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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Um kit de maquiagem, uma colega de trabalho e uma esposa esquecida: por que um presente virou debate nacional sobre relacionamentos?


Bastou um kit de maquiagem para transformar uma história aparentemente banal em um dos assuntos mais comentados das redes sociais nesta semana.

O caso, que rapidamente viralizou em plataformas como X, TikTok, Instagram e Facebook, envolve um funcionário que ganhou, durante um sorteio promovido pela empresa onde trabalha, um sofisticado kit de maquiagem da grife Yves Saint Laurent. O prêmio, que poderia terminar apenas como uma curiosidade do ambiente corporativo, acabou desencadeando uma intensa discussão sobre casamento, respeito, prioridades e a simbologia dos gestos dentro de um relacionamento.

Segundo o relato compartilhado pela esposa do homem, o marido decidiu entregar o prêmio a uma colega de trabalho, alegando que seria "estranho" um homem ficar com um kit de maquiagem e que a colega faria melhor uso do presente. Quando contou o ocorrido em casa, esperava apenas relatar um episódio do expediente. Em vez disso, encontrou uma esposa profundamente magoada.

Para ela, o problema nunca foi a maquiagem. Foi a escolha.

Quando um presente deixa de ser um objeto

Especialistas em comportamento humano costumam afirmar que relacionamentos são sustentados muito mais pelos significados atribuídos aos gestos do que pelos próprios gestos.

Um buquê de flores pode representar carinho. Uma mensagem inesperada pode transmitir saudade.

Da mesma forma, um presente recebido por acaso pode simbolizar lembrança, parceria e cumplicidade quando é compartilhado com quem divide a vida conosco.

Sob essa perspectiva, muitos internautas argumentaram que o kit de maquiagem poderia ter sido uma oportunidade espontânea de surpreender a esposa.

Não porque ela precisasse do produto. Mas porque ela poderia sentir que foi lembrada.

A divisão das redes sociais

Como acontece em praticamente toda grande discussão na internet, a história rapidamente dividiu opiniões.

De um lado, milhares de pessoas defenderam o marido. Para esse grupo, não existiria qualquer obrigação de levar o prêmio para casa. Segundo esse entendimento, a decisão de presentear uma colega teria sido apenas um gesto educado e sem qualquer intenção romântica.

Outros lembraram que o prêmio foi conquistado pelo funcionário e, portanto, caberia exclusivamente a ele decidir o destino do presente.

Já outra parcela dos internautas enxergou o episódio de maneira completamente diferente.

Para essas pessoas, a questão jamais esteve relacionada ao valor financeiro do kit ou ao fato de ele utilizar maquiagem.

O ponto central seria a mensagem transmitida pela escolha.

Na visão desse grupo, quando alguém casado recebe um presente que claramente poderia agradar ao parceiro e opta por oferecê-lo primeiro a outra pessoa, ainda mais uma colega de trabalho, cria-se uma situação que pode gerar insegurança, desconforto ou sensação de desvalorização.

Presentes carregam significado

Psicólogos especializados em relacionamentos explicam que presentes possuem um componente simbólico importante. Eles representam reconhecimento. Representam atenção.  Representam a capacidade de pensar no outro mesmo quando isso não era uma obrigação.

É justamente por isso que muitas vezes um chocolate comprado na padaria pode emocionar mais do que um presente caro entregue apenas por obrigação.

No caso que viralizou, a discussão deixou de ser sobre maquiagem de luxo para se tornar uma conversa sobre prioridades afetivas.

Quem vem primeiro?

A pessoa com quem dividimos o ambiente de trabalho ou aquela com quem dividimos a vida?

O ambiente corporativo também entrou no debate

Outro aspecto discutido foi o relacionamento entre colegas de trabalho.

Especialistas em etiqueta corporativa lembram que a cordialidade é saudável e faz parte da convivência profissional. No entanto, quando um gesto pode ser interpretado como excessivamente pessoal, principalmente por envolver presentes de alto valor simbólico, é importante avaliar o contexto antes de agir.

Nem toda gentileza será mal interpretada. Mas algumas escolhas podem gerar desconfortos que poderiam ser evitados com um pouco mais de sensibilidade.

O que realmente viralizou?

Curiosamente, o kit de maquiagem acabou se tornando um personagem secundário da história.

O verdadeiro debate que tomou conta da internet foi sobre algo muito maior: a importância dos pequenos gestos dentro de uma relação.

