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sábado, 23 de abril de 2016

Ciganos: Uma verdadeira minoria do Brasil


Imagine se, não mais que de repente, você descobrisse que sua raça, sua ascendência, seu estilo de vida ou sua religião possuíssem significados pejorativos não só na cabeça das pessoas como no próprio dicionário, dando margem a julgamentos e preconceitos sem fundamentos?Pois foi exatamente isso que aconteceu com 10 crianças que foram escolhidas para participar da campanha #YoNoSoyTrapacero, promovida pelo Conselho Espanhol do Povo Cigano, que luta pela mudança do significado da palavra "Cigano" no dicionário espanhol. Dentre suas descrições, a obra traz como definições: pessoas trapaceiras, que praticam golpes e agem de má-fé. 

O vídeo começa com as crianças falando sobre seus sonhos e gostos. Em determinado momento, uma pessoa pede que procurem pela palavra "cigano" no dicionário e o que vem depois disso é surpreendente - e de cortar o coração!

Ao lerem a descrição, todas as crianças demonstram insatisfação, tristeza, dúvida e decepção.

"É uma mentira", declarou a pequena Samara, de oito anos. 

Enquanto outra entrevistada disse que aquilo era um insulto. 

Assista ao vídeo completo:



Engana-se quem acredita que este é um problema apenas na Espanha. 

Em uma rápida pesquisa em nosso fabuloso dicionário Aurélio encontramos registradas as seguintes definições para o verbete CIGANO:


1 Ave do Norte do Brasil.

2 Relativo a ou próprio dos ciganos.

3 Diz-se de ou indivíduo pertencente aos ciganos, povo nômade, de origem asiática, que se espalhou pelo mundo.

4 Que ou aquele leva vida errante.

5 Que ou aquele tem arte e graça para captar as vontades.

6 Que ou quem age com astúcia para enganar ou burlar alguém.

7 Que ou aquele é excessivamente agarrado ao dinheiro.

8 O mesmo que romani. 

As definições número 4, 6 e 7 nos colocam exatamente no mesmo patamar de preconceito do que a Espanha, Portugal e outros países.

A questão aqui é muito mais abrangente do que um simples verbete de dicionário.

Por trás da diversidade cultural e étnica do Brasil existe um mundo cigano, formado por acampamentos em municípios localizados interior afora, que ainda é pouco conhecido da grande população. 

Os primeiros ciganos chegaram ao Brasil em 1574. Imigraram para a nova colônia de Portugal para fugirem, juntamente com os novos cristãos (judeus recém convertidos ao catolicismo), da perseguição religiosa que imperava na Europa àquela época. Hoje, são mais 500 mil pessoas, divididas em ramificações de três etnias distintas. Vivem em 291 acampamentos, em 21 Estados do país, registrados por entidades da sociedade civil, prefeituras, governos estaduais e governo federal, concentrando-se em maior número nos estados da Bahia, Minas Gerais e Goias. Isso sem falar nos que adotaram hábitos sedentários, fixam residência em locais específicos. 


Depois de ficarem esquecidos por séculos, os ciganos passaram a fazer parte das estatísticas do governo brasileiro. Desde 2007 eles são protegidos pela Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, têm direito ao cartão nacional de saúde – que lhes permite acesso a toda unidade pública de saúde – e são objeto de portarias estabelecendo que, em caso de população cigana nômade interessada em se cadastrar nestes postos, não é obrigatório o fornecimento do endereço de domicílio permanente. Porém este item não é levado em conta em grande parte do território nacional.

Podem ser incluídos no cadastro único do governo federal para todos os programas sociais, porém ainda encontram enormes dificuldades para acesso a estes programas e obstáculos para a rede pública de educação, especialmente para crianças e adolescentes, pois nas poucas vezes em que conseguem ser matriculados, mal conseguem frequentar as aulas devido à discriminação de alunos e professores. 

