sobre como a sociedade trata a adolescência e os valores dos mais jovens, colocam em evidência a urgência de se discutir parentalidade com profundidade. O livro não apenas oferece instrumentos teóricos e práticos; ele incita os leitores a pensarem sobre o impacto de atitudes adultas no processo de desenvolvimento moral e social dos filhos, um ponto central para quem se preocupa com a formação de indivíduos capazes de viver em sociedade com respeito e responsabilidade.

Conclusão: um convite à reflexão e à ação

O mundo precisa de pais é uma leitura que ultrapassa a esfera do “livro de conselhos”. É um convite à reflexão profunda sobre os papéis que adultos desempenham no caminhar das crianças para a vida adulta. A coletânea se destaca por combinar uma linguagem acessível com insights que dialogam tanto com profissionais quanto com leitores leigos.

Em tempos em que a família enfrenta transformações rápidas, e em que a construção de valores e vínculos se torna cada vez mais complexa, esta obra é um recurso valioso para quem busca não apenas respostas, mas um olhar mais atento e compassivo sobre o papel dos pais na formação de cidadãos plenos.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Livro do Mês: O Fim das Férias, de Marian Keyes (Editora Bertrand Brasil)


Durante anos, leitores de Marian Keyes alimentaram uma expectativa quase afetiva: o retorno de Rachel Walsh. Protagonista de Férias!, um dos romances mais marcantes da autora irlandesa, Rachel se tornou uma das personagens mais queridas do universo das irmãs Walsh, mulheres imperfeitas, espirituosas e intensamente humanas. O Fim das Férias chega como essa aguardada continuação, oferecendo não apenas respostas, mas maturidade, cicatrizes e redenção.

Se no primeiro livro Rachel era a jovem em negação, mergulhada no vício e na autossabotagem, aqui encontramos uma mulher transformada. Sóbria há anos, com a vida estruturada, Rachel agora trabalha como terapeuta em uma clínica de reabilitação, o mesmo tipo de instituição onde um dia esteve internada. A escolha narrativa é poderosa: Marian Keyes coloca sua personagem diante do espelho do próprio passado, agora na posição de quem orienta, acolhe e confronta dependências alheias.

A narrativa tem um caráter quase reparador. Muitos pontos que permaneceram vagos em Férias! são finalmente revisitados e aprofundados. A autora reconstrói lacunas emocionais, esclarece silêncios e revisita traumas com a delicadeza e o humor agridoce que se tornaram sua marca registrada.

Embora o ponto de vista predominante seja o de Rachel (o que mantém a narrativa íntima, irônica e profundamente emocional) o romance se expande ao incorporar perspectivas de outros personagens. As irmãs Walsh reaparecem com suas personalidades marcantes, trazendo dinamismo e familiaridade à trama. A mamãe Walsh, figura sempre intensa e contraditória, também contribui para esse mosaico familiar tão característico da obra de Keyes.

E há, claro, Luke Costello.

Luke é um dos personagens masculinos mais complexos do universo da autora. Viril, carismático, com aquela aura de intensidade que sempre o cercou, ele retorna não apenas como ex-marido de Rachel, mas como homem igualmente marcado pelo passado. Luke mistura força e uma sensibilidade latente que raramente se expressa de forma explícita, e é justamente essa tensão que o torna tão fascinante. Sua presença na narrativa reacende não apenas a paixão dos leitores, mas também os conflitos mal resolvidos entre ele e Rachel.

A clínica de reabilitação funciona como microcosmo social. Por meio dos pacientes atendidos por Rachel, o livro aborda uma ampla gama de vícios e dependências: drogas ilícitas, medicamentos prescritos, álcool, jogos, compras compulsivas. Marian Keyes trata o tema com seriedade, mas sem perder a humanidade. Não há moralismo, e sim compreensão das fragilidades humanas. Cada personagem internado carrega uma história que ecoa, de alguma forma, o próprio percurso de Rachel, reforçando a ideia de que a recuperação é contínua, nunca definitiva.

Um dos aspectos mais fortes do livro é a maneira como a autora aborda os fantasmas do passado: o vício, a dor, a perda da filha, os erros cometidos sob efeito da autodestruição. O reencontro entre Rachel e Luke não é tratado como simples nostalgia romântica, mas como processo doloroso de reconciliação com o que foi quebrado.

O desfecho entrega aquilo que muitos leitores aguardavam: Rachel e Luke juntos, não como jovens impulsivos, mas como adultos conscientes de suas falhas. Eles não apagam o passado, aprendem a conviver com ele. O final é marcado por superação, maturidade emocional e a percepção de que o amor, para sobreviver, precisa atravessar ruínas e reconstruções.

O Fim das Férias é, acima de tudo, um romance sobre segundas chances, não apenas no amor, mas na vida. Marian Keyes demonstra mais uma vez sua habilidade de combinar humor afiado, drama profundo e personagens extraordinariamente humanos.

