quarta-feira, 7 de maio de 2008

Sidney Sheldon: Um Dinossauro da Literatura Mundial

Quando me dispus a escrever sobre esse dinossauro da literatura estrangeira, não sabia se falava primeiro da pessoa Sidney Sheldon ou das obras. 
Mas vamos contextualizar melhor. 

Em primeiro lugar, esclareço que Sidney não foi apenas escritor. Ele também foi roteirista e muito bem sucedido, mesmo tendo sido duramente alvejado pelos críticos literários e cinematográficos. 

No ramo da literatura, Sidney Sheldon já vendeu mais de 300 milhões de livros em todo o mundo. É o único escritor que recebeu quatro dos mais cobiçados prêmios da indústria cultural americana: o Oscar (Cinema), o Emmy (TV), o Tony (Teatro) e o Edgar (Literatura) de suspense. É atualmente o autor mais traduzido em todo o planeta, cujos romances foram vendidos em 51 línguas e distribuídos em 180 países. 

Isso não é por acaso. Seus livros misturam ingredientes explosivos: drama, suspense, sedução, riqueza, glamour. Em suas páginas, viajamos em um outro universo, ansiosos pelas próximas revelações, pelas próximas viradas. E com ele sempre existem viradas. Elas são um show à parte.

Sabe aquele momento em que você para e pensa: “Poxa, o personagem tá ferrado!”? Pois é, com Sidney Sheldon as adversidades não duram muito tempo. Que o diga Tracy Whitney, personagem principal do Se houver amanhã, um livro envolvente que narra as desventuras e aventuras de uma mulher que de uma hora para outra tem sua vida destruída por um golpe do destino, e acaba tornando-se uma ladra internacional muito bem-sucedida. 

O livro foi tão badalado que acabou tornando-se uma mini-série, de três capítulos, exibida no Brasil, pela Rede Globo em 1986. A série contava com um belo elenco. A protagonista Tracy era vivida por Madolyn Smith, figurinha fácil nos filmes Supercine, daquela época. O casting masculino de vítimas e investigadores atrás da moça era fantástico: Tom Berenger, David Keith, Liam Neeson e Jeffrey Jones (o eterno diretor da escola do Ferris Bueller, em Curtindo a Vida Adoidado). 

Sidney Sheldon nasceu em Chicago, em 1917, era filho de um judeu alemão e uma judia russa. Em 1937, ele começou sua carreira em Hollywood como um simples revisor de roteiros e, acabou por colaborar em inúmeros filmes de segunda linha. Não acreditava muito no seu talento e foi justamente por isso que preferiu trabalhar no cinema do quê na literatura. A grande ironia do destino é que acabou por ser bem sucedido em ambas as áreas. Ele foi o criador de seriados de sucesso como Jeannie é um gênio e Casal 20. 

Foi apenas em 1969, Sidney Sheldon lançou seu primeiro romance, A Outra Face (título original: The Naked Face), um thriller emocionante que conta a história de um psicanalista que tenta desvendar uma série de assassinatos. São muitos suspeitos, mas o grande tchan da história é quando o analista passa a desconfiar que ele próprio esteja cometendo os crimes em momentos de insanidade temporária. Não vou contar mais nada para não estragar a história. 

Para quem gosta de histórias mais longas, vale conferir O outro lado da meia noite e Lembranças da meia noite (este segundo sendo a continuação do primeiro). Neste dois volumes conhecemos a história de um intrincado triângulo amoroso composto por um aviador americano, uma atriz francesa e uma simples e ingênua moça americana. Ambientada durante a segunda guerra mundial, a história é recheadas de reviravoltas, mistérios e traições. 
Mesmo não sendo um escritor elogiado pelos críticos, Sheldon se orgulhava da autenticidade das suas obras. Ele era tão eclético que nem mesmo as ações terroristas de grupos separatistas, como o basco ETA, escaparam de seus romances. Este é o fio condutor de Areias do Tempo, um livro que narra os conflitos entre nacionalistas bascos e o governo espanhol dos anos pós-Franco, apimentado pelo romance proibido entre uma freira e um líder separatista. 

