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terça-feira, 7 de abril de 2026

LIVRO DO MÊS: O REGRESSO - ROSAMUNDE PILCHER ( EDITORA BERTRAND BRASIL)


Existem livros que entretêm. Outros emocionam. E há aqueles, mais raros, que nos acolhem como uma casa para a qual sempre desejamos voltar. O Regresso (Coming Home), de Rosamunde Pilcher, pertence a essa última categoria. Trata-se de um romance de fôlego que transforma o cotidiano em literatura da mais alta qualidade, conduzindo o leitor por uma história de amadurecimento, perdas, afetos e esperança com uma delicadeza que poucas escritoras conseguem alcançar.

Considerada uma das maiores romancistas britânicas do século XX, Rosamunde Pilcher construiu uma carreira marcada por narrativas profundamente humanas. Seus livros nunca dependeram de grandes reviravoltas ou de conflitos artificiais para prender a atenção do leitor. Seu talento sempre esteve na observação sensível das pessoas comuns, na construção de personagens complexos e na extraordinária capacidade de revelar os sentimentos escondidos nos pequenos gestos do dia a dia.

Em O Regresso, talvez uma de suas obras mais ambiciosas e emocionantes, Pilcher atinge o auge desse estilo.

A protagonista, Judith Dunbar, é apresentada como uma jovem marcada pela solidão. Criada praticamente sem a presença dos pais, vivendo entre internatos e despedidas, ela aprende desde cedo que o sentimento de pertencimento é um privilégio que parece destinado aos outros. Tudo muda quando conhece Loveday Carey-Lewis, colega de escola que a convida para passar um fim de semana na propriedade da família, a encantadora Nancherrow.

É impossível não compreender, junto com Judith, o fascínio imediato pelos Carey-Lewis. Diana, elegante e afetuosa; o reservado Coronel Carey-Lewis, cuja gentileza transmite uma segurança quase paternal; Athena e Edward, que rapidamente se tornam parte da vida da jovem. Rosamunde Pilcher constrói essa família com tamanha autenticidade que o leitor também passa a desejar um lugar à mesa, uma conversa ao redor da lareira ou uma caminhada pelos jardins da propriedade.

Mas seria um equívoco imaginar que O Regresso é apenas um romance sobre uma família acolhedora. Aos poucos, a autora amplia o horizonte da narrativa e conduz seus personagens para um dos períodos mais sombrios da história: a Segunda Guerra Mundial.

É justamente nesse momento que a escrita de Pilcher revela toda a sua força.

A guerra nunca ocupa o centro da narrativa como espetáculo. Ela surge como uma presença constante, silenciosa e devastadora, alterando destinos, separando famílias, interrompendo sonhos e obrigando homens e mulheres comuns a amadurecerem antes do tempo. A autora compreende que os maiores conflitos não acontecem apenas nos campos de batalha, mas também dentro daqueles que ficam esperando notícias, aprendendo a conviver com a ausência, o medo e a incerteza.

Poucos escritores descrevem emoções com tanta elegância quanto Rosamunde Pilcher.

Ela escreve sobre amor sem recorrer ao sentimentalismo exagerado. Escreve sobre perdas sem transformar a tristeza em melodrama. Escreve sobre esperança de maneira tão delicada que ela nasce naturalmente entre uma página e outra, quase sem que o leitor perceba.

Seu texto possui um ritmo tranquilo, contemplativo, mas jamais lento. Cada capítulo acrescenta novas camadas aos personagens, revelando suas fragilidades, seus medos, seus desejos e suas transformações. Não há excessos. Não há frases buscando impressionar. Há apenas uma escrita segura, refinada e profundamente humana.

Talvez essa seja a maior característica da literatura de Rosamunde Pilcher: sua capacidade de fazer com que o extraordinário aconteça dentro da vida comum.

Os cenários são descritos com riqueza de detalhes, mas nunca servem apenas como decoração. As paisagens da Cornualha, os jardins, as grandes casas inglesas, os campos e o litoral parecem respirar junto com os personagens, refletindo seus estados de espírito e tornando-se parte essencial da narrativa. É impossível terminar o romance sem sentir que também caminhou por Nancherrow, sem ouvir o vento soprando entre as árvores ou sem desejar retornar àquele universo.

