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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Livro do mês: Anjo da Escuridão - Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe


O livro do mês é mais uma obra inspirada pelo estilo único do eterno Sidney Sheldon, o mestre das narrativas repletas de reviravoltas e recheadas e suspense.

Anjo da Escuridão é um livro perfeito para quem é fã de um bom suspense. O enredo gira em torno do mistério que envolve uma série de assassinatos ao redor do mundo. Com uma precisão quase que cirúrgica, Tilly Bagshaw leva o leitor a se envolver do ínicio ao fim da narrativa.

A trama começa quando um rico negociador de artes é brutalmente assassinado em sua mansão em Hollywood Hills. No chão do quarto, uma verdadeira cena de horror: Andrew Jakes está amarrado ao corpo nu de sua jovem e bela esposa, violentamente espancada e estuprada. O detetive Danny McGuire, comovido com a tragédia da linda e vulnerável mulher, empenha-se na busca do culpado. Mas todos os seus esforços mostram-se em vão e Angela Jakes desaparece misteriosamente depois de doar sua milionária herança. Anos depois, Danny está casado e trabalha como agente da Interpol na França quando é procurado por Matt Daley, filho do homem cruelmente assassinado. Danny não hesita em seguir as promissoras evidências que apontam para um único suspeito: uma brilhante assassina que está sempre um passo à frente de todos e que pode estar a um triz de encontrar sua nova vítima.Antes de falar sobre o livro, vou alertar aos leitores sobre os crimes narrados na história, pois eles são o ponto alto do enredo. Todos os assassinatos são cruéis e mexem com a imaginação do leitor.

Andrew Jakes foi encontrado morto e amarrado ao corpo da sua esposa. Porém o que mais chamou a atenção do detetive Danny McGuire foi a forma com foi cometido o assassinato e como o corpo de Angela, esposa de Andrew, foi encontrado. Andrew foi morto a facadas e sua cabeça estava quase separada do corpo. Já Angela foi violentamente estuprada, porém sobreviveu.

Danny, investigador da polícia de Los Angeles, fica horrorizado com a cena que encontra. Aquilo não era obra de um assassino comum e não foi um simples assalto que acabou mal. Apenas um psicopata poderia ser autor daquele terrível assassinato. Mas as perguntas que McGuire não consegue tirar da cabeça são: Quem poderia ter feito aquilo com a doce e inocente Angela? Por que alguém faria aquilo com Andrew Jakes?

Nesse ponto da história surge um personagem que fará toda a diferença na trama: o advogado Lyle Renalto. Bonito, inteleigente e altamente soberbo, Renalto frustra os planos de Danny quando dá fuga à Angela e desaparece na sequência.

Anos após a investigação ser arquivada, o detetive Danny McGuire está casado, morando em Lyon e trabalhando para a Interpol, quando Matt, um escritor de comédia e filho e Jakes, vai procurá-lo e pede para reabrir o caso. Porém Matt não quer apenas ver o assassino do seu pai preso, ele quer salvar mais pessoas do fim cruel que teve seu pai. Roteirista, detalhista em pesquisa, Matt fez por conta própria suas próprias investigações e descobriu que mais homens foram mortos da mesma maneira que seu pai.

A semelhança entre os crimes são incríveis. Todas as vítimas são homens muito ricos e casados com mulheres mais novas. O que mais chama a atenção de McGuire são os locais. Cada crime foi cometido em um país diferente e com intervalo de anos. O que reforça a ideia de que o assassino é meticuloso e premeditado.

Com casos descobertos, Danny McGuire se vê novamente em uma investigação que tirou seu sono durante anos. Contrariando a vontade de seu superior, McGuire embarca em uma nova investigação para tentar descobrir quem é esse animal que ainda está solto e anda matando cruelmente homens inocentes em partes diferentes do mundo.

O que mais me chamou atenção no enredo é o suspense em si. A história aborda todos os casos separadamente e de forma distinta. O suspense está presente em cada página do livro. A cada final de capítulo o leitor é instigado a dar continuidade na leitura. Novos personagens e elementos de reviravolta são adicionados aos logo da trama, tornando o enredo denso e trazendo sentido à narrativa.

Vale destacar a forma como a autora Tilly Bagshawe construiu a personagem feminina central da trama, uma mulher enigmática e repleta de facetas. Destaque também para os aspectos relacionados a transtornos mentais que são abordados de forma responsável durante os capítulos finais da trama.