E se você é do tipo que gosta de narrativas intrincada  s sobre a história de várias gerações de uma mesma família, não pode deixar de ler O Reverso da Medalha. Esta é uma história cativante que tem como personagem principal a forte e determinada Kate Blackwell, uma mulher de fibra e forte personalidade que conduz com pulso firme o império fundado por seus ancestrais nos campos de diamantes da África do Sul. 

Já em A Herdeira, a personagem principal é a frágil e gentil Elizabeth, uma jovem que herda, após a morte de seu pai, uma grande empresa. Na luta para descobrir quem está sabotando sua empresa e provar sua capacidade de administrar, ela tenta fugir do misterioso assassino que tenta exterminá-la. O livro é tão bom que em 1979 acabou tornando-se filme, Bloodline, sendo protagonizado por ninguém mais ninguém menos do que Audrey Hepburn, a eterna bonequinha de luxo. 

Poderíamos ficar aqui falando horas sobre Sheldon, mas é imprescindível lembrar que ele foi um dos escritores mais produtivos da literatura americana contemporânea, tendo escrito 24 livros, na grande maioria Best Sellers. 

Este ícone da literatura universal morreu em Los Angeles, aos 89 anos, devido a complicações causadas por uma pneumonia, em janeiro de 2007. 

Quem imagina que seu legado tenha morrido com ele, está muito enganado. Seguindo os passos do pai, Mary Sheldon surge como uma promissora herdeira. Em seu romance Pandora. Mary tece uma trama memorável sobre a perda da inocência, em uma Hollywood onde os sonhos se realizam – e desmoronam – num piscar de olhos. Um livro encantador e cheio de paixão. 

Deixo aqui uma listinha das obras de Sidney Sheldon para você conferir. 


1969 A Outra Face 

1974 O Outro Lado da Meia-Noite 

1976 Um estranho no espelho 

1977 A Herdeira 

1980 A Ira dos Anjos 

1982 O Reverso da Medalha

1986 Se houver Amanhã 

1987 Um Capricho dos Deuses 

1988 As Areias do Tempo 

1990 Lembranças da Meia-Noite 

1991 Juízo Final 

1992 Escrito nas Estrelas 

1994 Nada Dura para Sempre 

1994 Corrida pela Herança 

1995 O Ditador 

1995 Manhã, Tarde e Noite 

1995 Os Doze Mandamentos 

1995 O Fantasma da Meia-Noite 

1997 O Plano Perfeito 

1998 Conte-me seus sonhos 

2000 O Céus está Caindo 

2001 O Estrangulador 

2004 Quem tem Medo do Escuro? 

2006 O Outro Lado de Mim
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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Doces Lembranças