Como leitora, O Regresso foi uma surpresa extraordinária.

Esperava encontrar um romance histórico elegante. Encontrei muito mais do que isso. Descobri uma narrativa que fala sobre identidade, amizade, pertencimento e sobre a família que construímos ao longo da vida, nem sempre aquela em que nascemos, mas aquela que escolhe nos amar.

Poucos livros conseguem provocar uma conexão emocional tão genuína. Em diversos momentos, senti que não estava apenas acompanhando Judith, mas crescendo ao lado dela. Suas conquistas tornam-se nossas conquistas; suas perdas também nos atingem. Quando a última página chega, permanece uma sensação rara: a de despedir-se de pessoas que passaram a fazer parte da nossa própria história.

Rosamunde Pilcher possuía um dom cada vez mais raro na literatura contemporânea: escrever com calma em um mundo apressado. Sua narrativa convida o leitor a observar, sentir e compreender. Em vez de buscar impacto imediato, constrói emoções duradouras, capazes de permanecer na memória por muitos anos.

O Regresso é, acima de tudo, um romance sobre o poder transformador do afeto. Uma obra que celebra a amizade, a resiliência e a capacidade humana de encontrar um lar mesmo depois das maiores tempestades.

Ao fechar o livro, fica a certeza de que Rosamunde Pilcher não escreveu apenas uma bela história. Escreveu uma experiência literária que aquece o coração e reafirma por que continua sendo uma das autoras mais sensíveis e elegantes da literatura contemporânea.

O Regresso é um daqueles romances que merecem ser lidos sem pressa, apreciando cada capítulo, cada diálogo e cada emoção. Uma leitura inesquecível, delicada e profundamente comovente, que confirma Rosamunde Pilcher como uma das maiores cronistas dos sentimentos humanos e da beleza escondida nas relações mais simples e verdadeiras.
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quinta-feira, 5 de março de 2026

LIVRO DO MÊS: MAIS QUE AMIGOS - BARBARA DELINSKY (Editora Bertrand Brasil)


Há livros que conquistam pela velocidade da narrativa. Outros, pela complexidade de seus personagens. Mais que Amigos, da escritora norte-americana Barbara Delinsky, consegue reunir essas duas qualidades em uma história profundamente humana, emocionante e surpreendente, confirmando o talento da autora para transformar dramas cotidianos em romances de grande impacto emocional.

Reconhecida internacionalmente por seus romances centrados nas relações familiares, Delinsky construiu uma carreira sólida ao abordar personagens imperfeitos, dilemas morais e conflitos que poderiam acontecer com qualquer pessoa. Com mais de 90 livros publicados e presença constante nas listas de mais vendidos do The New York Times, a autora tornou-se uma das maiores representantes da ficção contemporânea voltada às emoções humanas. Seu estilo é marcado por uma escrita elegante, fluida e sensível, capaz de prender o leitor desde as primeiras páginas sem recorrer a exageros ou melodramas.

Em Mais que Amigos, Barbara Delinsky demonstra, mais uma vez, sua habilidade de explorar aquilo que existe de mais delicado nas relações interpessoais: a confiança.

A narrativa acompanha duas famílias inseparáveis, os Maxwells e os Popes, cuja amizade parece inabalável. Compartilham festas, férias, segredos e uma convivência construída ao longo dos anos. Aos olhos de todos, representam o retrato da amizade perfeita.

Mas Delinsky deixa claro, desde cedo, que nenhuma relação é tão sólida quanto parece.

O ponto de ruptura acontece quando Michael Maxwell, um garoto de apenas 13 anos, presencia um segredo devastador envolvendo os adultos. Confuso, assustado e incapaz de compreender a dimensão do que acabou de descobrir, ele foge desesperadamente e acaba sendo atropelado. O acidente o deixa em coma, desencadeando uma sucessão de acontecimentos que desmonta, pouco a pouco, tudo aquilo que as duas famílias acreditavam conhecer sobre si mesmas.