Os ciganos são frequentemente expulsos de municípios onde se instalam por iniciativas que, na maioria das vezes, são de autoria das próprias prefeituras. É comum sofrerem com a violência e o preconceito racial, que os estigmatiza como trapaceiros e ladrões.

Considerados por muitos como um povo à margem da sociedade, ainda são constantemente enganados nos acampamentos por falsos agentes governamentais que chegam pedindo informações, como o objetivo de efetuarem supostos “cadastramentos”, especialmente em época de censo populacional e campanhas eleitorais. 

Conforme dados da AMSK Brasil - Associação Internacional Maylê Sara Kali, junto com informações apuradas pela SEPPIR - Secretaria de Politicas de Promoção de Igualdade Racial, com base em pesquisas do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sobre municípios brasileiros onde existem acampamentos ciganos, apenas 40 prefeituras confirmaram que desenvolvem junto a eles políticas sociais como acesso a saúde ou educação. Pelos cálculos dos técnicos, significa dizer que somente 13,7% do total de ciganos existentes no país são beneficiados com alguma política social. O restante fica à margem desse tipo de iniciativa. 


Uma estatística vergonhosa se levarmos em conta os dados do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009-2010. Publicado pelo Instituto de Economia da UFRJ, o documento revela que entre os beneficiados do Bolsa Família os negros ou pardos estão em maior número com 48,7% do total de recursos destinados ao programa, seguidos pelos brancos com 41,2%. Fazendo uma rápida conta, isso quer dizer que apenas estes dois extratos sociais monopolizam 89,9% dos recursos, restando apenas 10,1% a ser destinado a outras 15 raças ou etnias.

As ações para apoio aos ciganos têm sido, ao longo de décadas, de caráter cultural, para difusão das danças e histórias. Muito pouco se faz em relação a uma participação social mais contundente, ainda que o próprio Governo Federal tenha lançado via SEPPIR um “Guia de Políticas Públicas para Ciganos”.

Refletir em torno da orientação das políticas públicas para a intervenção com a população cigana parece uma tarefa inglória e ingrata se levarmos em conta a dificuldade em encontrar uma caracterização que considere o perfil diferenciado dos destinatários dessas políticas ou um conhecimento aprofundado e sustentado sobre as causalidades dos processos que conduzem às situações de pobreza e exclusão social e às desigualdades sociais entre esta população.

No Brasil, a falta de uma base sólida de conhecimentos sobre esta matéria é notória e paralela à praticamente inexistente visibilidade na agenda das políticas públicas. É fato, a pouca ou quase nenhuma bibliografia de carácter sociográfico no Brasil, capaz de permitir uma caracterização pormenorizada da população cigana, apesar de esta ser uma das minorias étnicas a residir há mais tempo no país. Os dados existentes resultam de algumas pesquisas feitas de maneira incipiente por órgãos federais e estudos monográficos que permitem apenas aproximações à realidade.


Os dados mais recentes e de âmbito nacional reportam-se apenas a alguns indicadores, mas evidenciam também a dimensão acentuada dos contrastes sociais da população cigana face à globalidade da população brasileira. 

Nos últimos anos assistiu-se, a nível internacional e europeu, a um envolvimento institucional e político, sem precedentes, em torno da temática da população cigana. 

No contexto europeu, paralelamente às várias resoluções do Parlamento Europeu, o Conselho da Europa inclui a temática na sua agenda e a Comissão desenvolveu uma série de medidas e um conjunto de mecanismos institucionais, culminando na criação, em 2008, da Plataforma Integrada para a Inclusão dos Ciganos, um mecanismo de cooperação entre os Estados-Membros, sociedade civil e instituições europeias com o objetivo de apoiar iniciativas, troca de experiências, e promover uma maior compreensão sobre a temática. 

Aqui no Brasil, a luta do povo cigano ainda está no começo.