Infância.Quem não recorda de algo marcante, um momento, um episódio, uma história. Os dilemas de ser criança. Um tempo onde nossas maiores preocupações eram as notas vermelhas no Boletim e as provas finais. Bons tempos, saudades que recordam felicidade.
Lembro de muitas coisas.
Das tardes inteiras brincando de Barbie. Quando eu, minha irmã Karla e nossas amigas (Danilla, vc deve lembrar disso), carregávamos os apetrechos, às vezes caixas inteiras, uma para casa das outras.
Das brincadeiras de panelinha, onde fingíamos cozinhar de verdade. E pasmem: fritávamos até ovo! Ah! Eu também não esqueço do dia em que sem querer o cabelo de Fernandinha chamuscou em nosso fogãozinho improvisado (Cambito e Bilu lembram disso?).
Dos passeios de bicicleta, voltas e voltas no mesmo quarteirão. Ou, na melhor das hipóteses, na pista de barro, do outro lado da rua.(Lembra disso Luisinha?)
Dos desfiles de moda, onde nos fantasiávamos de Top Model e nos alternávamos em uma passarela improvisada em uma de nossas casas.
Das brincadeiras de elástico, esconde-esconde, picula, três-três passará, mamãe quero ir, baleado, bandeirinha, macaquinho.
Das tardes de sábado no Clube Social, onde quase viramos sereias devido ao excesso de exposição à água. Ahaahahahahaha (Helena, Minha amiga-irmã deve lembrar disso)
Das noites de domingo, na matinê na Boite Ritmos, onde começamos a olhar os meninos com outros olhos.
Das noites durante a semana, quando jogávamos Banco Imobiliário (escondido é claro) no quarto. (Euller, vc lembra disso?)
Dos fins de tarde em que íamos andando até o centro da cidade, todos de chinelos, para tomar sorvete e bater papo (esse era o famoso ARRASTÃO). Soraya e Hildegardes, vcs lembram disso?
Das manhãs em que me sentei com a finada Antônia, e ficava a admirar a habilidade com que ela fazia roupas para minhas bonecas.
Lembro também dos tombos, quedas, das brigas, das vezes que ficamos de mal, do joelho deslocado...
De Álamo e Arion, os dobermans mais temidos do quarteirão.
Dos trotes de telefone que passávamos por pura gaiatice.
Das vezes que tocávamos a campainha das casas de estranhos e saíamos correndo.
Lembro dos amigos e colegas que perdi quando era criança: Katerine, Leo, Maria. E da minha grande perda: Meu avô Hélio. Não era capaz de entender porquê as pessoas morriam e, na verdade, nunca cheguei a imaginar nenhum deles morto. Sempre os imaginava num navio, bem grande, que navegava rumo ao horizonte e nunca mais voltaria. Era mais reconfortante.
Lembro das minhas professoras, minhas “Tias”: Lia, Regina, Ana, Gildete (não me levem a mal, mas esta tinha barba, bigode e até costeletas!), Carisa. Todas amáveis, todas modelos para mim.
E não poderia deixar de lembrar das apresentações de Ballet no Teatro Municipal. Ahh, ainda teve aquele ano em que nos fantasiamos de Paquitas (isso mesmo!) e fizemos uns 4 números num dia de festa na escola. (Ana Karina, Olga e Ettimara, vcs lembram disso?)
Lembro das artes.
Quando eu e minha irmã Karla tentamos alisar os cabelos usando a Soda Cáustica de minha mãe. Do dia em que pegamos todo o dinheirinho que ganhamos de alguém (não lembro quem), e compramos todo de chicletes, depois escondemos o saco gigantesco em nossa gaveta de pijamas.
Muitas coisas para lembrar. Já imaginou se conseguíssemos recordar de tudo? Seria ótimo.
Hoje quando olho para os meus filhos, penso que a maioria das coisas que eles fazem hoje, serão memórias apagadas em suas lembranças. Mas em meu pensamento, cada sorriso deles será eterno, cada traquinagem será hilária e cada choro será sempre motivo para a lembrança do aconchego.
Por isso, falo a todos os amigos que têm filhos: a infância deles sempre será mais dos pais do que das próprias crianças. Aproveitem esse momento da vida de seus filhos. É um tempo que não volta mais. Momentos que se deixarmos passar, se foram para sempre. Não sacrifiquem isso por nada, nem mesmo pela idéia obsessiva que alguns pais tem de que precisam garantir financeiramente o futuro.
Uma criança que não tem uma infância feliz, com certeza terá um futuro um tanto quanto duvidoso.
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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Palavras na areia...

 
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segunda-feira, 31 de março de 2008

Cuspe e Giz



Sete letras. Três sílabas. Ensinar...

Ensinar é mais do que orientar, formar, instruir.

Ensinar é plantar.

Plantar sementes duradouras.

Sementes fortes.

Não sou professora por formação. Sou professora por vocação, por amor. E por ser assim reconheço imediatamente aqueles que o fazem por dinheiro, por falta de opção profissional ou apenas para usar a educação como ferramenta de doutrinação ideológica. É duro olhar nos olhos de um colega e enxergar o vazio que representa, na vida dele, a sublime missão de ensinar.

