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domingo, 19 de agosto de 2012

Caleidoscópio

Existem momentos em que de simples coisas surgem grandes reflexões. Momentos de que nos lembramos pouco, ou que nada evidenciam de singular. Talvez porque estejamos acostumados a marcar as transições na vida com grandes acontecimentos: aniversários, formaturas, casamentos.
Na maioria das vezes estamos preparados para essas enormes mudanças e é justamente por isso que elas, apesar de emblemáticas, não são surpreendentes. As grandes transições realmente surgem de pequenos momentos, quando paramos e vemos quem somos. Porque quando vemos o quão longe chegamos, também vemos o quanto ainda temos que caminhar...
A vida é um calidoscópio: mutante a cada movimento.
Sempre que olho nos olhos de quem amo (This is for you, Baby!) vejo uma cascata de pequenas coisas. São mimos, gestos, ações, versos e palavras. Verdadeiros tesouros que muito comumente deixamos passar despercebidos pelos atropelos da vida. Todos deveriam garimpar tais jóias, com a ânsia inerente à grandiosidade.
Aqueles que não são capazes de enxergar, ainda não deram nem o primeiro passo na longa jornada da vida. Geralmente estão apegados ao “preço” (aqui descrito como não sendo apenas algo monetário). Esquecem-se do “valor” das coisas. Pois pérolas nos são presenteadas a todos os momentos. Basta ter olhos e ouvidos.
Compartilho aqui uma pérola: um trecho de diálogo do seriado Gossip Girl, referente a um episódio da quarta temporada, onde os marcantes personagens Blair e Chuck se reencontram após o misterioso desaparecimento do rapaz.
Blair- Só porque você está mal vestido, não significa que não seja Chuck Bass.
Chuck- Por que eu iria querer ser ele?
Blair- Deveria ter me contado que foi baleado.
Chuck- Estou surpreso por você não ter feito isso.
Blair- Eu fiz. Várias vezes, nos meus sonhos. Nos bons. Mas se você estivesse seriamente ferido, eu não iria querer saber.
Chuck- Quando acordei, minha identidade havia sumido, ninguém sabia quem eu era, ninguém vinha me procurar. E eu percebi que eu posso estar vivo, mas Chuck Bass não precisa estar.
Blair- Mudar seu nome não muda quem você é.
Chuck- É um bom começo. Uma chance de ter uma vida simples, ganhar o respeito das pessoas, talvez, tornar-se uma pessoa que alguém poderia amar.
Blair- Alguém amou você. E… Você deve a ela, e a todos a que deu as costas, não fugir, que é o que você está fazendo. E eu não acho que o grande homem que você está falando em querer ser, seja um covarde. Eu acho que ele iria encarar de frente o que fez.
Chuck- Eu destruí a única coisa que eu já amei.
Blair- Eu não te amo mais. Mas é necessário mais do que você para destruir Blair Waldorff.
Chuck- Seu mundo seria mais fácil se eu não voltasse.
Blair- É verdade. Mas não seria meu mundo, sem você nele.

Então abra os olhos!
Aproveite a vida!
Se quiser assistir a cena de Gossip Girl click aqui.

p.s. Dedico este texto a todos que vislumbram o caleidoscópio da vida: Sérgio Rogério, Carol Moura, Hérica Pinheiro, Bonnie, Marianna F., Paloma Santos, Giovano Santos, Manu Nunes, Ana Gabriela, Karoline Nogueira, Sandra Dib, Roberta Paiva, Helena Chasteen, Janine Araújo, Lisa Souza, Euller Sá, Verena e Yasmin Barroso.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Traição é Traição


O assunto sobre o qual vou tratar hoje pode não ser dos mais agradáveis (com certeza não é!). Recebi, através do formulário de contato do Ideias, pedidos para que escrevesse sobre o tema. Então vou me arriscar nesse terreno perigoso: Traição.

Traição é um tema complicado. O ponto crucial é o fato da maioria das pessoas não entender o porquê da traição, em especial num relacionamento afetivo.