Em tempos em que mensagens são enviadas em segundos e presentes podem ser comprados com um clique, atitudes aparentemente simples continuam tendo enorme peso emocional.

Porque, no fim das contas, não era apenas um kit da Yves Saint Laurent.

Era a oportunidade de fazer alguém se sentir lembrado.

E talvez seja justamente essa a principal lição deixada por uma história que mobilizou milhares de comentários: nos relacionamentos, o que costuma permanecer na memória não é o preço dos presentes, mas o significado das escolhas.

Afinal, são justamente os gestos mais cotidianos que revelam como enxergamos aqueles que caminham ao nosso lado.
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segunda-feira, 10 de junho de 2024

Número de contratos de namoro aumentam 91% na Bahia


Não são apenas os famosos milionários que recorrem aos contratos de namoro para evitar o reconhecimento de união estável. Só no ano passado, os cartórios baianos registraram 23 contratos desse tipo – um aumento de 91% se comparado com os 12 que foram registrados em 2022. A tendência vem se confirmando neste ano: dez contratos de namoro já foram firmados na Bahia em 2024, segundo o Colégio Notarial do Brasil na Bahia (CNB/BA).

Mas, na prática, o número de casais que assinam contratos para oficializar o namoro deve ser muito maior. Isso porque eles podem ser firmados de forma particular, sem registro em cartório. Especialistas alertam, no entanto, que o reconhecimento público garante mais segurança aos envolvidos. Fazer o contrato custa R$304,30 na Bahia.

O contrato de namoro, quando feito em cartório, é uma escritura pública declaratória. Isso dá mais garantia porque parte do pressuposto de que duas pessoas foram até o tabelionato e prestaram aquelas declarações. O risco de fraude e do documento se perder são menores, já que uma certidão nova pode ser pedida a qualquer momento.

O perfil de quem contratualiza a relação é parecido: pessoas na faixa dos 40 anos, que já estiveram em relacionamentos anteriores. O contrato prevê que as partes estão apenas em um namoro, sem reconhecerem união estável. Daí ficam fora das obrigações o direito à sucessão e o compartilhamento de bens. Mas, na prática, o contrato de namoro não garante que a relação seja entendida como união, no futuro, por um juiz, por exemplo.

Na Bahia, o perfil de pessoas que buscam o contrato de namoro é: cidadãos que já foram casados e que têm patrimônio consolidado. É comum que já tenham sido casados outra vez e tenham filhos. Há uma preocupação de deixar claro o regime de bens se, por acaso, o namoro mudar para uma união estável. Nesses casos, o regime escolhido costuma ser o da separação total de bens.

Na Bahia, os contratos começaram a ganhar força a partir de 2017, quando sete foram firmados em cartórios do estado. O recorde havia sido de 17 contratos, nos anos de 2019 e 2021. Em 2023, no entanto chegou aos 23. Foram 126 registros no ano passado em todo o Brasil. Durante a pandemia da covid-19, os contratos viraram opção para casais que passaram a dividir a mesma casa.

O assunto ganhou repercussão em abril, quando o jogador de futebol Endrick e a namorada, a modelo Gabriely Miranda, revelaram que estabeleceram “cláusulas” no namoro. O contrato foi feito em um aplicativo de mensagens – portanto, não formalizado em cartório. Entre as regras está a proibição de vícios e mudanças drásticas de comportamento, além da obrigação de dizer “eu te amo”.
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sábado, 8 de julho de 2023

Situationship: como identificar esse tipo de relacionamento


Atualmente é muito mais comum que pessoas se encontrem na situação de tentar definir o status de um relacionamento. Embora as fases evolutivas de um relacionamento sejam claras, identificar o momento em que essas mudanças se tornam oficiais nem sempre é fácil. Essa incerteza deu origem ao termo “situationship”, uma situação em que os relacionamentos se baseiam em uma conexão emocional sem compromisso ou planos, sem rótulos de namorado/namorada.

No entanto, isso é mais complexo do que uma simples “ficada” ou encontro casual. Existe uma ligação emocional e íntima presente nesses tipos de relacionamentos. A liberdade de não seguir padrões preestabelecidos torna esse modelo de relacionamento muito atrativo, especialmente para a chamada geração Z (pessoas nascidas entre 1995 a 2010).

Uma pesquisa com mais de 150 estudantes, feita pela professora de sociologia Lisa Wade, da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, mostrou que a geração Z é a mais relutante para namorar e se envolver amorosamente em qualquer formato de relacionamento. Por isso, um modelo de relação que nomeia a área cinza entre se conhecer e namorar sério é atrativo para eles.