Nesta minha caminhada, deparei-me com diversas situações, algumas tristes, outras cômicas. Porém nada me deixa mais indignada do que aquelas às que posso chamar de situações inadmissíveis.

Imaginem...

Imaginem um colega professor que assina, em seus diários e pautas, assuntos que nunca deu aos alunos!

Imaginem um colega professor fumando em uma sala de aula com alunos de 10 e 11 anos de idade!

Imaginem um colega professor que fica um mês sem dar aula, sem tirar licença médica, ou apresentar quaisquer justificativas!

Imaginem um colega professor que doutrina ideologicamente os alunos, insistindo em que eles assimilem suas ideias partidaristas, engolindo-as como verdades absolutas.

Imaginem um colega professor que ensina assuntos errados e ao ser contestado por um pai, possuidor de conhecimentos da matéria, tem a cara de pau de dizer que não ensinou errado, os alunos é que entenderam errado.

Imaginem...

Imaginem um colega professor que assedia sexualmente um aluno de 14 anos!

Imaginem um colega professor que expulsa de sua sala de aula os alunos pobres que não podem comprar livros de literatura!

Imaginem um colega professor que persegue os alunos que não comungam da sua ideologia partidária, conferindo-lhes notas aquém do que eles mereciam.

Imaginem um colega professor que humilha em sala de aula, alunos que questionam as ideologias que o mestre tenta impor.

Imaginem um colega professor que confessa não corrigir os trabalhos dos alunos, aferindo notas pela capa!

Imaginem um colega professor que nunca comparece às aulas de sábado porquê não gosta de trabalhar nos fins de semana!

Imaginem...

Imaginem um traficante entre os alunos de uma classe, passando maconha, dentro de um caderno, em plena sala de aula!

Imaginem dezenas de crianças se acotovelando nas filas de merenda para tomar uma mísera caneca de sopa ou mingau, mesmo sabendo que a quantidade não será suficiente para todos.

Imaginem um aluno de oitava série escrevendo a palavra COMIGO, desta forma: com migo (isso mesmo, separada em duas partes).

Imaginem diários de classe adulterados no calar da noite, substituindo notas abaixo da média por gloriosos 8,0 e 9,0. Maquiando as estatísticas da qualidade de ensino da instituição.

Imaginem mães preocupadas com a frequência escolar dos filhos, não por motivos educacionais, mas por medo de perderem o misero dinheirinho do bolsa família!

Eu não imagino.

Eu vivi.

Vi com meus próprios olhos essa realidade imunda.

Uma realidade tão suja que nos perguntamos se é realmente verdade.

Uma realidade vergonhosa.

Um Brasil que não deveria existir.

Não acredito na eficácia desse método que declara alfabetizados aqueles que mal fazem um O com um copo.

Não acredito em aceleração, dependência ou qualquer outra nomenclatura que inventem para maquiar as reais estatísticas da educação em nosso país.

O problema não é a falta de escolas ou professores, os péssimos salários ou as más condições de trabalho.

O problema está no desmoronamento ético e moral do ser humano. Está na destruição da identidade que é defendida pela cultura dos "ismos".

O sistema atual não planta sementes,  ele apodrece árvores, torna os frutos ocos, meros repetidores de uma cartilha que eles sequer entendem.

Continuarei sendo uma semeadora. Ainda que minhas sementes sejam levadas pelo vento.
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sexta-feira, 14 de março de 2008

Com a letra A

Começa sempre assim: um olhar, um gesto, algumas palavras ao acaso. Isso poderia ser o início de muita coisa. Mas falo, em especial, sobre o Amor.
Complexo e simples. Assim ele o é. Parafraseando a música dos Raimundo: “ Complicado e perfeitinho, você me apareceu...”
A experiência de vida agregada ao Amor é única, em especial, ao Amor Conjugal.
Chega a ser quase uma ciência ou uma arte, a convivência amorosa.
Amar implica em muitas coisas.
Falar de tudo seria longo e, ainda assim, capenga. Pois que, o Amor possui mais faces do que a mais intrincada das mandalas.