A pergunta mais freqüente e que sem sombra de dúvida todo traído já se fez é: “Por que estar em um relacionamento se tem necessidade de trair?”

O perfil da pessoa que trai não é definido por um único padrão de comportamento e isso agrava ainda mais qualquer tomada de decisão ou posicionamento.

Perfis

Existem as pessoas que traem uma vez, se sentem culpadas, com a consciência pesada e nunca mais cometem o mesmo erro.

Outras traem e vão continuar traindo até serem descobertos.

Têm também aqueles que fazem da traição um estilo de vida, afinal como já dizia o ditado: “Cesteiro que faz um cesto, faz um cento”.

Ah, ainda existem homens que justificam sua traição através de necessidades hormonais. Isso mesmo. Existem aqueles que dizem que por terem extrema necessidade de sexo e as parceiras não serem tão hiper ativas quanto eles, acabam por buscar sexo fora do relacionamento.

Para saber como lidar com um(a) parceiro(a) que trai é importante, antes de qualquer coisa, saber em qual perfil ele(a) se encaixa.

Se for do tipo que vai repetir esse comportamento sempre, então você precisará refletir o quanto a palavra “me desculpe” dele(a) é confiável e até que ponto você está realmente disposto(a) a acreditar nesse arrependimento.

A primeira pergunta a ser feita é: “Você conhece bem o(a) seu(sua) parceiro(a)?” Só com uma resposta afirmativa é que você será capaz de assumir que foi um erro e que não acontecerá novamente. Para isso considere a sinceridade da pessoa quando pedir reconciliação pois é importante que admita o erro antes que você a perdoe. Você não pode ir até ele(a); espere que ele(a) venha até você. Mesmo sabendo que ele(a) não fará de novo, você deve fazer a segunda pergunta que é: “Você conseguirá viver sabendo da traição?” Ninguém espera que você consiga esquecer, mas sim que você seja capaz de perdoar. Caso contrário, seu relacionamento vai se tornar em um ciclo baseado em desconfiança, ciúmes, vingança e raiva, um verdadeiro caos. Ninguém merece isso (ou pelo menos, a maioria das pessoas não merece!). A parte mais difícil será demonstrar que você realmente perdôo seu parceiro. A partir do perdão e da escolha da continuidade do relacionamento, saiba que sua relação parecerá voltar ao que foi antes de toda essa confusão. Porém ambos necessitam estar dispostos a tentar e empenharem-se de corpo e alma para isso.

Você precisa ter garantia e certeza que as condições que causaram ou permitiram a traição estão erradicadas do seu relacionamento. Por exemplo, a pessoa com a qual seu(sua) parceiro(a) te traiu deverá estar fora do cenário, ou seja, sem amizades, encontros, qualquer tipo de contato.

Muitos se perguntam qual foi o fator detonador de um ato como a traição e aqui levantamos outro ponto fundamental: Entender, de maneira profunda, o que causou a traição. Pode ter começado em sites pornôs, em blocos de carnaval, em bares dançantes, com conversas muito íntimas com alguém específico ou pela falta da sua presença quando seu(sua) parceiro(a) mais precisava (esta última aqui é a mais ardilosa e perigosa.) Não importa o motivo, mas a raiz deve ser descoberta, discutida e trabalhada.