A Editora Bertrand Brasil merece aplausos por continuar sendo a voz de Marian Keyes no país, mantendo viva a publicação das histórias dessa autora que conquistou gerações de leitores. Ao trazer essa continuação tão aguardada, reafirma seu compromisso com uma literatura contemporânea sensível, inteligente e emocionalmente honesta.

Para quem esperou por Rachel Walsh, a recompensa é mais do que satisfatória: é comovente.
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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Livro do Mês: Nada Mais a Perder, de Jojo Moyes (Editora Intrínseca)


Jojo Moyes consolidou-se como uma das grandes narradoras contemporâneas ao construir romances que entrelaçam gerações, memórias e escolhas difíceis. Em Nada Mais a Perder, a autora reafirma essa habilidade ao apresentar uma história que cruza passado e presente por meio de personagens marcados pela perda, pela resiliência e pela força dos sonhos herdados.

No centro da narrativa está Sara, uma adolescente rebelde, desconfiada e aparentemente indomável. Sua trajetória, no entanto, não pode ser compreendida sem olhar para trás, especialmente para a história de seu avô, Henri Lachapelle, exímio cavaleiro do hipismo francês e integrante do prestigiado Le Cadre Noir. Moyes constrói a figura de Henri com reverência, mas também com humanidade. Ele não é apenas o cavaleiro talentoso; é o homem moldado por sacrifícios, disciplina extrema e pela dor das escolhas impostas pela vida.

A história de Sara ecoa a do avô. Ambos carregam perdas profundas, frustrações e o peso de expectativas. A autora trabalha com sensibilidade a ideia de que sonhos podem atravessar gerações, não como imposições, mas como heranças invisíveis. O talento e a ligação de Sara com os cavalos não são apenas coincidências narrativas; são fios que conectam passado e presente, demonstrando como paixões e vocações podem sobreviver ao tempo.

Jojo Moyes mais uma vez demonstra sua habilidade característica de entrelaçar linhas temporais. A alternância entre as vivências de Henri e os conflitos contemporâneos de Sara cria uma narrativa rica e emocionalmente complexa. A autora domina o ritmo da revelação: cada nova informação do passado ilumina o presente, e vice-versa. Essa construção paralela nunca soa artificial; ao contrário, é orgânica e profundamente envolvente.

Importante destacar que a narrativa não romantiza as dificuldades enfrentadas pelos personagens. A vida de Henri é marcada por exigências severas e renúncias dolorosas. A de Sara é atravessada por abandono, instabilidade e revolta. Moyes evita transformar sofrimento em espetáculo sentimental. Ela o apresenta com crueza suficiente para torná-lo real, mas com delicadeza suficiente para não perder a ternura.

Outro eixo fundamental da história é Natasha, advogada especializada em representar crianças e adolescentes em conflito com a lei. Natasha é uma mulher pragmática, ética e emocionalmente contida, cuja vida pessoal atravessa um período de ruptura: o fim de seu casamento a deixa à deriva, questionando suas próprias escolhas. Quando Sara entra em sua vida, inicialmente como um caso profissional, a relação entre as duas ultrapassa os limites formais.

A convivência transforma ambas. Natasha encontra em Sara não apenas um desafio jurídico, mas um espelho de vulnerabilidades que ela própria evita encarar. Já Sara, acostumada a afastar qualquer tentativa de aproximação, passa a experimentar, ainda que com resistência, a possibilidade de confiança. A chegada de Sara altera profundamente o rumo da vida de Natasha, abrindo espaço para reconstruções inesperadas.

Nada Mais a Perder é um romance que equilibra dureza e esperança. Há conflitos familiares, perdas irreparáveis, frustrações amorosas e traumas não resolvidos. Mas há também afeto, reconexão e a persistência silenciosa dos sonhos. O livro é, ao mesmo tempo, confortante (pela possibilidade de recomeço) e intrigante, pela forma como as histórias se encaixam gradualmente, revelando camadas emocionais cada vez mais densas.

A Editora Intrínseca merece elogios por disponibilizar ao público brasileiro diversos títulos de Jojo Moyes, consolidando a presença da autora no país e ampliando o acesso a narrativas que combinam sensibilidade, complexidade e grande apelo emocional.

Em Nada Mais a Perder, Jojo Moyes reafirma que algumas paixões sobrevivem ao tempo, que o passado nunca está totalmente encerrado e que, mesmo quando parece não haver mais nada a perder, ainda pode haver muito a reconstruir.
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terça-feira, 6 de maio de 2025

As Irmãs Walsh de Marian Keyes: O caos e o coração da literatura contemporânea



Quando Marian Keyes lançou Melancia, em 1995, poucos imaginavam que aquele livro com tom tragicômico e uma protagonista largada no hospital com um bebê nos braços iniciaria uma das séries mais queridas da literatura contemporânea. Hoje, os livros que narram a vida das cinco irmãs Walsh – Claire, Rachel, Maggie, Anna e Helen – formam um retrato honesto, divertido e profundamente emocional sobre os dilemas da mulher moderna.

Mais do que comédias românticas, os livros de Keyes são verdadeiras crônicas da vida real. A autora combina leveza e profundidade como poucas. Cada história apresenta temas como depressão, vícios, luto, relacionamentos abusivos e crises existenciais, sempre com sensibilidade, inteligência e um humor irresistível.