Uma das palavras chaves para o Amor é CEDER, haja visto que no Amor não há lugar para a tirania ou opressão.
Se ele penteia seus cabelos, você faz o prato dele na hora do almoço. O interessante é que: ele odeia creme de pentear e você acha chatíssimo o ritual na hora de arrumar o prato. Porém, o Amor é maior do que isso.

O Amor não precisa de grandes demonstrações. Necessita sim, ser alimentado de pequenas provas constantes.

Quando amamos não nos arrependemos daquilo que deixamos de fazer. Tudo fica em estado de graça.

Existem os que dizem que o Ódio é muito próximo do Amor.
ERRADO!!!

Não há lugar para os sentimentos negativos no coração de quem ama.

O Amor precisa de recompensa, troca, entrega.

Mas nunca devemos depositar totalmente a nossa felicidade no outro. O Amor sabe e ensina a encontrá-la dentro de si.

Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa, Hércules e Mégara...a lista é infindável. Histórias de Amor Imortal. Ficção ou não. A vida real é cheia de personagens como estes. Embalam os sonhos de milhões de seres em todo o mundo. Todos desejam encontrar um Amor assim. Uma busca frenética pela própria complementação.
Afinal, o Amor também é isso: completar-se.

É aprender a comer Mostarda ou tomar suco de Graviola. É uma troca.

Amar também é compreender. Acima de tudo, integral e pacientemente.

O Amor caminha sempre de mãos dadas com a paciência e a temperança.

Amar também é ter medo. Sim, isto mesmo. Medo de perder o que tens de mais precioso na vida. Quem ama teme. Mesmo que não seja evidente, que saibamos disfarçar a angústia desse medo, ele sempre está lá, encolhidinho, no fundo de nossos corações.

O Amor é posto à prova em todos os instantes de sua existência.

Todos os dias Deus nos coloca em situações para refletirmos. Não que Ele deseje o fim do Amor. Mas sim, porquê deseja seu crescimento e aperfeiçoamento, muito embora, em determinadas ocasiões, não saibamos ler os sinais. A mensagem é sempre a mesma: “Amar é a mais sublime coisa que existe!”

Quando amamos chegamos mais perto do divino.

O Amor não peca. Não existe pecado quando se ama.

Felizardo são aqueles que encontraram o Amor. Mas se você ainda na adentrou a este grupo, não se preocupe. Com certeza você há de entrar. Porém não esqueça nunca de fazer o prato ou pentear os cabelos.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A menina e o Mal

De minha autoria, inspirado no livro "A menina que roubava livros"....

A menina caminha
pela rua da vida
o barbante na perninha,
a alma já partida.
Um anjo sem asas.
Um tiro na memória,
mudança na história
de todas as coisas.

A menina chora
uma lágrima de sangue,
pranto do desespero.
E a lágrima roIa,
e cai, e fica...
no fundo do mangue.
Tudo por um erro.
Tudo pelo fio da faca.

A menina pensa saber
para que servem as bombas.
"bumm", "plum", "cabum".
Mas elas são mais:
ferir, separar, morrer.
A paz fez "cabum",
e se perderam as pombas.
A guerra se fez de coisas banais.

A menina grita
e o eco da morte
chega ao campo de batalha,
estancando o combate.
Mas sua voz é fraca e irrita
a poderosa senhora do "front".
Com o auxílio da navalha
recomeça-se o embate.

Mas eis que surge
a esperança de paz.
Como um raio que desce
de uma estrela longínqua,
ou como um animal que ruge.
Apenas a menina é capaz
de ver como isso nasce,
apesar das lutas ambíguas.

E o duelo começa.,
sem pai, tia ou irmão.
Vida "versus" violência.
A menina contra o mal do mundo.
Ela não tem pressa,
não tem roupa, casa ou pão.
A seu favor apenas a humana benevolência,
buscando suas raízes no fundo.

