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sábado, 25 de outubro de 2014

Antolhos

Não é porque a eleição está batendo às nossas portas que devemos deixar de olhar o passado. Particularmente nunca compartilhei minhas ideologias políticas nas redes sociais ou no meu próprio site. Considero a democracia um direito de todos e penso ser absurdo pessoas deixarem de ser amigas por terem posicionamentos políticos contrários.

Já faz algum tempo escrevi sobre as paradas gays no Brasil (click aqui e leia). Não com intuito de denegrir este ou aquele grupo, mas com a intenção de questionar sua real necessidade. Recebi muitos elogios pelo texto, mas confesso que gostaria de ter atingido um público leitor maior.

O que falta à grande maioria da população é informação. Não informação tendenciosa, vinculada por empresas interessadas em fatias do bolo, mas aquela de quem vivencia ou vivenciou as realidades do país. E disso posso falar de pelo menos 3 aspectos: Educação, Movimentos sem terra e Movimento gay.
Trabalho a mais de 20 anos no terceiro setor. A ONG da qual faço parte nunca recebeu um centavo do governo, até mesmo porque acreditamos que se nossa denominação é Organização Não Governamental, é uma contradição receber recursos federais, estaduais ou municipais. Ao longo dos anos desenvolvemos vários projetos, participamos de vários fóruns, feiras, encontros, eleições de conselhos, campanhas sociais etc. Porém o mais importante são as pessoas que você conhece, como agem, o que são capazes de fazer.
Com toda a segurança, posso afirmar que de 12 anos para cá, o lixo, a falcatrua e a corrupção no terceiro setor cresceram assustadoramente. 
Quem apenas lê revistas semanais, nunca vai imaginar o que acontece nas desapropriações de terra, nos seminários, encontros e fóruns de entidades que trabalham com prevenção a DSTs e AIDS, nos boletins e diários de classe adulterados no calar da noite para mascarar as estatísticas do bolsa família. 
Quem apenas se limita a ler links suspeitos compartilhados em redes sociais nunca imagina como o dinheiro da merenda escolar vai parar na casa dos diretores de escola públicas, como hotéis 5 estrelas tem andares inteiros tomados por pessoas seminuas desfilando pelos corredores, de madrugada, em busca de sexo durante o que deveria ser um evento de prevenção a DSTs AIDS ou como cidadãos que moram na cidade, tem casas próprias e ainda assim são inscritos como sem terras e ganham lotes do governo.
Quem reproduz o que assiste na TV como verdade absoluta, nunca vivenciou a distribuição de seringas, agulhas descartáveis e garrotes para viciados em drogas injetáveis feita através de recursos do governo. O mesmo governo que deveria se empenhar em retirá-los do vício, oferecer tratamento adequado aos dependentes químicos.
Quem lê os jornais impressos e acredita que em suas linhas estão verdades e grandes revelações, não é capaz de supor o que ocorre em seleções de projetos beneficiados por recursos públicos. Como vereadores e prefeitos engolem grande parte do dinheiro, partilhando o bolo com diretores inescrupulosos de ongs fajutas.
E tem muito mais coisas. Coisas que chegam a ser impossíveis de se escrever em um veículo público.
É triste ver tanta gente militando por ideologias falidas, que pouco servem para mudar alguma coisa. 
É doloroso ver pessoas levantando bandeiras a favor da reforma agrária quando elas nem sabem o que acontece nos bastidores. Não sou contra a reforma agrária. Sou contra o que fazem dizendo ser em prol da reforma agrária.
É desesperador presenciar a cada dia a degradação da educação pública no Brasil, mascarada por indicadores duvidosos, que não refletem a realidade das salas de aula. (click Aqui e saiba mais)
Chega a ser ultrajante ter que admitir que as paradas gays têm como objetivo a prevenção a DSTS e AIDS só porque distribuem camisinhas e panfletos em um evento que é mais um carnaval fora de época.
Não sou moralista, mas acredito que o problema está além da simples facilitação de recursos. O problema está na degradação do caráter humano.
Por tudo que já vivenciei, tudo que já presenciei, não pude continuar a usar os antolhos que o estado coloca em cada cidadão que acredita que estamos no rumo certo.
São pessoas que deixam a sua inteligência e capacidade de raciocínio serem subestimadas. 
Deixam que, praticamente ao nascer, lhes coloquem antolhos. 
Com a campo de visão limitado, só vêem e aprendem o que o estado permite. 
Sabem que são manipulados e não têm coragem de admitir isso.
CORAGEM - Isso, infelizmente, muita gente não tem. 
Qual a surpresa?
Continuamos com o pé na senzala e fazendo tudo que seu mestre mandar.
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Priscila no Brasil