Pensando em você, caro leitor, fizemos um mini guia dessa coleção de surtos, amores e autodescobertas.

🍉 Melancia (1995)


Claire Walsh é abandonada pelo marido poucos dias após dar à luz. Sem rumo, ela volta para a casa dos pais em Dublin com o bebê nos braços e uma tonelada de inseguranças na bagagem. Entre sessões de autocomiseração e muito vinho, Claire tenta entender como sua vida saiu dos trilhos – e se é possível retomar o controle. Um livro sobre recomeços, maternidade e o poder de rir no meio do caos.


🍷 Férias! (1997)


Rachel Walsh vive em Nova York, tem um namorado lindo e acha que seu uso de drogas é absolutamente “controlado”. Após uma overdose, acaba internada numa clínica de reabilitação na Irlanda. Cínica, sarcástica e cheia de negação, ela precisa confrontar verdades dolorosas – e talvez crescer. Keyes trata o vício com delicadeza e humor, mostrando que a redenção é possível (ainda que cheia de tropeços).


🌴 Los Angeles (2001)


Maggie Walsh sempre foi a “certinha” da família. Casada, organizada, previsível. Até que decide largar tudo e ir para Los Angeles, fugindo de um casamento em crise e buscando uma nova versão de si mesma. Na cidade dos excessos, ela encontra liberdade, excentricidade e a chance de reescrever sua história. Uma comédia existencial com toques hollywoodianos.


💌 Tem Alguém Aí? (2006)


Anna Walsh tem um bom emprego, uma família amorosa e um segredo devastador. Retornando a Nova York depois de uma temporada em Dublin, ela tenta seguir com a vida enquanto lida com o luto de uma perda que mudou tudo. O livro é, talvez, o mais emocional da série – equilibrando humor e tristeza com uma escrita madura e envolvente.


🕵️ Chá de Sumiço (2012)


Helen Walsh é detetive particular, espirituosa e completamente caótica. Quando recebe o pedido para encontrar um astro do pop irlandês desaparecido às vésperas de um show, Helen embarca numa investigação tão fora do comum quanto ela. O livro traz temas sérios, como depressão, mas sem perder o ritmo de uma boa trama policial com muito sarcasmo e humanidade.



📖 Bônus

Você não precisa ler os livros em ordem, mas vai curtir ainda mais se seguir a sequência. Afinal, família é bagunça – e a dos Walsh é daquelas que a gente queria fazer parte (só pra comentar no grupo do zap depois).

E aí, qual irmã Walsh é você hoje?

Uma saga sobre mulheres reais



Ao longo de quase duas décadas, Marian Keyes criou personagens complexas, cativantes e absurdamente humanas. As irmãs Walsh são imperfeitas, hilárias e emocionantes – e talvez por isso sejam tão inesquecíveis.

Se você ainda não conhece essa família literária, prepare-se: é um mergulho no melhor da literatura feminina contemporânea. E sim, você vai rir, chorar e querer ligar para sua irmã depois.
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terça-feira, 19 de novembro de 2024

Brasil perdeu cerca de 7 milhões de leitores nos últimos cinco anos


A pesquisa intitulada Retratos da Leitura no Brasil, conduzida pelo Ipec e divulgada pelo Instituto Pró-Livro, revelou dados preocupantes sobre os hábitos de leitura no país. Entre os 5.504 entrevistados, 53% afirmaram não ter lido nenhum livro nos três meses que antecederam a pesquisa, realizada entre 30 de abril e 31 de julho.

Nos últimos cinco anos, o Brasil perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores, totalizando mais de 11 milhões desde 2015. A média de livros lidos por pessoa também apresentou uma queda significativa, passando de 2,6 para apenas 2 títulos. Este número representa a menor média anual registrada na série histórica, com cada brasileiro lendo, em média, apenas quatro livros por ano. Essa diminuição na leitura é um fenômeno que afeta diversas faixas etárias, mas é mais acentuada entre os adultos de 30 a 39 anos.

Entre os jovens, a situação é um pouco mais estável. A faixa etária de 11 a 13 anos manteve-se com 81% de leitores, enquanto o grupo acima de 70 anos viu um aumento no número de leitores, subindo de 26% para 32%. No entanto, a leitura tende a diminuir com o avanço da idade, com 62% dos adolescentes de 14 a 17 anos e 53% dos jovens de 18 a 24 anos ainda se dedicando à leitura.

A pesquisa também identificou a falta de tempo como o principal obstáculo para a leitura, sendo mencionada por 46% dos participantes. Além disso, a proporção de mulheres que leem caiu de 54% para 49%, enquanto a de homens passou de 50% para 44%.

Em termos regionais, a Região Sul se destaca como a que mais lê, enquanto a Região Nordeste apresenta os índices mais baixos, com exceções notáveis em estados como Pernambuco e Ceará. A queda na leitura foi observada em todas as regiões do Brasil, sendo mais pronunciada na Região Norte, onde a redução foi de 15%.
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