Engolido em meio aos movimentos raciais ditos "minoritaristas", que na verdade não representam minoria alguma, uma vez que 51,1% da população brasileira se auto declara Negro ou pardo, o povo cigano ainda não vislumbrou seu reconhecimento nacional como povo notadamente brasileiro. Isso mesmo. Porque, ao contrário de outras etnias que utilizam-se de sua ascendência africana, europeia ou sul-americana, os ciganos tem plena consciência que antes de mais nada, são brasileiros. E como tais merecem respeito, tratamento digno e acesso aos mesmos direitos e garantias previstas na nossa Constituição.

Não nos escondemos atrás de fatos do passado, nem nos vangloriamos de nossos ancestrais terem sido refugiados, vítimas de perseguições religiosas, séculos e séculos atrás. Lutamos por dignidade, pelo fim do preconceito e estigmatização do único povo discriminado semanticamente em dicionários e livros pelo mundo todo. O único povo que teve o significado do seu nome convertido em palavras vulgares, vis, pejorativas e negativas, de forma institucionalizada por governos e entidades ditas intelectuais.

Opré roma! – Avante ciganos!


"É preciso ter em mente que a água nos benze, a lua nos abençoa, o fogo nos consagra, o ar nos liberta e a terra nos transforma. Só assim teremos os pés no chão, os olhos no horizonte e a mente nas estrelas."
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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Enem que a vaca tussa...


Bem que eu pretendia ficar caladinha, não falar nada sobre isso... Mas confesso que não consegui deixar passar em branco.

Mais uma vez o Enem conseguiu se superar.

Em história, uma questão pediu para comparar os filmes "Um príncipe em Nova York" e "Ace Ventura" e dizer o que os filmes relatam e omitem sobre o continente africano. Em primeiro lugar, a pergunta é: Era obrigatório aos candidatos assistir filmes de 1988 e 1994? A grande maioria dos candidatos com certeza nem tinha nascido quando os citados filmes foram lançados.

Teve também a questão da prova de Linguagens, que trazia a letra da música "Até quando?", do reflexivo Gabriel, O pensador. Muito bom usar elementos da cultura pop em questões de concurso mas, de acordo com o próprio Gabriel, a questão tinha várias alternativas como respostas corretas.

Observem!
Foram usados os seguintes versos da música: 

"Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver...".

Gabriel, O Pensador

Depois, a pergunta: Qual a qualidade principal do trecho?
A) Caráter atual, pelo uso da linguagem própria da internet
B) Cunho apelativo, pela predominância de linguagens metafóricas
C) Tom de diálogo, pela recorrência de gírias
D) Espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial
E) Originalidade, pela concisão da linguagem

Agora levanta a mãos quem concorda que a questão pode ter mais de uma resposta correta...

Mas a coisa não parou por aí...
Karl Marx

As teorias filosóficas de Descartes, Marx, Kant, Bacon e Maquiavel também foram temas de questões. 
Nada de outro mundo, afinal, todo mundo estuda isso nos conteúdos programáticos de história, sociologia e filosofia, certo?
Ah, por favor, me dê uma garapa.

Em 2008, a Lei 11.684 alterou o artigo 36 das Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e tornou obrigatórias as disciplinas de Filosofia e Sociologia em todas as séries do ensino médio. A legislação instituiu que as escolas teriam quatro anos para se adaptarem. Assim sendo, passou a valer mesmo em 2012. Mas não se espantem: As escolas acabam "burlando" a lei, quando se diz Filosofia e Sociologia em todas as séries do Ensino Médio. Não é o que ocorre na realidade, as matérias são intercaladas e os alunos ou tem filosofia ou sociologia em cada série! A lei existe, mas as formas de aplicabilidade para a mesma não foram discutidas e nem pensadas. Uma pena! Mas isso não é surpresa... 

Quem paga o pato é o pobre estudante que tem que fazer Enem.

Enquanto as provas do Enem não se tornarem algo desprovido do proselitismo político da atual situação, nada mudará na esfera da educação.

Afinal não é fingindo que temos um perfeito sistema educacional que o mundo vai ficar cor-de-rosa e nós pularemos dezenas de posições nos rankings mundiais de educação. Muita coisa precisa melhorar, mas se eu começar a falar sobre isso aqui, esse post não acaba hoje.