Paradas Gays.
Há muito quero escrever sobre este tema, mas ao mesmo tempo evito.

É um tema polêmico e um tanto quanto delicado. Nos dias de hoje, basta qualquer palavrinha errada para sermos logo taxados de “Homofóbicos”.
Não quero, de maneira nenhuma, desmerecer ninguém por sua orientação sexual. Com quem nos relacionamos é algo pessoal, íntimo de cada um. O livre arbítrio está aí para isso mesmo.
O que quero debater é sobre a real necessidade das Paradas Gays. Como evento festivo, são, sem sombra de dúvida, muito alegres e contagiantes. Mas, ao olhar de fora , sempre me questionei sobre sua real funcionalidade.
Distribuir camisinhas, cartilhas e panfletos. Orientar, informar, educar, prevenir, realizar exames rápidos. Com certeza nobres objetivos.
Mas será mesmo necessário realizar um outro carnaval para fazer isso?

Bom, não sei se sabem, mas o Governo Brasileiro é o principal patrocinador das Paradas Gays. Existem verbas específicas para isso. Para se ter idéia, apenas a Parada Gay de São Paulo Edição 2008 recebeu R$ 920 mil reais dos cofres públicos do município e da federação, além de receber incentivos financeiros de estatais como a Caixa Econômica Federal e a Petrobrás.
Além disso, o número de paradas gays está aumentando a cada ano no Brasil tendo ultrapassado a marca das 100 em 2006. Hoje, nós somos o país com o maior número de paradas gays do mundo!
Agora pergunto: Se falta dinheiro para tantas coisas como escolas, remédios, policiamento, hospitais, habitação, saneamento básico, de que maneira podemos gastar milhões e milhões de reais com uma festa ?
Isso não faz sentido!

Concordo que os gays sofrem preconceito e discriminação. As paradas vieram com o intuito de exacerbar o orgulho gay, defendendo os direitos de uma minoria, até então reprimida, e colocada à margem da sociedade.
Conseguiram. Mas agora chegou a hora de acontecerem, única e exclusivamente, com o patrocínio da iniciativa privada.

Foi muito justo o governo dar o primeiro impulso para que esses movimentos acontecessem mas, chega de empregar recursos públicos nisso.
A verba pública que é oriunda do pagamento de impostos do trabalhador deve ser destinada para o bem comum, como a construção de escolas, de unidades de saúde e saneamento básico, tudo mais que atinja a coletividade, o maior número de pessoas possíveis. Em momento algum, independentemente de seu credo ou orientação sexual, devemos esquecer disso.


  • Quantas escolas se fariam ou reformariam com o dinheiro destinado às paradas gays?
  • Quantos hospitais e postos de saúde?
  • Quantas crianças poderíamos alimentar?
  • Quantas casas populares poderíamos erguer?
  • Quantas redes de saneamento básico poderíamos ampliar?
  • Quantos medicamentos e vacinas poderiam ser disponibilizados às pessoas de baixa renda?

Ser gay não é, nem nunca será prerrogativa para ser menos capaz.
Mas ser analfabeto ou subnutrido, sim!

Então o que vale mais:
O trio elétrico tocando “I Will Survive” ou a criança que passa fome no Nordeste?
Falta colocarmos os pesos e as medidas.
Até que ponto é justa a atual equação:

Liberdade Sexual + Direitos Iguais = Financiamento Público?

Fica a indagação!




"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir."

George Orwell - Escritor

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