O melhor cenário para uma reconciliação é a situação na que quem traiu confessa o erro sem ter sido descoberto ou ao menos indagado. Nesse caso, seu(sua) parceiro(a) se sentiu culpado(a) depois do ato e quer sua confiança de volta, prefere te contar a deixar que você descubra. Na maioria dos casos pode ter ocorrido porque ele(a) está completamente frustrado(a) com sua vida, ou no caso dos homens de 40 ou mais, passando por uma crise de meia-idade onde necessitam reafirmar sua masculinidade. É fácil acreditar que a pessoa que traiu, traiu ela mesma antes de qualquer outra pessoa porque ela perdeu a habilidade de aproveitar um relacionamento. No entanto, muitos(as) traidores arruínam vidas por causa da sua fraqueza. Sempre alguém mais paga pelos erros da pessoa que traiu. O pior cenário envolve uma pessoa que trai por motivos egoístas. Apesar de justificar seus atos com desvios psicológicos, traidores habituais vão destruir emocionalmente a vida de muitas pessoas. Eles vão arrasar famílias ao partirem para outras relações antes de terminar a atual. Deixando atrás de si um rastro de parceiros(as) emocionalmente traumatizados e filhos psicologicamente desamparados. Essas pessoas se tornam pesadelos. Todos deveriam ter a capacidade de reconhecer e tomar cuidado extra ao esbarrar com alguém assim. Infelizmente, elas tendem a ser extremamente afetivas e mostrar decepção quando descobertas. Sem surpresas, essas são as pessoas mais difíceis de abandonar.

Falar de traição não é algo bom. Todos conhecemos alguém que sofreu muito por passar por situações como estas aqui descritas. Porém, de todas as palavras-chaves para lidar com tão delicada circunstância, temos que ressaltar uma: Auto-estima. Quem se ama, em primeiro lugar, saberá exatamente como agir em um caos como este. Não sou psicóloga e nem distribuo conselhos. Apenas tento através de minhas palavras, ajudar um pouco quem sofre com esta mazela.

Aproveito para agradecer a todos e todas que estão enviando sugestões de temas. Continuem mandndo que o Ideias tem prazer em atendê-los!!

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Onde mora o coração...

Já pensou em ter que comprar um espelho em que ninguém tenha se admirado? Parece loucura mais em 2011 eu tive essa incumbência. Para quem? Bom, uma coisa dessas só pode ser para uma pessoa muito especial... minha avó. Pronto, falei! Agora você deve estar se perguntando por que ela queria um espelho assim... Bom essa parte eu não conto. Deixo em suspense...
Mas falando de fim de ano, 2011 foi um ano excelente (não foi melhor porque ainda não recebi o meu prêmio da Mega da virada ahahahahahhah).
Confesso que escrevo este texto faltando apenas 36 horas para 2012 e isso é meio apavorante.
Pensar que em algumas parcas horas o ano vira!
E com a virada as esperanças e sonhos de milhões de pessoas se renovam! (inclusive as minhas!)
Foi um ano de conquistas. De guerras as quais eu já me imaginava perdedora.
Um ano de aventuras, com direito a viagens repentinas e outras nem tanto.
Um ano de reencontros, em especial com amigas que a distância separou fisicamente, mas o coração manteve unidas (Carol Moura e Rita Badaró beijos especiais a vcs).
Um ano de fartura.
Um ano para entender onde realmente mora nossa riqueza, nosso coração. (Aqui vai a dica: Se vc nunca assistiu ao filme “Onde mora o coração” precisa urgentemente assistir!!!!!!!!!!!!!)
Um ano de gratidão. Sim, pois as dádivas merecem nosso eterno agradecimento. Foi um ano em que estes versos do Salmo 90 foram música em meus ouvidos:
“Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voa de dia,
nem peste que se propaga nas trevas, nem mortandade que assola ao meio-dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita;
mas tu não serás atingido.
Somente com os teus olhos contemplarás e verás o castigo dos ímpios.”

Um ano para refletir e somar horizontes. Sim, pois tenho a mágica benção de amar o mesmo homem a 18 anos.
18 maravilhosos anos.
18 anos de vida e de sonhos.
18 anos em que nos fundimos em um só ser, um só sentimento, uma só alma.
A você Razão dedico todo o meu amor!!!
Então não é apenas hora de olhar 2011 e vê-lo como passado.
É hora de olharmos para o ano que vem chegando. Abrir nossos corações para as venturas que vamos saborear nos próximos 365, ou melhor, 366 dias pois, este é um ano bissexto.
Muita sorte e saúde a todos que caminharam comigo, com minha família e com o Ideias.
Afinal:

"Este ano quero paz no meu coração
Quem quiser ter um amigo
Que me dê a mão
O tempo passa
E com ele caminhamos todos juntos
Sem parar
Nossos passos pelo chão
Vão Ficar
Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer..." The Fevers

Que nossas estradas continuem mágicas, como se fossem de tijolos amarelos!
Feliz 2012!!!!
Milhões de bjs
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domingo, 11 de abril de 2010

Jealous Guy*


Anos 80, rock n'roll e Ultraje a Rigor. Pode parar se você está pensando que nas próximas linhas encontrará algo tipo Almanaque Anos 80. Não, não, não. O tema aqui é outro.

