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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Sandeu Deletério

Essa coisa de significado das palavras pode ser muito engraçada.
Uma vez li um conto do Veríssimo e lá tinha uma palavrinha dessas, intrigante: defenestrar. De primeira nem parece que é português hjummmmmm... dói até o ouvido da gente. É tão Estranha que até o editor de texto do computador não a reconhece (bom, apesar de que o editor de texto não reconhece muita coisa! ahahahah). Mais afinal, o que é defenestrar? Defenestração é o ato de atirar algo por uma janela. Refere-se, contudo, mais especificamente ao ato de atirar pessoas de uma janela com a intenção de assassiná-las ou ao caso de suicídio. O termo provém da palavra latina para janela, fenestra.
A defenestração, no caso concreto da aplicação a pessoas, foi uma prática corrente no século XVII (embora já viesse do século anterior, tendo sido usada na matança de São Bartolomeu), nomeadamente na Guerra dos Trinta Anos. Ficou famoso o episódio das "Defenestrações de Praga" (1619), tendo os nobres protestantes da Boêmia invadido o castelo da capital e arremessando representantes do Governo Imperial pelas janelas. Este foi, a par da demolição de duas Igrejas Luteranas na Boêmia por parte das forças católicas do Sacro Império Romano-Germânico, um dos episódios determinantes na deflagração do conflito no continente.
Foi defenestrando idéias da minha cabeça que lembrei de outras palavras estranhas. Veja se você ouviu uma destas algum dia: aliá, capicua, palíndromo, deletério, tergiversar, recâmara, munganga, lundu, marafo, nubígeno, estrigar, aritmomancia, oomancia, ponxirão, urente, sandeu, onicofagia.
Agora vem o melhor: saber o que elas significam...
Aliá – Fêmea do elefante.
Capicua (origem catalã: "cap i cua", cabeça e cauda) é um número (ou conjunto de números) cujo reverso é ele próprio. O mesmo pode ser dito em relação a datas e as horas. É um tipo de Escrita constrangida. Ex: 121 – 222 - 323 - 424 - 525 - 626 - 727 - 828 - 929
Palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra seqüência de unidades (como uma cadeia de DNA; Enzima de restrição) que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Ex: Assam a massa, asa, ovo, ata...
Deletério - Venenoso; que ataca a saúde; nocivo, que corrompe.
Tergiversar - voltar às costas; usar de subterfúgios, de rodeios; buscar evasivas;
inventar desculpas.
Recâmara – Lugar oculto
Munganga – Careta ou palhaçada
Lundu - é um gênero musical contemporâneo e uma dança brasileira de natureza híbrida, criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos ao Brasil de Angola e de ritmos portugueses.
Marafo – Aguardente, cachaça.
Nubígeno - é o que vem das nuvens;
Estrigar - é tornar macio, sedoso;
Aritmomancia - é adivinhação por meio de números;
Oomancia - é a adivinhação por meio de ovos;
Ponxirão - é o mesmo que mutirão;
Urente - é o que queima ou produz ardor;
Sandeu - é o mesmo que tolo, estúpido, idiota;
Onicofagia - é o nome que se dá ao vício de roer unhas.

Bom, agora você já sabe umas coisinhas a mais sobre nossa complicadinha língua portuguesa... só resta saber onde vai usar... ahahahhahaha



"Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória."

Charles Baudelaire
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quarta-feira, 8 de julho de 2009