O termo situationship é bem novo; foi criado pela primeira vez por Carina Hsieh em 2017, numa época em que os aplicativos de relacionamento estavam se tornando epidemia, se popularizando, trazendo e expandindo o conceito de match. Naquela época, várias pessoas descobriram a facilidade de conhecer pessoas por intermédio desses canais digitais e, caso o encontro não fosse agradável, tinham à disposição uma série de outras pessoas que podiam conhecer.

A possibilidade de relações intensamente mutáveis, como no situationship, remete ao conceito sociológico de modernidade líquida, desenvolvido pelo acadêmico Zygmunt Bauman. A ideia central está na percepção das constantes mudanças e a perda do senso de controle de nossas vidas. Como resultado, as relações sociais se tornam fluidas, sejam no trabalho, na família, na amizade e no amor, capazes de serem rapidamente dissolvidas ou transformadas.

04 formas de identificar uma situationship

Com o surgimento de uma nova forma de definir a relação, algumas pessoas podem se encontrar em uma situationship sem que percebam. Por isso, separamos alguns conselhos valiosos para te ajudar a identificar esse tipo de relação.

1. Não existem planos para o relacionamento

Se a pessoa com quem você está não fala nada sobre o desejo de estar com você por mais tempo e não existe uma demonstração clara de querer estar junto a médio e longo prazo, talvez haja um descompasso entre as expectativas de ambos.

2. A relação ainda não foi definida

Se algo não tem nome, é como se não existisse e, consequentemente, o que é permitido e restrito na relação fica indefinido. Muitas pessoas que optam pela situationships evitam dar nome ao que sentem e ao que acontece entre os dois, justamente para ter o outro à disposição quando quiserem.

3. O status muda conforme a conveniência

Motivado pela relação estar muito aberta, a pessoa com quem você está aproveita para definir nas entrelinhas em qual estágio vocês estão. A estratégia de criar dúvida sobre o que acontece entre os dois é aplicada por quem quer colocar o outro em uma situationship.

4. Você não é prioridade

Caso você perceba que não é prioridade para a outra pessoa, pode estar em uma situationship, pois ela restringe a sua presença em momentos específicos, evitando te incluir em outros aspectos da vida dela.
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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Amar se aprende namorando

"Mas se tu me cativas,
minha vida será como
que cheia de sol”
 
(Saint Exupery)

Fazemos muitas escolhas em nossa vida: escola, amigos, profissão... nosso companheiro! Essa última é, talvez a mais importante escolha que fazemos.
Escolher com quem compartilharemos nossa vida não é tarefa simples. 
E como garantir que seremos bem sucedidos em tão importante tarefa?
NAMORANDO!
Namorar é o melhor caminho para descobrir o amor. Namorar é uma espécie de ensaio, um pré-treinamento para um vida a dois.
Somos todos diferentes, uns dos outros, portanto, somos existencialmente únicos, pois não haverá ninguém no mundo que pense exatamente como nós, que tenha espelhados em si nossos mesmos gostos e que tenha tido a mesma experiência de vida do que nós. 
O casal ganha força não nos aspectos onde os dois são parecidos, e sim nas possibilidades de serem diferentes. O que quero dizer é que, na vida a dois, podemos nos dar muito bem quando trata-se de assunto em que o casal concorda, mas que o complicado é justamente quando há um assunto para o qual não há consenso entre os dois. 
É a capacidade de compreender o modo de pensar do outro e aprender a lidar com isso que faz a diferença entre um casal feliz e um infeliz.
Surge então a velha questão: Os opostos se atraem?
As resposta podem variar.
De fato, é difícil ficar com alguém que tem crenças e objetivos de vida opostos aos nossos ou simplesmente que apontem para um estilo de vida no qual não nos vemos. Por outro lado, isto pode nos trazer ideias novas, maneiras diferentes de ver o mundo que podem abrir nossos horizontes e serem muito úteis em nosso desenvolvimento pessoal.
Ao mesmo tempo, ficar com alguém parecido conosco pode nos deixar em uma zona de conforto, que apesar de não nos abrir para novas ideias, facilita algumas buscas e decisões a serem tomadas em direção ao futuro. Pessoas muito parecidas conosco também podem assustar por potencializar nosso próprio modo de ser ou refletir nossos defeitos, espelhando para nós mesmos os modos de agir que não necessariamente conseguimos ou gostamos de aceitar.
E é justamente esta diferença de modos de ser ou esta denúncia que vemos escancarada no outro, o lugar mais propício para as brigas e desentendimentos. Isto porque, em grande parte, as brigas internas de um casal estão ligadas a manutenção do poder interno. Ninguém gosta de ceder ou de se retirar de uma discussão de forma geral. Isto é visto em nossa cultura como ato de fraqueza, de submissão, de falta de amor próprio, etc. Quando se trata de um casal, isto é ainda mais intenso. Há muitas vezes a crença de que aceitar uma posição do outro que é diferente da nossa, é parecer fraco, e que ao aceitar tal posição se abrirá as portas para que o outro faça o que quiser, desconsiderando os sentimentos do casal.
O que vai reger a relação, o que dirá se é uma relação boa ou ruim para ambos os envolvidos não está ligado ao formato que o casal dá para o namoro, mas ao que ambos têm a oferecer um ao outro.
Assim, não importa se moram juntos ou namoram virtualmente, se são muito parecidos ou totalmente diferentes. O casal deve estar sempre em sintonia, cada um com si mesmo e os dois com esta unidade que formam. O casal deve entender o que rege seus sentimentos e comportamentos, entender as brigas, entender os planos, entender o sentido que rege o “estar junto”.
Depois, é só curtir o dia dos namorados.
Afinal, Amar se aprende namorando.
Feliz Dia dos Namorados!
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domingo, 12 de junho de 2016