Quem quiser saber mais, pode ler em:


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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Imparcial parcialidade

A linguagem foi uma das maneiras encontradas pelos seres para estabelecer comunicação. Utilizada a todo e qualquer instante, seja para trabalhar, estudar, negociar, planejar, fazer rir ou chorar, informar ou se fazer entender - ou pelo menos tentar - a linguagem é fundamentalmente usada com propósitos sociais. As línguas simplesmente não existiriam se não fossem as atividades sociais das quais elas são instrumento.
O uso da linguagem, seja ela escrita, falada, sinalizada ou gestual, é uma forma de ação conjunta, que surge quando locutores e co-locutores desempenham suas ações de maneiras individuais, porém coordenadas entre si de alguma forma. Assim sendo, podemos dizer que a linguagem incorpora processos individuais, bem como processos sociais pois, falantes, escritores, ouvintes ou leitores devem executar suas ações na condição de indivíduos, se quiserem obter sucesso no uso do mecanismo linguístico, trabalhando juntos como unidades sociais.
Na linguagem humana, os significados só podem ser totalmente compreendidos se analisarmos contexto e interlocutores. Se partirmos do pressuposto de que para haver de fato a comunicação através da linguagem, e que esta depende conjuntamente de ambas as partes individualmente, concluímos que se uma das partes não executar adequadamente seu papel, a comunicação apresentará falha. 
Mas como pode uma das partes não cumprir adequadamente o seu papel?
Antes de respondermos, vamos falar um pouquinho sobre Marshall McLuhan, um dos maiores teóricos da comunicação.
Um dos mais famosos conceitos de McLuhan é o de "aldeia global". Em seu livro O meio é a mensagem, ele afirma que "a nova interdependência eletrônica cria o mundo à imagem de uma aldeia global". Quando ele falou isso, a coisa mais parecida com internet que existia eram as redes de computadores militares norte-americanas. Computador pessoal era apenas um sonho distante. McLuhan falava basicamente da influência da televisão (instrumento inovador na época) na comunicação de massa.
A evolução tecnológica deixa, aqui, de ser mera coadjuvante na vida social: o que é dito é condicionado pela maneira como se diz. O próprio meio passou a ser a principal atração, a informação. Muitas das páginas que estão na internet, por exemplo, poderiam ser livros ou revistas, mas, segundo McLuhan, tornam-se interessantes justamente porque estão em um novo meio de comunicação.
Segundo ele - guardem bem essa frase - "Poucos estudantes conseguem adquirir proficiência na análise de um jornal. Ainda menos têm capacidade para discutir com inteligência um filme."
Uma das mais curiosas idéias de McLuhan é a de que "os meios de comunicação são extensões do homem". Assim como se usa uma pinça para aumentar a precisão das mãos e uma chave de fenda para girar um parafuso, os meios de comunicação seriam, na verdade, extensões dos sentidos do homem. Os óculos, por exemplo, são extensões do olho, a roupa é uma extensão da pele, a roda do carro é uma extensão do pé. 
Estamos aqui chegando à resposta da nossa pergunta anterior.
Se o meios são extensões do homem como propôs McLuhan, como poderiam eles serem meros transmissores de mensagens imparciais?
O fenômeno de concentração da imprensa nas mãos do poder político e econômico converteu-se em uma realidade inegável. Em geral, os meios informativos, vinculados ao poder do dinheiro e que defendem a ordem estabelecida, são confrontados pelo desafio da imparcialidade, nunca alcançada ou sequer desejada.
Nada que vemos em um jornal, internet, revista ou TV, foi ali inocentemente publicado.
É fato e é regra que uma reportagem ou notícia ouça todos os lados envolvidos, isso é o que dará um considerável grau de “imparcialidade” a essa produção. O jornalista é antes de tudo um ser humano, tem suas convicções e seus signos pessoais que sempre irão influenciar sua visão do fato, é também funcionário ou autor de um veiculo – se freelancer produz já pensando a que veículo enviará sua produção – e cada veículo tem sua “linha editorial” ou sua orientação bem definida do que quer “vender”, de qual é realmente seu "produto".
Então onde está a imparcialidade?
Apurar um fato já conta como um ato de parcialidade. Escolhemos a fonte que acreditamos ser a melhor, os ângulos que pensamos serem os mais próprios, a pauta que imaginamos interessar o leitor. Quando escrevemos, colocamos em nossos leads o que achamos mais importante ou interessante. A decisão é do jornalista e não do fato.
Marshall McLuhan
Então, quando nos deparamos com uma notícia sobre uma obra social amparada por um político, uma excentricidade de um famoso ou um prognóstico sobre as novas composições familiares na sociedade, devemos antes questionarmos os reais motivos para tais coisas terem sido publicadas em detrimento de outras. Não se enganem! Nenhum meio de comunicação publica coisas como fotos de casamento gays entre artistas porque acha bonitinho ou politicamente correto. Eles preocupam-se em vender, em publicar algo que as pessoas queiram ver e paguem para isso.
Então voltamos novamente a nossa pergunta anterior: Mas como pode uma das partes não cumprir adequadamente o seu papel?
Simples, quando o poder e o dinheiro vem em primeiro lugar, na garupa de uma sociedade sem proficiência na análise de um jornal e sem capacidade para discutir com inteligência pelo menos um filme.
McLuhan nunca esteve tão certo.
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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cegueira Social