No Cabaret de Lacan


No milenar duelo entre imagem e palavra, quem realmente é o favorito? Uma pergunta um tanto quanto complicada.
Jacques Lacan foi um psicanalista francês, um dos grandes teóricos estudiosos da imagem e seus significados. Sua obra foi responsável pela estruturação de toda uma corrente de pensadores, que entre outras coisas, acreditava que
"os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e
determina o significado”.
Encontramos em Lacan uma longa reflexão sobre a linguagem, a fala, a língua, a palavra, o significante e, sobretudo, sobre a letra e a escrita, tudo atrelado e interpretado pela análise da imagem. O livro De um Discurso que Não Seria Semblante é um bom exemplo disso. Foi através de sua leitura que minha percepção sobre o tema tornou-se mais aguçada.
O filme é Moulin Rouge (um dos meus preferidos). A cena é aquela em que a cortesã Satine (Nicole Kidman), o jovem escritor Christian (Ewan McGregor) e sua trupe teatral tentam (depois de um hilário mal entendido) convencer o Duque de Monroth (Richard Roxburgh) a investir em um novo espetáculo. Cada personagem vai somando fantásticos argumentos ao possível mecenas. Uma sucessão de idéias amarradas tão improvisadamente que acabam por fazer sentido. Fosse pelos diálogos, a cena por si só valeria. Mas há um que alem das palavras. Algo que pode até escapar dos nossos ouvidos, mas não foge a nossa compreensão: a força dos significados ocultos, dos ícones, das entrelinhas.
Na verdade, pode-se até dizer que o quê esta sendo dito é muito menos importante do que aquilo que está rolando. É justamente aqui que a expressão facial faz toda a diferença. E se as janelas da alma são os olhos, é aqui que derramam todos os seus segredos e íntimos desejos. São os olhos que transmitem o desejo do Duque por Satine, a paixão de Christian pela meretriz, a cobiça de Zidler pelo dinheiro do Duque.



Porém se isso é ficção, o que dizer da vida real?
Ledo engano pensar que a vida imita a arte. Na verdade é a arte que imita a vida.
Tudo que criamos é produto do que vivemos, sentimos, aprendemos. Ao vivo e a cores buscamos interpretar mensagens, intuir intenções, adivinhar propostas. Sempre nos atendo às “embalagens”, ao discurso superficial. Colocando antolhos para que enxerguemos apenas o nosso objetivo final, tal qual um cavalo teleguiado.
Já faz um tempo, chegou às minhas mãos (através do meu amado amor) um artigo de Arthur da Távola. Leia Aqui
O tema do texto era o discurso e, em linhas gerais, transmitia a seguinte idéia:

Você não ouve o que eu digo,
Ouve o que deseja escutar.

Nas palavras de Arthur vi minhas idéias se personificarem, de maneira muito contundente. O que era abstrato e etéreo tornou-se concreto e límpido.
As palavras sempre me encantaram (não é por acaso que sou jornalista) mas, foi somente depois de Arthur que compreendi que sou realmente responsável por aquilo que escrevo mas, nunca serei culpada pela leitura (interpretação) que fazem de minhas palavras.
Voltando a questão da imagem.
Você realmente já se perguntou o quanto uma mera propaganda de revista pode está carregada de simbolismos, mensagens subjetivas? Garanto que é muito mais avassalador do que possa imaginar. Faça o teste (eu já fiz). Escolha uma propaganda e tente identificar pelo menos 3 outras mensagens. Além daquela que é explicitamente obvia. Analise tudo: as cores, as formas, a simetria, a ordem, os ângulos, os elementos...
Se você conseguir encontrar 3 mensagens a mais, ótimo!
Se encontrar mais do que isso, parabéns! O mundo nunca será capaz de colocar antolhos em você.
Vale a pena tentar.

Meu Teste

Nos anos 90 a Duloren causou muito estardalhaço com suas campanhas publicitárias audaciosas e provocantes. Personalidades como Roberta Close, Dercy Gonçalves e Rogéria estampavam anúncios de lingerie até então nunca imaginados em uma propaganda de roupa intima no Brasil.
A propaganda que utilizei para iniciar meus estudos iconográficos faz parte dessa campanha. E acabou sendo a substituta de um outro anúncio que foi censurado, pois, trazia uma freira trajando um espartilho preto da Duloren e a imagem do Cristo redentor de olhos fechados.