Ilhéus, Paris, Athenas...
cidades do mundo inteiro,
sofrem da mesma doença,
agonizam do mesmo jeito.
Mas em suas mãos pequenas,
a menina tem o canteiro,
onde- floresce a boa presença,
o mesmo amor que traz no peito.

O mundo deseja sim,
que a menina vire médica,
enfermeira de campanha,
remédio do mal geral.
Mas ela quer o fim,
sem luta, sangue ou dialética,
sem grito, soberba ou barganha.
A menina venceu o mal.




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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Férias !!!!!!!!!!!




Loucura!! Loucura Total !! – assim mesmo com dois pontos de exclamação para ficar mais impactante....aahahahahah
Parei para pensar sobre isso. Milhões de pessoas em todo o universo trabalham zilhões (não escrevi errado não, foi de propósito mesmo) de dias pensando nos dias sem trabalho...Preocupam-se com o que irão fazer, ou melhor, pensam prazerosamente naquilo que irão deixar de fazer temporariamente.
Mas para nós mulheres, férias têm um significado todo especial.
Pois bem, estabelecemos metas, objetivos, roteiros, rotas (isso para as mais paranóicas). E olha o dilema: vivemos meses no conforto do nosso lar, com comida em abundância (a não ser que você seja anorexica), um guarda roupa repleto de opções e possibilidades, uma sapataria inteira ao seu dispor bem pertinho da sua cama, lençóis limpinhos, toalhas fofas...e de um minuto para o outro nos lançamos nesta aventura insana chamada férias. Vamos dormir em um quartinho de hotel sem o menor conforto, comer em horários descontrolados e o mínimo possível, vestir dez vezes a mesma saia jeans e calçar as mesmas Havaianas por semanas a fio, deitar em lençóis de origem duvidosa e nos enxugarmos com aquelas horríveis toalhas enceradas que parecem ser a prova d´água. Sintetizando: uma visão do seu inferno astral.
Bem, e não acaba por aí. Ainda tem a questão da companhia: namorado, marido, pais, filhos...uma infinidade de possibilidades. Cada uma com uma torrente de intrincados problemas.
Se sua companhia for um namorado, você imagina que suas férias serão uma espécie antecipação da lua-de-mel. Idealiza mil coisas...e acaba por cair do cavalo...pois de perto ninguém é perfeito.
Se você for com um marido, aí a coisa complica mais, a depender do tipo de marido que você tenha. Mas em um ponto quase todos são iguais (digo quase porque o meu não é assim): têm uma espécie de bloqueio mental quando se vêem numa situação em que necessitem de uma informação. Esta dificuldade se apresenta com diferentes graus de comprometimento. Os mais dramáticos chegam a ficar completamente paralisados ante a visão de um possível informante.