Anjo da escuridão é um livro ímpar para os leitores de narrativas de suspense e romance policial. Um agradável retorno ao estilo consagrado do inesquecível Sidney Sheldon.
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sábado, 12 de dezembro de 2009

Sobre o Mistério da Vida



Às vezes é preciso que algo aconteça em nossas vidas para que surjam reflexões valorosas.
A ocasião não poderia ser mais funesta: um velório. Mas tal acontecimento acabou por desencadear mil e um questionamentos.
Já pararam para pensar que realmente existe uma força inexplicável que nos move, nos impulsiona nessa aventura da vida?
Sem ela, não passamos de um corpo inerte, matéria inanimada.
Alguns podem chamá-la alma, outros, espírito. Os mais céticos buscam na metafísica e nas demais ciências explicações.
Nada é concreto. Continuamos vivendo e morrendo, sem entender realmente o que somos: se apenas um aglomerado de átomos, uma mutação dos macacos ou um sopro divino.
Aliás, aí está o adjetivo correto: Divino. A real divindade está em cada ser, em cada criatura existente. A iconografia e idolatria deveriam fazer referências claras ao ser que habita em todos os seres. Talvez só no caso dos mártires, santos e personalidades ilustres é que vislumbramos essa força invisível que nos impulsiona. Declaramos admirar a força, a coragem, a disposição destes indivíduos, ao passo que esquecemos das nossas próprias qualidades. A raiz destes “antolhos” é um dos grandes segredos da humanidade. Entender o porquê disso é outra coisa.
Voltando ao ponto. 
A ideia da morte sempre assombrou. Uma vez que atrelada a ela sempre vemos a ideia de fim, extinção. 
E se não fosse assim? 
E se vivêssemos um dia de cada vez? 
E se vivêssemos cada ato em sua plenitude, sem aquela preocupação obsessiva com o futuro? 
Sabe, mais ou menos, aquela coisa de escovar os dentes realmente escovando os dentes, verificando a retirada dos resíduos, a textura, o brilho do esmalte. Mas cotidianamente, escovamos os dentes pensando no ônibus que teremos que pegar, nas coisas que teremos que comprar no supermercado, nas tarefas que serão desenvolvidas no trabalho. Enfim, pensamos em tudo, menos no que estamos fazendo. Nos preocuparmos com o que ainda nem aconteceu. Isso nos remete àquela ideia anteriormente debatida: a efemeridade de todas as coisas.
Voltando ao ponto exato de acabar: a morte.
Assunto muito controverso, já foi inspiração para muitos escritores, pensadores, intelectuais. Porém nenhum transmitiu com mais maestria a essência deste tema do que o francês Victor Hugo. Em seu livro “Lês Tables Tournantes de Jersey”, o autor fala sobre uma ideia de morte um tanto quanto diferente daquela que estamos acostumados:

“A morte não é o fim de tudo.

Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.

Na morte o homem acaba e a alma começa.

Eu sou uma alma.

Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.

O que constitui o meu eu, irá além.(...)”

E não é só isso. 
Em outras obras – Os miseráveis – o autor percorre o universo da transmutação das relações humanas, alinhavando as ações e percalços de seus personagens, sob um pano de fundo comum: a efemeridade de todas as coisas.
Desde de criança a morte sempre foi uma ideia difícil de me acostumar, algo que deixa no meu intimo uma sensação não só de vazio, mas principalmente de injustiça. 
Então criei uma espécie de metáfora para ela. 

Para mim, a morte é como um grande navio, onde as pessoas que embarcam ficam o resto de suas existências atravessando os mares, em um interminável cruzeiro de volta ao mundo. Na minha nau coloquei meus bisavós, avós, tios, primos, amigos, colegas de colégio, vizinhos, meus animais de estimação e, com uma dor infinita, uma filha. Gosto de imaginá-los juntos, confraternizando, sorrindo e felizes. Assim, sem sofrimento, sem dor. Isso apazígua um pouco o meu coração.
Acredito que cada pessoa é capaz de encontrar uma maneira de lhe dar com a morte. 
E creiam: o tempo realmente é um grande remédio. Ele não irá curar a dor, mas fará com que ela se transforme em algo menos sofrido. Não é capaz de plantar o esquecimento, mas coloca em nossos caminhos outras coisas, outros acontecimentos, outros obstáculos. Distrações que acabam por fazer com que apenas as boas lembranças, os bons momentos pareçam ser relevantes.
Talvez seja difícil encontrar esse ponto, esse sutil equilíbrio. Talvez, na pior das hipóteses, nunca se encontre. Mas, se serve de algum consolo, a vida nos impele, nos empurra para frente, independentemente da nossa vontade.
No fundo, no fundo, tudo isso advém de nada mais nada menos do que sentimentos, emoções, momentos...
Nada que a razão possa explicar.
Ideias sobre a morte, sobre o fim, sobre o futuro.
Ideias sobre a vida, sobre obstáculos, sobre mistérios.


*Dedico esse texto a todos aqueles que já perderam um ente amado, especialmente as minhas amigas Lorena, Lisa e Marina.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Desejos


O desejo humano de explicar tudo a sua volta às vezes nos impede de enxergarmos o óbvio: não passamos de meros especuladores. Imaginamos desbravar o universo quando, na verdade, não somos capazes de explorar o fundo dos oceanos. Cruzamos os céus, mas não desmistificamos algo tão primordial e constante como o Sexo.
Dilemas como: Por que as mulheres tem dificuldade para gozar? ou Porque os homens broxam? Continuam um mistério, apesar de todas as pesquisas e descobertas da medicina.
Mais do que um mistério, Sexo é um tabu.