O anúncio que escolhi era composto de 02 páginas, divididas assim:
Uma página esquerda totalmente negra. Ao centro uma imagem da famosa estátua “O Pensador”, do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917). Acima da cabeça da estátua, 3 camisinhas pairavam alinhadas diagonalmente. Apenas isso.
Na página direita a cena era a seguinte: uma mulher vestida em uma lingerie preta, que muito lembrava uma combinação utilizada pelas mulheres do século passado. Seu cabelo e sua maquiagem também eram condizentes com o figurino. O piso imitava um tabuleiro de xadrez, alternando quadrados brancos e pretos. Paredes verdes e ao fundo uma escada, adornada de dourado, subia em direção a algum lugar desconhecido. Nenhuma mobília a vista. E a única frase da propaganda era: “Você não imagina do que uma Duloren é capaz”
Então, qual era o significado de tudo isso?
Quando se parte da premissa de que tudo está arrumado por buscar uma intenção final, torna-se mais fácil interpretar.
Então vamos lá.
1° A estátua e as camisinhas
A mensagem é: o apelo sexual da lingerie é tão intenso que é capaz de fazer até o “Pensador” pensar em sexo. O fundo negro da página evidencia algo como um desejo contido nas profundezas do inconsciente, do Id.
2° A modelo e a lingerie
O figurino foi bem escolhido, pode ser dizer a dedo, pois torna a modelo quase uma contemporânea do escultor Rodin.
3° O cenário
A composição do cenário é toque mais cheio de simbolismos. Ela caracteriza ainda mais a cena como algo vivido no século passado.
O dourado da escada transmite a idéia de riqueza, poder. O piso (imitando um tabuleiro de xadrez) invoca a idéia de que a sedução é um jogo, e de que feminino e masculino devem coabitar em equilíbrio, como o Yin – Yang. Tudo para nos conduzir a possibilidade de que a cena se passe em um tipo de Bordel, um cabaret.
Gostou?
Então agora é a sua vez. Escolha sua propaganda e mãos à obra!
Como Disse Lacan:
“Entre o gozo e o saber, a letra faria o litoral” (D’un discours, p. 117).
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Palavras




O mais valioso de todos os talentos é aquele de nunca usar duas palavras quando uma basta.
Thomas Jefferson

Ahh, as palavras! Sempre estão comigo. Na sala, no carro, no banco da praça, dentro da minha bolsa.
Fazer o que?
Me faltam, me sobram. Nunca me deixam na mão.
Podem ser faladas, podem ser escritas, ou quem sabe, apenas pensadas.
Saem facilmente, às vezes aos tropeções ou, simplesmente não saem.
Desde sempre lembro-me delas.
Me sabotaram quando tentei enveredas por outros caminhos, rumo à medicina ou veterinária.
Apontaram a direção quando, por uma quase iluminação divina, tirei uma nota 10, isso mesmo, na prova de redação do vestibular da UFF (Universidade Federal Fluminense).
Hoje brincamos, somos amigas, sempre próximas e honestas. Mostro a sua maleabilidade, pluralidade, profundidade.
Jogar com palavras é muito mais do que jogar dados. Uma vez lançadas, podem alcançar uma progressão de resultados infinitamente maiores do que os simples números.
É esta a sua magia. O esconde-esconde do significado é que enriquece nossa comunicação.
Cada palavra deve ter um lugar especial em seu baú. Afinal que tesouro mais precioso haveria do que o som de suas sílabas espalhadas pelo vento?
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sábado, 23 de agosto de 2008