Contrato de Namoro

Em tempos onde tudo o que vale é aquilo que está no papel, uma nova modalidade de documento tem feito com que muitos casais busquem o cartório.
Não estou falando de certidão de casamento, nem união estável.
A nova modalidade documental é o Contrato de Namoro.
Uma das grandes questões do Direito de Família contemporâneo é saber se determinada relação afetiva é um namoro ou união estável. Com a evolução dos costumes e a maior liberdade sexual, esta linha divisória tornou-se muito tênue.
Para quem namora e quer preservar seus bens, evitando dores de cabeça futuras, a escolha pelo contrato de namoro é ideal. Por atestar que o casal apenas namora, sem intenção de constituir família, o contrato não envolve a questão patrimonial.
Apesar de delicado, realizar este documento é fundamental para que não ocorra mal entendidos caso o relacionamento chegue ao fim. Se existe convivência constante, o namoro pode ser considerado uma união estável. Como é uma questão testemunhal, se não tem nada escrito, a questão fica mais complicada.
Exemplo disso é se os vizinhos ou conhecidos notarem a convivência intensa. Se o casal mora junto e/ou costuma frequentar muitos eventos sociais juntos, pessoas próximas podem constatar que eles já vivem uma união estável. Se este casal não possui um contrato que ateste o namoro, os cartórios podem reconhecer a relação como união e a questão patrimonial começa a ser discutida, podendo gerar muitos contratempos. 
A dica é colocar no papel e deixar bem claro que é apenas um namoro, para evitar futuras complicações. 
Apesar de recente, a procura pelo contrato de namoro está aumentando. A ideia surgiu da demanda de pessoas que querem caracterizar e documentar a relação e, mesmo ainda sendo rara, ganhou força no último ano. 
Não existem rígidas formalidades para o contrato de namoro. Porém, como qualquer contrato, deve estipular com exatidão ao que se referem as partes contratantes, a expressa renúncia ao interesse de constituir família, união estável e patrimônio. 

Contrato de Namoro X união estável 

Este modelo de contrato não é uma união estável, ele a descaracteriza. Isso mesmo, acaba com a possibilidade de qualquer uma das partes tentar transformar o status da relação, caso ela chegue ao fim. Essa é principal diferença. Se o casal se separar, aqueles que viviam em uma união estável ainda têm alguns benefícios, como previdência, herança e seguro de vida. No caso do namoro, isso não ocorre. 

Como fazer? 

Para realizar o documento é preciso fazer um contrato particular, que deve ser registrado em cartório de títulos e documentos. Esse registro é necessário para que o documento tenha valor. Os interessados devem procurar o oficial de títulos e documentos do cartório, onde o registro será feito. O processo completo dura cerca de 30 minutos. 

Mas fiquem atentos: caso o namoro termine, é importante comunicar ao cartório para que seja procedida a devida averbação. Para continuar protegendo os direitos e deveres individuais, é interessante que o casal informe se deixou de namorar ou se passaram para uma união estável ou casamento.
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