Eu quero levar uma vida moderninha

Deixar minha menininha sair sozinha

Não ser machista e não bancar o possessivo

Ser mais seguro e não ser tão impulsivo

Mas eu me mordo de ciúme...”

Isso mesmo, vamos falar de CIÚMES.

Será o ciúme inerente ao humano?

Maybe.


A verdade da verdade é que ele é um sentimento tão antigo quanto a própria humanidade.

E não foi só o Ultrage a Rigor que cantou suas mazelas. John Lennon, Rod Stewart, Shania Twain, Sinnead O'Connor, Maisa, Supla, Kelly Key, Elymar Santos, Cláudia Leite, Dalva de Oliveira também derramaram suas gotas.

Freud já dizia que há um tipo de ciúme normal, que acompanha o sujeito desde a mais tenra idade, algo tipo a rivalidade entre os irmãos e o ciúme do amor entre os pais.

Mas se por um lado ele levantava essa bandeira, por outro, entretanto, nos dizia que, existe uma outra espécie: a loucura de ciúme. Algo que derivava de uma formação delirante, acompanhada da convicção inabalável da traição do outro.

É neste samba do crioulo doido que temos descortinar algumas verdades veladas:

O amor vem sempre acompanhado do desejo de possuir o objeto?

O ciúme é a demonstração de tal anseio de posse?

Serão as mulheres mais ciumentas que os homens?

Quando o ciúme se torna sintoma?

Há um ciúme tipicamente masculino e um feminino?

O que se pode afirmar é que o ciúme flerta com as mais diversas realidades: a encontrada na certeza delirante da loucura, a pretendida pelo ciumento, ou ainda, a da idealização do objeto que se teme perder para outro.

Engana-se quem pensa que o ciumento não sofre. Quem tem ciúmes é sempre atormentado pela dúvida.

E não só apenas os ciumentos do mundo real. Na literatura brasielira temos um exemplo grandioso, com Machado de Assis e sua enigmática Capitu. Dom Casmurro é a expressão da dúvida do ciumento, só esclarecida na composição de uma teoria que pode chegar a ser delirante. Que o diga o escritor Domingos Proença Filho autor do livro, Capitu Memórias Póstumas. A obra parte em defesa da mais famosa personagem adultera da literatura brasileira. Nela Capitu conta a sua versão da história e defende-se das acusações do ex-marido. No livro, o autor utiliza de técnicas que remetem ao estilo usado por Machado em Dom Casmurro, fazendo recortes de capítulos deste livro, e propondo diálogos com outras personagens literárias como, o Conselheiro Aires, Brás Cubas e Aurélia, do romance Senhora, de José de Alencar..

Outro exemplo mais do que clássico de história de ciúmes é Otelo, de William Shakespeare. Nesta obra clássica da literatura universal, Otelo e Desdêmona são vítimas de um discurso enganoso. Iago emprega a astúcia e a fraude para instaurar a desordem e o caos na vida do casal. Assim, desmorona o mundo da ordem e da bem-aventurança para Otelo, pois ele se vê preso à atroz dúvida do ciúme. Essa paixão o leva a agir conforme os desejos de Iago e por uma questão de honra, Otelo assassina Desdêmona. Um crime totalmente passional.

Como dizia Shakespeare: "Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce."

Essa é uma das melhores definições sobre ciúmes que já ouvi.