Há poucos dias passei por uma situação deste tipo (mas aviso de novo que não foi meu marido). Estava eu de férias, a caminho de um conhecido balneário do estado do Rio de Janeiro (não vou dizer o nome do lugar e nem dos envolvidos na situação), acompanhada de um casal amigo. Fomos de carro até a cidade e lá chegando optamos por ir a uma determinada praia. O meu anfitrião garantiu que sabia o caminho para a tal praia. Eu confiei cegamente e tocamos a conversa enquanto ele dirigia. Depois de alguns minutos percebi que nós estávamos subindo, subindo, subindo uma espécie de serra!!! Bom, sempre acreditei que o mar fosse uma superfície plana, no baixo de preferência. Mas como não conhecia direito o lugar fiquei na minha. Passávamos por milhares de ruas com casas muradas, alarmes, câmeras de seguranças e nada de praia. Um calor do cão, o carro cheio e nada. Até que tive coragem e declarei: “Estamos perdidos” – ou melhor, convenientemente perdidos num condomínio de luxo, com mansões fabulosas por todo lado e nenhuma alma piedosa que pudesse nos dar uma informação. Rodamos, rodamos e para piorar, meu anfitrião declarou não saber nem como voltar por onde tínhamos vindo. Pensei: “o que fazer?” Não via saída. Então avistamos um pobre jardineiro solitário que varria com afinco um canteiro gigantesco. E aí começou a confusão. Eu sugeri que pedíssemos a informação a ele. Meu anfitrião fechou a cara, como que eu tivesse xingado a mãe dele por três encarnações. Os outros ocupantes do carro concordaram comigo, para o desespero dele. Então, num ato de esforço sobre humano, ele abriu o vidro do carro e chamou o rapaz. Explicou a nossa situação de elenco perdido do seriado Lost, e pediu que nos indicasse o caminho a seguir. O jardineiro nos olhou fixamente, parecia que estava pensando muito pra responder. Um pensamento terrível passou pela minha cabeça: “Ele é surdo.” Que droga, só podia ser, pela demora em responder. Tanta gente no mundo e eu encontro logo um surdo para pedir informação...Depois do que pareceram minutos intermináveis, ele apenas nos fez um gesto com a cabeça, esticando o pescoço na direção de uma ladeira a nossa esquerda. Rapidamente agradecemos e pegamos o caminho indicado. Descemos, descemos, descemos. E acabamos por encontrar uma mulher, perdida também, que queria ir ao centro. A pobre coitada achou logo de perguntar ao meu anfitrião qual era o caminho. Não vou nem dizer o quê que é isso...Ele ficou simplesmente atônito e acabou por confessar a verdade: “Não sei, pois nem sei direito como cheguei aqui.” Suspirei fundo e pensei: “Ainda bem que pelo menos teve a decência de admitir.”
Então para encerrar essa história de férias, vem um capítulo, ou melhor, parágrafo extra, pois eu não poderia deixar de falar das férias em companhia dos filhos. Uma maravilha!!! Bilhetes e bilhetes de parques de diversões, cinema, circo, jogos eletrônicos, zoológico... uma verdadeira maratona. Ficar em casa, nem pensar. Seria como tentar represar 300 Cataratas do Iguaçu, num tanque de 500 litros. E não acaba por aí. Pois quando você pensa que vai descansar à noite – mesmo que seja contrariando todas as suas expectativas, em especial quando você recorda não está na sua confortável e maravilhosa cama – lembra-se de que ainda tem uma filha adolescente que quer dançar até o sol nascer, nas baladas da vida....
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Quem é a mãe?