Não tem como não acompanhar a polêmica gerada pela indicação do deputado federal Marco Feliciano para presidir a Comissão de Diretos Humanos e Minorias. 
Não vou aqui entrar no mérito ou não que esta criatura tem para exercer tal função. Afinal, todo mundo sabe que racismo é crime, homofobia também. E se ele adota ou não tais posturas não sou eu quem vai julgá-lo. 
Antes de protestarem tão veementemente contra o tal deputado, deveríamos nos questionar sobre que direitos humanos temos no Brasil. 
Fala sério!
Quais são os direitos humanos do pai de família que todos os dias é exposto a situações vexatórias ao pegar um transporte público? 
Quais os direitos humanos das crianças que vão para escola e não têm professor, carteira ou merenda? 
Quais os direitos humanos das milhões de mães que precisam trabalhar e não conseguem uma creche para deixarem os filhos? 
Quais os direitos humanos dos idosos que sofrem para serem atendidos nas famigeradas filas do SUS? 
Quais os direitos humanos das famílias das vítimas da violência urbana? 
Quais os direitos humanos dos milhões de necessitados que sofrem com a seca e a fome no país? 
Quais os direitos humanos dos milhares de deficientes que não encontram apoio do estado para suprir suas necessidades mais básicas? 
Me incomoda muito essa superficialidade de análise. 
Gente que se indigna com a indicação do deputado e não tá nem aí para o verdadeiro caos nacional. 
Homofobia é crime. 
Racismo é crime. 
Mas, antes de tudo, não se deve esquecer que: Corrupção, peculato e negligência são crimes contra a nação! 
Por que não se protesta contra o desvio de verbas das obras da seca no nordeste? 
Por que não se manifestam contra a péssima qualidade da educação nacional? 
Por que não reivindicam melhorias necessárias no sistema de saúde? 
Sabe por quê? 
Porque vivemos em uma sociedade totalmente hipócrita, onde a maioria das pessoas finge ser politicamente correta, quando na verdade são apenas um bando de individualistas. Visualizam apenas seus próprios umbigos, seus próprios problemas, suas próprias mazelas. 
Aliás é isso mesmo que a proliferação desenfreada do minoritarismo faz. 
Essa valorização exacerbada dos direitos de grupos favorece em primeira instância, não aos indivíduos, mas a quem manipula esses grupos. Não sei como não se enxerga isso. 
São gays elegendo deputados gays. 
Os índios elegendo índios. 
Negros elegendo negros. 
Todos lutando sozinhos, uns contra os outros, cada um por si, almejando pequenas conquistas. 
Por que não pensar macro? 
Por que não pensar coletivo? 
Ser de uma etnia diferente, uma raça diferente, uma religião diferente, uma orientação sexual diferente, não transforma ninguém num ser humano diferente, nem especial, nem maior, nem menor. 
A ideia cantada por Humberto Gessinger, na música Ninguém = Ninguém de que “São todos iguais, uns mais iguais que os outros” é a ideia plantada pelo capitalismo voraz, pela lei do salve-se quem puder
Somos todos iguais. 
Somos todos gente. 
Abra os olhos e veja o mundo ao seu redor. 
Apreenda e enxergar além das suas necessidades. 
Não alimente o fracionamento da sociedade em grupos de interesses. 
Vamos nos manifestar contra o caos nacional, contra as mazelas dos nossos estados, contra os problemas das nossas cidades. 
Vamos desejar realmente um país melhor para todos. 
Sem divisões. 
Sem fronteiras. 
Sem preconceitos. 
Sem castas. 
Mas principalmente, sem hipocrisia!
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Falando em Minorias