Temos que admitir que a categoria dos ciumentos é muito incompreendida. Então, como ciumenta declarada, porém não psicótica, levanto a bandeira: “Ciumentos aliem-se!”

Como em tudo nessa louca vida, também subdividimos os ciumentos em categorias. Afinal, o que seria da humanidade e do capitalismo se não houvessem camadas, camadas e mais camadas.

Então vamos lá.

Ciumento o gato comeu sua língua

É aquele que só falta cair morto, literalmente estirado, mas é incapaz de pronunciar uma só palavra.

Ciumento Beiço de Sola

É aquele que sempre faz biquinho quando está com ciúmes. Mas continua mudo.

Ciumento Show Bizz


É aquele que faz verdadeiros escândalos em público. Apresentações dignas do Oscar de melhor ator/atriz dramática.

Ciumento Patrulhinha

É aquele que está sempre em alerta para qualquer sinal. É capaz de identificar uma suposta cantada ou um interesse velado a quilômetros de distância.

Brincadeiras à parte, vamos ver a coisa com seriedade.

O X da questão é quando nos utilizamos deste sentimento para justificarmos atos maléficos, como crimes passionais.

No Brasil, o código penal não traz legislação específica para "crimes passionais", mas há casos de homicídios que tiveram a pena sensivelmente reduzida sob a alegação de estarem sob domínio de violenta emoção, em "justa provocação da vítima", incluindo aí o ciúmes. Este argumento fundamenta-se na crença de que a paixão sexual e o ciúme podem levar qualquer um a matar. Não vejo muito por este lado.

Mas felizmente hoje, os juízes brasileiros não tem considerado mais como atenuante de crimes a alegação de ciúmes, ou de outro impulso movido pela paixão.

Nos países cujas as leis derivam da cultura anglo-saxônica, a alegação de "crime de paixão" não serve como defesa. Ruth Ellis, a última mulher a ser enforcada na Inglaterra, matou o amante num acesso de ciúmes. E pagou o mais alto preço!

Quem quiser que diga o contrário, mas o fato é que todo mundo tem ou já teve ciúmes. Isso faz parte da natureza humana.

Ah, e tem outra coisa. 

Atenção homens!!! Não vamos ficar por aí dizendo que ciúmes é só coisa de mulher. 

Não, Na, Ni, Na, Não!!!


Agora rapazes, levem muito em consideração o conselho da escritora, cortesã e patrona das artes Ninon de Lenclos :

"As mulheres não gostam do ciúme do homem que não amam, porém lhes desagrada bastante que o homem amado não demonstre algum ciúme."

Bom, não sei qual é sua filosofia. Mas eu concordo plenamente com o que disse Fernández de Leon:

"Nenhum amor feneceu em razão do ciúme,

pois ele o que faz é juntar um fogo a outro fogo."

Agora só nos resta assistir o clip da música de John Lennon* que deu origem ao título deste post.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Consultório Sentimental