Historicamente falando o papel e a visão a respeito do sexo muda a cada geração, cada sociedade. Povos e raças o referenciam ou crucificam de forma distinta.
Em Pompéia, Roma Antiga, era absolutamente normal participar de orgias ou ser pedófilo. Lá, haviam crianças que ao nascerem já estavam destinadas à prostituição. Mas se isso era normal, anormal eram as punições para os chamados “desviados”. Quem praticasse sexo anal podia ter suas propriedades aprendidas, as virgens estupradas que não gritassem por socorro eram queimadas vivas. Já no Egito, o mau negócio ficava por conta da prática do adultério: os “puladores” de cerca eram castrados e, as “puladoras” tinham o nariz decepado. Voltando a Roma... Lá as meretrizes pagavam impostos e eram registradas como outro trabalhador qualquer. Elas não podiam usar estolas, nem a cor violeta. Além disso, tinham que ter os cabelos loiros ou ruivos, e se não fosse naturais tinham que tingir ou usar peruca. O amor dos romanos pelo sexo era tanto que havia até lei para punir os celibatários.
Na Índia, um antigo costume do século 9, perdura até os dias atuais. Jovens são escolhidas para servir a Deusa Yellama, aplacando os desejos sexuais dos mortais. São as chamadas “Devadasis”, as prostitutas do templo. O que antes era considerado místico e honroso, após a colonização inglesa tornou-se algo degradante.
Anteriormente, apenas as jovens mais bonitas eram escolhidas Devadasis, posição que denotava grande status social em qualquer comunidade. Hoje uma garota pode virar Devadasi por várias razões. Deficiência física, doença de pele e, até mesmo, um mero cabelo embaraçado, podem ser motivos para uma menina tornar-se uma Devadasi.
Além disso, o fator econômico também pesa. Falta de dinheiro para o dote ou de um filho homem (lá eles é que são responsáveis pelo sustento dos pais na velhice), transformam mais rapidamente uma jovem em prostituta sagrada.
Já na Idade Média, na Europa, a influência da Igreja Católica, transformou o sexo em pecado. A coisa era tão louca que os homens colocavam cinto de castidade nas mulheres ou as submetiam à torturante Infibulação (uma rudimentar técnica cirúrgica que consistia na costura da vagina). Os únicos que se davam bem, obviamente, eram os homens, ou melhor, os senhores feudais: tinham direito de manter relações sexuais com qualquer noiva de seu feudo na primeira noite do casamento dela. Isso mesmo, se fosse pobre não tinha também muita sopa não. A única posição permitida era “papai-mamãe”. Até o banho era considerado um ato libidinoso, e para evitar pecar, muitos tomavam banho vestidos. Ahh...e nem as prostitutas escapavam da “mão” da Igreja. O Papa Clemente II instituiu a obrigatoriedade da doação de metade dos lucros das meretrizes ao Clero (uma releitura daquilo que já era instituído na Roma Antiga).
Chegou então a Idade Moderna e com ela as revoluções religiosas. A reforma protestante foi o fator modificador de todos os parâmetros anteriores. Com a queda do monopólio da Igreja Católica, alguns costumes tornaram-se menos rígidos. Um dos mais relevantes foi a possibilidade do divórcio (aceito na Igreja Anglicana, The Tudors, ops... Henrique VIII e suas 6 esposas que o digam).
Porém o mais importante nessa época foi a mudança ocorrida nos padrões de beleza. As gordinhas roliças saíram de cena para dar lugar às mulheres de cintura fina e seios fartos. Em conseqüência dessa “Preferência Nacional”, surgiu no século 16 o Corset (mais popularmente, porém erroneamente, chamado de Espartilho), uma peça que projetava o peito do mulherio para cima e afinava a cintura. E por falar em corset, quem pensa que isso é coisa dos séculos passados, engana-se redondamente. Este mês assisti a um desfile de Corsets. Todos confeccionados sob moldes e estilos que não deixavam nada a desejar aos seus “tataravôs”. O mais impressionante, porém foi a estilista, ou melhor, a silhueta dela. Parecia, literalmente, um violão. Ela tinha uma cinturinha ínfima. Um verdadeiro sonho para mulheres que desejam ter um corpo realmente escultural (e quem não deseja, né?). Chamava-se Madame Sher. Vale a pena dar uma conferida no site dela e ver com os próprios olhos os lindos objetos de fetiches que ela confecciona. Madame Sher
Voltando à questão do sexo. Outro dia assisti a um documentário sobre clubes de swing. Apesar de não ter vivido na antiguidade, garanto que o que vi não deixava nada a desejar à Sodoma e Gomorra. Como podemos dizer que evoluímos, que descobrimos novas coisas se milhões de pessoas continuam fazendo releituras das antigas?
Depois de vermos como o assunto foi tratado de forma tão diversificada, como podemos ainda acreditar que realmente sabemos algo? Aquilo que achamos conhecer é um mosaico em constante transmutação. A verdade é que nunca saberemos nada, pois quando pensamos conhecer algo, ele se transforma, nos mostrando uma faceta até então impensada. É a mágica do mundo. É o universo em constante mutação, como a sombra escorregadia de um caleidoscópio. Exatamente como disse Fernando Pessoa, em seu famoso poema Tabacaria:

“Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil quanto a
outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério
do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou
sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.”
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