A partir desse momento, o romance deixa de ser apenas uma história sobre um acidente e transforma-se em uma investigação emocional sobre culpa, responsabilidade, traição, perdão e as consequências silenciosas das escolhas que fazemos.

Um dos maiores méritos de Barbara Delinsky está justamente na construção psicológica de seus personagens. Não existem vilões absolutos nem heróis perfeitos. Todos carregam fragilidades, erros e justificativas plausíveis. O leitor é constantemente levado a mudar de opinião sobre cada personagem, compreendendo que a verdade raramente é simples quando se trata dos sentimentos humanos.

Essa profundidade emocional é acompanhada por uma narrativa envolvente, construída em ritmo constante. Cada capítulo acrescenta uma nova camada ao enredo, revelando segredos no momento certo e mantendo viva a curiosidade do leitor. Delinsky domina a arte do suspense emocional: não depende de grandes reviravoltas espetaculares, mas de revelações cuidadosamente dosadas que tornam praticamente impossível abandonar a leitura.

Outro aspecto admirável é a forma como a autora trata temas delicados sem cair em julgamentos fáceis. Adultério, culpa, maternidade, amizade, adolescência e perdão aparecem sob diferentes perspectivas, convidando o leitor a refletir sobre a complexidade das relações humanas e sobre como um único instante pode modificar o destino de diversas pessoas.

A escrita de Barbara Delinsky permanece acessível e extremamente elegante. Seus diálogos soam naturais, os conflitos emocionam pela autenticidade e os cenários funcionam como pano de fundo para aquilo que realmente importa: as pessoas. É justamente essa combinação de sensibilidade e observação psicológica que faz da autora uma referência entre os grandes nomes da literatura feminina contemporânea.

Mais que Amigos não é apenas um romance sobre uma amizade colocada à prova. É uma obra sobre as consequências dos segredos, sobre a fragilidade da confiança e sobre a difícil reconstrução dos laços quando tudo parece perdido. Trata-se de um livro que emociona, surpreende e permanece na memória muito depois da última página.

Barbara Delinsky entrega uma narrativa madura, inteligente e profundamente comovente, lembrando ao leitor que as maiores tragédias nem sempre acontecem por falta de amor, mas, muitas vezes, pela incapacidade das pessoas de dizerem a verdade.

Mais que Amigos é leitura obrigatória para quem aprecia romances psicológicos, dramas familiares e histórias que exploram, com delicadeza e intensidade, a complexidade da alma humana. É um daqueles livros que emocionam sem recorrer ao sentimentalismo fácil e reafirmam Barbara Delinsky como uma das grandes cronistas dos sentimentos contemporâneos.
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terça-feira, 19 de novembro de 2024

Brasil perdeu cerca de 7 milhões de leitores nos últimos cinco anos


A pesquisa intitulada Retratos da Leitura no Brasil, conduzida pelo Ipec e divulgada pelo Instituto Pró-Livro, revelou dados preocupantes sobre os hábitos de leitura no país. Entre os 5.504 entrevistados, 53% afirmaram não ter lido nenhum livro nos três meses que antecederam a pesquisa, realizada entre 30 de abril e 31 de julho.

Nos últimos cinco anos, o Brasil perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores, totalizando mais de 11 milhões desde 2015. A média de livros lidos por pessoa também apresentou uma queda significativa, passando de 2,6 para apenas 2 títulos. Este número representa a menor média anual registrada na série histórica, com cada brasileiro lendo, em média, apenas quatro livros por ano. Essa diminuição na leitura é um fenômeno que afeta diversas faixas etárias, mas é mais acentuada entre os adultos de 30 a 39 anos.

Entre os jovens, a situação é um pouco mais estável. A faixa etária de 11 a 13 anos manteve-se com 81% de leitores, enquanto o grupo acima de 70 anos viu um aumento no número de leitores, subindo de 26% para 32%. No entanto, a leitura tende a diminuir com o avanço da idade, com 62% dos adolescentes de 14 a 17 anos e 53% dos jovens de 18 a 24 anos ainda se dedicando à leitura.

A pesquisa também identificou a falta de tempo como o principal obstáculo para a leitura, sendo mencionada por 46% dos participantes. Além disso, a proporção de mulheres que leem caiu de 54% para 49%, enquanto a de homens passou de 50% para 44%.