Devoradora de Livros





Ler. Como isso aconteceu em minha vida? Impressionante, mas só tomei gosto pela leitura aos 15 anos. E, por mais piegas que possa parecer, pelas linhas de Paulo Coelho. Dá pra acreditar? O cara deve ser mesmo meio bruxo, pois me enfeitiçou com “BRIDA”, caído em minhas mãos por intermédio de um presente de amigo secreto, oferecido pelo meu então professor de Física. Um acontecimento verdadeiramente surreal. (Se vocês conhecessem o meu professor entenderiam melhor...).
Bem, “BRIDA” me abriu caminho para “O ALQUIMISTA” “DIÁRIO DE UM MAGO” E O “DOM SUPREMO”. Mas não morreu por aí.
Algo em mim desencadeou uma verdadeira reação em cadeia, o pior, ocorrendo em plena adolescência.
Como toda iniciante, tive medo no começo, de aventurar-me por mares desconhecidos. Acorrentava-me ao estilo já familiar. Mas a curiosidade venceu a teimosia quando “O PROFETA” de Gibran Khalil, caiu em minhas mãos. Compartilhei as doces palavras do profeta com quantas amigas pude lembrar; e não saciada, encontrei-me devorando “UMA LÁGRIMA E UM SORRISO”.
Comecei a desenvolver uma fé particular em minhas próprias intuições literárias. Não me deixava levar por críticas ou listas best sellers.
Naqueles tempos a escola nos obrigava a ler quatro livros por ano. Alguns bem insípidos outros até gostosos. Mas geralmente não saiam do binômio nota-obrigação.
Então aos 16 anos tive a chance de ter uma professora de Literatura Maravilhosa: Silvinha. Uma pessoa ímpar. Através dela conheci os diversos movimentos literários, suas características e seus expoentes mais relevantes. Encantei-me por Alvares de Azevedo e Manoel Antônio de Almeida. “O CORTIÇO” e “MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MÍLICIAS”. Daí para Machado de Assis foi um pulo. Amei Capitu e Bentinho desde a primeira linha. E não me esqueço do trecho: “(...) olhos de cigana oblíqua e dissimulada. (...)” Adorei a maestria e sinergia entre as palavras de Machado. Depois seguiu-se um desfile de clássicos: “SENHORA”, “A MORENINHA”, “IRACEMA”, “CLARA DOS ANJOS”, “O ATENEU”, “INÔCENCIA”, “O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA”, “QUINCAS BORBA”...Pronto, tornei uma leitora voraz.
A fome de leitura que assomou meu espírito não arrefeceu. Apaixonei-me pelos livros. Uma paixão de total simbiose. Uma interligação capaz de anular meu próprio eu.
Quando leio, o universo ao meu redor se dissolve, torno-me personagem do livro que tenho em mãos. Mergulho em outro mundo, sinto outras dores, tenho outros sonhos. Tudo se transforma, como se o tempo não tivesse passado.
Tateando neste novo mundo, encontrei Sidney Sheldon e Danielle Steel. Sim, tenho que falar deles, não tenho vergonha, como alguns amigos encabulados costumam ter. Encantei-me por “SE HOUVER AMANHÔ e “O ANEL DE NOIVADO”.
Alcei vôos mais ousados.
Degladiei-me com “A PESTE” de Albert Camus.
Enlouqueci com a “OBRA COMPLETA” de Campos de Carvalho (realmente deu um nó na minha cabeça, que o diga a “CHUVA IMÓVEL”).
Encontrei-me na menininha que comia chocolates em “TABACARIA”, de Fernando Pessoa.
Assustei-me com o realismo contundente e visceral de James Ellroy em “LOS ANGELES CIDADE PROIBIDA” e fiquei viciada.
Deliciei-me com o “DELTA DE VÊNUS”, de Anais Nin; e vislumbrei os “PEQUENOS PÁSSAROS” num vôo rasante sobre a sensualidade de “HENRY E JUNE”.
Filosofei com os joguinhos de Jostein Gaarder em “O MUNDO DE SOFIA” e “O DIA DO CURINGA”.
Chorei com Nicolas Sparks em “O CADERNO DE NOAH” e “A WALK TO REMEMBER”.
Morri de rir com Marian Keyes em “CASÓRIO”, “FÉRIAS” E “LOS ANGELES”, acabando por me sentir parte da família Walsh.
Descobri outras verdades com Laurence Gardner e “O LEGADO DE MADALENA”.
Viajei no tempo com Marion Zimmer Bradley e “AS BRUMAS DE AVALON” (Li “A GRANDE RAINHA” em um dia).
Tantas histórias. Tantas que nem caberiam aqui.
Aprendi a reconhecer bons leitores, a ouvir opiniões, a fazer uma lista de livros que tem que ser lidos.
Não sei como me classificar, pois sempre quis ser uma leitora livre. E é o que sou. Odeio rótulos.
Bom pra mim, um pesadelo para a moça da biblioteca particular da qual sou sócia. Segundo ela, sou uma caixinha de surpresas. Alguém que lê “LABIRINTO” de Kate Mose em 2 dias e para rebater emenda “SANGUE NA LUA” de James Ellroy na sobremesa. Bom, melhor definição pra mim? Não há.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Nomes




