Gosto muito de uma música de Oswaldo Montenegro, chamada A lista.
Uma estrofe chama sempre a minha atenção:
"Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais"
Um dia tomei como desafio, as palavras da música.
Será que é algo realmente incontestável?
Como fazer uma lista de amigos de 10 anos atrás?
Qualquer um consegue essa proeza?
Ao me questionar, uma onda de pensamentos estranhos surgiu nos confins do meu inconsciente. Inquietantes e incomodas indagações a respeito da amizade.
Serão realmente amigos aqueles que deixamos para trás?
Ou será que invés de deixarmos para trás, fomos nós a sermos deixados?
Por que algumas pessoas são tão importantes em determinadas épocas de nossas vidas?
E porquê, de repente, deixam de ser?
Será que deixamos de fazer algo ou fizemos algo que não deveríamos?
São tantas as dúvidas.
Mas é fato consumado quando, depois de tantos anos, ao avistarmos um amigo do ginásio, de praia, da faculdade ou quem sabe até de infância, e no momento em que nossos olhares se cruzam, temos a impressão de sermos perfeitos estranhos. Nessas circunstâncias sempre me adianto, abrindo um sorriso, transmitindo ondas de alegria e ternura.
E como não se decepcionar quando a outra pessoa finge não te conhecer ou, na pior das hipóteses, vira a cara para você?
Confesso que isso já me aconteceu algumas vezes. Em todas, me senti com o coração despedaçado, literalmente traída, estarrecida frente à possibilidade de que, por algum motivo inalcançável à minha compreensão, aquela pessoa não possuía mais o brilho antigo das nossas aventuras e alegrias compartilhadas.
É aí que a gente se pergunta como foi possível dividirmos tantas coisas...
Segredos... Confissões de adolescência... Aventuras... Histórias de faculdade... Tristezas... Lágrimas... Sorrisos...
Em que curva do caminho perdemos a interligação de nossas almas?
Mas se a vida é polvilhada de amigos passageiros, existem aqueles permanentes. Aqueles que apesar de todas as intempéries da vida, continuam vibrando na mesma sintonia. Aqueles que com apenas um olhar fugaz, descobrem tudo que flui em nosso coração.
Estes, os verdadeiros amigos, são raros, e felizes são as criaturas que podem dizer que tiveram ao menos um, que permaneceu ao seu lado, durante a longa caminhada da vida.
Então, quando estivermos velhinhos e senis, poderemos contar com nossas recordações valiosas, verdadeiros tesouros, e encontrarmos em nossos pensamentos mais recontidos, a lembrança feliz de uma amizade verdadeira.
Sempre acreditei em almas gêmeas. Pessoas predestinadas a encontrarem a sua outra metade da alma.
Justamente por isso que defendo a tese de que os verdadeiros amigos são um tipo singular de alma gêmea, pois desenvolvem uma ligação de amor, carinho e respeito, tão necessária à nossa vivência quanto o amor carnal. Pois que criatura solitária pode dizer que encontrou a felicidade sem que tivesse tido um amigo?
A verdadeira felicidade está em compartilharmos todas as possibilidades da vida com aqueles que nos amam e que amamos também.
Afinal, o amor, seja ele, fraternal, carnal ou filial é sempre uma via de mão dupla. Uma via expressa congestionada de sentimentos e emoções, mas que nunca deixa de fluir em ambos os sentidos.
Ah, já ia esquecendo, eu fiz a lista, aquela do começo do texto e me surpreendi ao constatar quantos amigos ainda fazem parte da minha singela existência.
Muito obrigada a todos pela dedicação, pelo carinho e principalmente, pela honra a mim concedida de tê-los como AMIGOS.
"Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só."
Amyr Klink
Obs.: Dedico esse texto à Priscila Belfort, amiga, colega de faculdade, ser humano alegre que emana simpatia. Acredito que Deus irá te conduzir de volta à sua família. Por isso escolhi nossa foto de turma da Faculdade da Cidade para ser a primeira a ilustrar esse post. Que vc, Pri, volte para casa!