Nas estradas por onde ando, onde paro e entabulo uma conversa, sempre acaba surgindo um assunto recorrente: a segregação das minorias. Muitos podem ver com bons olhos e até sentirem-se orgulhosos da criação e aplicação de políticas especiais para negros, índios, gays...Mas eu não.

Espera aí, não sou racista, nem homofóbica.

Explico, mas antes eu perguntinha: Será mesmo a institucionalização de direitos e leis específicos que vai nos garantir um mundo mais digno?

Of course not!

A segregação nunca foi o caminho da coletividade.

Ninguém amparado por leis segregacionistas pode se sentir incluído, mesmo porquê, antes de qualquer coisa, a ideia de inclusão e igualdade de direitos proporcionada por tal medida perpassa pelo reconhecimento da diferença, da estigmatização socialmente imposta. E assim sendo, como é possível acreditar que tudo isso é benéfico?

Em um mundo realmente digno, todos tem direito a tudo, deveres iguais, não importando sua raça, orientação sexual, religião, sexo ou idade.


É esse o verdadeiro princípio de uma sociedade justa e igualitária.

Não sei porque motivos as pessoas passaram a acreditar que devem unir-se nas diferenças, apenas para pleitear benesses para si próprias.

São os índios lutando pelos índios. Os negros pelos negros. Os gays pelos gays...e por aí vai.

Questiono a real necessidade disso pois, se todos lutássemos por todos, não haveria minorias.

Mas na revolução propagada pelo sistema atual, muitas vezes esquecemos da estratégia mais antiga utilizada em guerras e mais guerras: separar para conquistar.

É isso mesmo. A segregação é uma eficiente estratégia de domínio social. Só não enxerga quem não quer.


Vamos pensar mais amplo, com mais responsabilidade social, realmente preocupados com o OUTRO. Tudo precisa de um pontapé inicial. Mesmo que ele seja a demolição de paradigmas concretamente instituídos.

Você deve estar achando que tudo isso não passa de uma utopia. Mas não é.

É possível construir uma calçada que sirva a qualquer pedestre?

Se fosse construída para que uma cadeirante, um cego, um idoso e uma criança andassem sem dificuldades, todos seriam beneficiados. Não será necessária a posterior implementação de recursos específicos para acessibilidade pois, a ideia de acesso a todos já perpassou por ela. Realmente vale fazer esta reflexão.

Lembremos que aceitar “caixas fechadas” pode até parecer mais fácil. Mas um dia a fita adesiva fica sem cola, e o que você será obrigado a enxergar pode não ser aquilo que imaginou durante todo esse tempo.

Bom, depois de tudo isso, já dou por explicada a minha declaração contra as políticas especiais.

Metáforas à parte, concordo plenamente com o que disse o Barão de Itararé:


“Não é triste mudar de ideia. Triste é não ter ideias para mudar.”
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