Quando somos crianças e começamos a aprender os nomes, nos fascinamos. Cada nome é uma descoberta curiosa. Porém, com o passar do tempo, percebemos que os nomes nos oprimem, castigam, machucam. Fugindo disso, construímos o nosso próprio discurso. E assim, iniciamos o jogo com os nomes. Incluímos em nosso discurso o que achamos “bom” e excluímos o que tomamos por “ruim”; condenando-nos ao desenvolvimento de um discurso “a priori”.
As pessoas que vivem baseadas em discursos ‘a priori’ estão sempre fadadas a serem rotuladoras; saem pelo mundo distribuindo rótulos e idéias pré-concebidas. Uma pessoa tipicamente “a priori” está de certa forma cega para a verdade: o real é maior do que qualquer discurso!
Os nomes têm um potencial infinito, pois um único nome pode tornar-se várias coisas; assim como um camaleão em constante metamorfose. Para entender melhor vamos tomar como exemplo a palavra GALINHA. Ao imaginá-la instintivamente pensamos na ave que põe ovos. Porém, a depender do contexto, o mesmo nome nos dá a idéia de uma pessoa namoradeira, vulgar.
Graças a esta mágica vantagem, o nome pode ser máscara, refúgio, ironia, pode ser, até mesmo, o veneno que irá nos matar. Os nomes são armas de ataque e defesa.
Mentir é algo característico do ser humano. Isto porque somente o homem tem a capacidade de criar discursos, utilizando-se dos nomes para enganar aos outros e a si mesmo. Afinal, nem sempre é fácil estar no topo da cadeia alimentar...
O grande macete para lhe dar com os nomes é construir um discurso “a posteriori”. Neste tipo de discurso é possível enxergar o real e entender que ele é maior do que tudo.
Desta forma estaremos abertos e sempre que tivermos chance, complementaremos nosso próprio discurso. Basta estarmos voltados para o que verdadeiramente é real.
Falar de nomes, real, discurso, pode parecer muita loucura. Mas, sinceramente, você alguma vez já se questionou sobre as idéias, conceitos e crenças que traz dentro de si? Em que tudo isso está enraizado? Por que você aceitou muitas idéias como pacotes hermeticamente fechados? Em que ponto o poder de imposição sobrepujou o poder de questionamento?
Costumo pensar porque as coisas são assim. Porque lápis tem nome de lápis ou porque não podemos tomar chuva.
Aceitar idéias como caixas lacradas é correr o risco de fundamentar sua vida em preconceitos.
Taí uma palavra bem interessante: PRECONCEITO. Se formos ao dicionário, com certeza encontraremos uma definição erudita. Ms, ao meu ver, a melhor análise que fazemos dela é a de pré-conceber algo sobre alguém ou alguma coisa. E assim voltamos à idéia do rótulo. Viu como os nomes podem ser perigosos?
Porém, de todas as palavras com o prefixo PRE, a minha preferida é PREOCUPAÇÃO. Se a analisarmos de maneira bem efêmera, podemos vislumbrar sua real essência: Pré-Ocupar. Implica em nada mais do que você se ocupar de algo que ainda nem aconteceu.
Hilária é a idéia de termos uma obsessão irracional por algo que sequer aconteceu, ou pior, pode nem acontecer.
Na verdade, preocupar-se com algo é desperdiçar o seu precioso tempo. Um tempo que você poderia usar para fazer qualquer outra coisa.
Preocupar impede que se viva. Escovamos os dentes preocupados com o trânsito. Dirigimos preocupados com a possibilidade de chegarmos atrasados no trabalho. Trabalhamos preocupados com o retorno para casa e assim por diante.
Pare e pense: Qual foi a última vez que você realmente escovou os dentes?

Bárbara Bastos
19/11/2007
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