Em termos regionais, a Região Sul se destaca como a que mais lê, enquanto a Região Nordeste apresenta os índices mais baixos, com exceções notáveis em estados como Pernambuco e Ceará. A queda na leitura foi observada em todas as regiões do Brasil, sendo mais pronunciada na Região Norte, onde a redução foi de 15%.
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quarta-feira, 17 de abril de 2024

3 livros nacionais para o amadurecimento emocional e intelectual das crianças


As histórias infantis são fundamentais não apenas para estimular a criatividade, senso crítico e dar autonomia aos pequenos, mas também, ajudam crianças a compreenderem a sociedade em que estão inseridas. Por exemplo, as obras que apresentam o poder da amizade ensinam a importância da empatia, lealdade e gentileza.

Já narrativas que exploram tristeza e melancolia, auxiliam no desenvolvimento social e emocional. Há também tramas que estimulam o imaginário dos pequenos leitores, principalmente aquelas que celebram a liberdade de expressão e autonomia na infância.

Pensando nisso, para celebrar o Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado em 18 de abril, separamos três obras escritas e ilustradas por brasileiros, repletas de aprendizados e aventuras divertidas. Cada narrativa escolhida abaixo, ajudará a criançada nesta jornada pessoal de amadurecimento afetivo e intelectual. Confira!

Solução do peixe-boi


Uma história de superação e amizade! Nesta obra as escritoras Mari Bigio e Joana Lira, apresentam um peixe-boi que enfrenta um soluço que parece não ter fim. Sem perder a esperança, o animal conta com a ajuda dos amigos da floresta: garça, cobra-d'água, paca, jacaré, tainha, sapo e até um ratinho, que tentam encontrar um jeito de salvá-lo. Além disso, a obra ajuda a enriquecer o vocabulário com glossário de 21 novas palavras, que aparecem destacadas no texto.

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As estações dentro de mim


Um presente comovente e afetuoso sobre o poder transformador da amizade! Em As estações dentro de mim, a autora Bianca Pozzi ensina os pequenos leitores a lidarem com a tristeza e a melancolia. Na trama, uma garota começa o seu dia se sentindo triste e sozinha até que encontra um cãozinho precisando de ajuda: de repente, sua vida ganha novos significados. Este livro infantil, a proporciona momentos de desenvolvimento social e emocional das crianças.

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A lua caiu


Escrito e ilustrado por Irena Freitas, uma das autoras de destaque da literatura infantil contemporânea, A lua caiu é uma história sobre amizades improváveis, confiança, emoções e como lidar com a frustração de forma divertida. Nesta obra, as crianças acompanham a saga de uma menina tão pequena quanto a perna da Dona Aranha. Todas as noites ela trabalha em sua horta, mas, certo dia, a lua cai e destrói tudo que a garota havia cultivado. Agora ela terá que lidar com contratempos e aprender o significado das amizades inesperadas.

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quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Livraria Saraiva fecha todas as lojas físicas e demite funcionários


A livraria Saraiva demitiu nesta quarta-feira, 20 de setembro, todos os funcionários das 5 lojas físicas que ainda estavam abertas e informou que continuará as vendas só pelo e-commerce. As informações são do jornal O Globo. 

 A empresa não divulgou quantos funcionários estão sendo demitidos, tampouco falou sobre como ficará o pagamento dos direitos trabalhistas. Das lojas fechadas, 4 estão localizadas em São Paulo e uma em Campo Grande (MS).

A Saraiva tem uma assembleia marcada para 6ª feira, 22 de setembro. Segundo o PublishNews, site especializado em mercado editorial, a rede estuda mudar as ações preferenciais em ações ordinárias, o que faria com que o controle da empresa, hoje com a família Saraiva, fosse transferido para os acionistas, entre eles, algumas editoras.

Em novembro de 2018, a Saraiva pediu recuperação judicial por não conseguir pagar R$ 674 milhões aos fornecedores parceiros. Depois de fracassar na tentativa de um acordo extrajudicial, a empresa decidiu solicitar a recuperação judicial.
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