Depois que os filhos nascem, começam também as festas infantis, programa constante na vida de pais e filhos.

Nessas tantas festinhas além de brincar muito com Pedro e Carolina, eu fico a observar o cenário com aquele olhar amoroso de educadora que não me abandona mesmo que eu tente!

Cada vez mais acredito que a maternidade se transformou em um setor terceirizado.
As mães não fazem mais o seu papel de mãe, delegam funções para Deus e o mundo (babás, avós, escolas em tempo integral, tias, cursos de diversas modalidades, folguistas e quem mais pintar...) e esquecem o real motivo de terem tido um filho.

São tantas cenas que vejo nessas festinhas que chego a ficar assustada. As tais babás fazem tudo: trocam fraldas, dão a comida, supervisionam as crianças, ficam com a criança no colo, colocam para dormir, olham, cuidam e participam de toda rotina dos pequenos enquanto os pais ficam fazendo o quê??

Sei lá, acho que atualmente essa história de ter uma babá já vem dentro do pacote de se ter um filho, as mães já começam a procurar a babá desde grávidas... e de repente não mais que de repente a tal babá começa a assumir todas as funções da mãe, culminando com o momento que a criança até chora quando a babá vai embora.

E afinal quem é a mãe?

Nas escolas é a mesma coisa, o número de babás é infinitamente maior que o número de mães. São elas que vestem o uniforme, preparam a merendeira, conferem a mochila, levam a criança até a professora e na saída são elas que estão a esperar o pequeno descer da sua aula. E as professoras já estão até acostumadas a tratar a maior parte dos assuntos do seu aluno com a tal babá, a represente da mãe que é quem participa ativamente dessa rotina escolar. Já com a mãe fica a função de pagar a mensalidade.

E nessas horas mais uma vez me pergunto: será que essa mãe nunca encontra um tempo para viver esse tempo tão mágico que são os primeiros anos de uma criança?

Nas pracinhas a cena se repete. Crianças alegres nos balanços, crianças correndo pela grama com outras crianças, crianças brincando nas gangorras animadamente, panelinhas espalhadas pelo chão, bolas rolando para cá e para lá, carrinhos e bonecas espalhados pelos bancos da praça, na sombrinha das árvores mais crianças se divertem com pazinhas e baldes coloridos. E uma tropa de moças ou senhoras, com as suas impecáveis roupas brancas, a vigiar toda essa criançada. Parecem anjos da guarda, mas são as babás.

Lembro que na época da licença maternidade do Pedro, eu me sentia um verdadeiro E.T. Eu a única mãe naquela pracinha.

Nos primeiros dias, achei que fosse o dia nublado, que quando estivesse sol eu fosse encontrar outras mães com os seus filhotes a tiracolo.

Mas que nada! Os dias vieram, passaram-se outros e eu continuava sendo a única.
Nas praias também chego a ficar impressionada.

Dia de sol, céu azul turquesa, mar cristalino, uma mamãe deitada pegando sol conversa com uma amiga da mesma idade, um papai lendo jornal tomando uma cerveja, uma piscininha com uma criança envolvida com os seus brinquedos e uma babá ao lado sentadinha (com aquela roupinha quente que deve fazer o maior calor!) entretendo alegremente a criança. Nem por um momento a mãe se levanta e se senta ao lado do filho, lança um olhar de carinho, pergunta se está tudo bem, se quer tomar uma água, se quer brincar no mar. A mãe continua sua conversa ativamente com a amiga como se estivesse em uma outra realidade particular. Sabe que até o protetor solar foi a babá que passou naquele frágil e pequenino corpinho de criança, em uma manhã de domingo?

Nos restaurantes o cenário se repete, nas viagens de família, nos shoppings, nos clubes e por aí vai seguindo a humanidade com passos fracos e distraídos.

Alguns anos depois os pais não reconhecerão mais aquela criança que um dia foi tão pequena que o seu corpinho cabia em um abraço.

Essa realidade me assusta, sempre fico pensando quais serão os caminhos da educação nos próximos anos, tendo em vista esse modelo de pais que estão sendo construídos por aí.

Mas fico feliz em saber que existe um outro lado: pais bacanas que participam, que cuidam, que brincam, que se envolvem, que fazem da missão de educar, uma missão amorosa. E essa presença não tem nada a ver com trabalhar fora ou não. Existem tantos pais e mães que ficam em casa em tempo integral e não tem noção do que acontece na vida dos seus filhos.

Enfim acredito que a escolha de se ter um filho tem tudo a ver com a certeza de se querer criar um filho. E criar significa educar, participar, zelar, cuidar, brincar, se envolver, discordar, ceder, sonhar junto, alimentar, dialogar, entender, observar, fazer, acreditar....verbos que parecem tão simples mas que tantos pais deixam esquecidos em um antigo dicionário guardado fora de si.

Como diria Içami Tiba: "Quem ama, educa!"


Roberta Paiva tem 33 anos, é carioca, jornalista por formação e educadora por vocação, mãe de Pedro (5 anos) e Carolina (3 anos). É autora do blog Vida de Pedro e Carolina
Sua crônica " Adaptação para mãe e filho" foi publicada na Revista Crescer em agosto de 2007. Colaborou também como pesquisadora no livro " Endereços Curiosos do Rio de Janeiro" do escritor Sergio Garcia, editora Panda Books.

Agora está aqui conosco no Ideias Barbara's


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