Vivo lendo por aí relatos de mulheres que narram suas desilusões amorosas. Rompem e reatam relacionamentos, não encontram o verdadeiro amor. Tristes histórias alinhavadas por muitos pontos em comum.
Talvez a ponta do novelo seja a idéia errada do que vem a ser uma relação verdadeira, sólida. Toda relação é uma parceria, uma forma de complementar o outro, ao mesmo tempo em que somos completos. Quando nos anulamos em função dos desejos e vontades do outro, deixa de ser parceria, passando a ser subserviência, dominação, escravidão.
Desenvolve-se assim uma simbiose doentia, onde dominado e dominador julgam necessitar um do outro, desempenhando exatamente estes papéis. Com o passar do tempo, ressentimentos e mágoas começam a acumularem-se embaixo do tapete, até que um dia o “monte” se torna grande demais para ser ignorado. E é justamente nesse ponto que o casal resolve discutir a relação. O que acaba sempre se demonstrando ser um péssimo negócio.
Vejam bem, o ruim não é discutir.
O ruim é nos tornarmos um poço de sentimentos negativos.
Discutir é sempre saudável.
O caminho mais correto é não deixar as pequenas coisinhas tornarem-se monstros que nos espreitam de dentro do guarda-roupa.
Cada problema, plano, vontade ou desejo deve ser esclarecido, explicado e debatido, no exato momento em que surge. Temos que falar sim, o que pensamos, sentimos e por quê.
Deixar dúvidas ou abrir concessões as quais não vemos com bons olhos, pode acabar nos transformando em um tipo de "Scrat"...
Agindo assim, não seremos capazes de viver nada além do que uma solidão a dois.
Conheço muitas relações assim. Casamentos e namoros que se arrastam durante anos, escondendo-se em aparências, usando máscaras e desculpas das mais artificiais possíveis.
Como ser feliz assim?
Realmente não sei responder.
Minha experiência de vida e observação do mundo me faz acreditar no que vivo: uma relação baseada em recíproca lealdade. Por favor, não limitem-se a interpretar lealdade apenas como fidelidade. Ela têm sim este significado, porém não apenas este. Ser leal é antes de tudo ser verdadeiro, sincero, transparente. Ser leal é não construir castelos em frágeis alicerces de falsidade e mentiras. Ser leal é apoiar incondicionalmente o parceiro, pois o nosso apoio é baseado exatamente naquilo que semeamos juntos. Ser leal é ter em mente como honrar os sentimentos do outro. Enfim, ser leal tem milhões de significados. Mas só ama realmente quem é leal. Não pode haver amor onde há hipocrisia, falsidade e subjulgamento.
É aqui que se devem estabelecer as barreiras do que é fugaz daquilo que é constante.
Como toda certeza você que está lendo este post conhece um ou mais casais que vivem a chamada relação elástico: cheia de vai e vens, rompem e reatam como num passe de mágica.
Numa relação assim, um dos lados é sempre aquele mais facilmente manipulado. Aquele que aceita e “perdoa” os erros, as falhas, os deslizes. Na maioria das vezes este lado somos nós, mulheres. Talvez porque, mesmo negando, ainda temos muito enraizada em nosso intimo, a fábula do homem ideal, do príncipe encantado. Que o digam filmes como: A nova Cinderela, Orgulho e Preconceito, e pó aí vai...
Paralelamente a isto, ainda existem outros motivos: o medo de fracassar, o orgulho, a opinião alheia, questões financeiras...
Ir e voltar para o mesmo parceiro pode até ser uma ideia acalentada por muitas, reconfortante em muitos aspectos. Mas até que ponto? Até que ponto aceitar esta situação sem sentir-se inferior, frágil, fraca, ou como muitas se sentem: transa fácil.
Talvez a melhor metáfora para isso seja a do pesadelo.
Uma relação assim é como ter um mau sonho, acordar, sentir o alivio doloroso de ter saído da situação. E, por vontade própria, adormecer e voltar para o antigo pesadelo.
Outras mulheres contam enfrentar diversos problemas, coisas demais para resolver. Acabam por colocar a culpa nos parceiros, filhos, familiares. Indicam um agente causador para cada desastre e, acomodam-se na reconfortante posição de vítima. Uma enorme ilusão.
É óbvio que não somos a Mulher Maravilha, mas culpar o outro nunca será resposta para nada. A primeira medida para solucionarmos essa “teia” de percalços é admitirmos até que ponto somos nós mesmas que originamos ou alimentamos estas situações. Fazendo apenas uma breve reflexão, você verá que neste cartório, ninguém é inocente. É imprescindível que não se tape o sol com a peneira. Pois, por mais que se tente, nunca seremos capazes de enganarmos a nós mesmas.
Se você viu aqui neste breve arremate de idéias, a figura daquilo que te impede de ser feliz, arregace as mangas, e comece a mudar sua vida. A felicidade está ao alcance de todos. Parta pra cima e acredite:
“Realmente o mais difícil é começar!”

Fica aqui mais um conselho, desta vez, nas palavras do escritor, jornalista e cineasta Arnaldo Jabor:
“Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.”

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