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sábado, 10 de julho de 2010

Os irritantes diálogos vazios e o meio ambiente

Antes que me chamem de capitalista, reacionária ou mercenária, vamos deixar bem claro que o ponto aqui não é defender este ou aquele lado. O ponto é sim mostrar como as pessoas manipuladoras, são ao mesmo tempo mascaradas e transparentes.
Então vamos lá.
Não sei se você leitor já ouviu falar sobre a construção de um novo porto na cidade de Ilhéus, Bahia. Pois bem, o novo porto, que recebeu o nome de Porto Sul, servirá para escoar a produção de minério extraído pela empresa Bahia Mineração.
Projeto elaborado, EIA – RIMA concluído e apresentado, e nem um tijolo foi colocado.
Além da burocracia e dos cuidados que cercam uma obra deste porte, existem ainda outros entraves.
O principal diz respeito a uma corrente de “ambientalistas” contrária à construção.
Bom, bom, bom.
Era aqui que eu queria chegar.
Sempre assisto debates, compareço a reuniões e audiências em que tais oponentes se manifestam. E sempre acabo profundamente irritada quando escuto os argumentos explicitados por eles quando se posicionam contra o Porto Sul.
E vamos agora por os pingos nos Is.
Por que são contra o Porto Sul?
Porque vai degradar o meio ambiente, destruir a mata atlântica, violentar a APA, extinguir animais...
Tudo isso é verdade.
Antes de continuarmos quero esclarecer umas coisinhas sobre Ilhéus.
Ilhéus tornou-se mundialmente conhecida por ser a maior produtora de cacau, o verdadeiro El Dourado do “fruto de ouro”. Em 1920, Ilhéus fervilhava de pessoas, de dinheiro, de luxo e riqueza. Havia cabarés, clubes noturnos, cassinos. A cidade era movimentada e é esta época narrada por Jorge Amado em seus romances. Uma época de muito dinheiro e de muito luxo. O grande fluxo financeiro originado pela produção e exportação de cacau deu origem a peculiaridades no desenvolvimento da Região da Costa do Cacau, região geoestratégica da Bahia. A cidade chegou a ser a maior arrecadadora de ICMS do estado da Bahia.
Graças à monocultura do cacau, a região esbanjou riqueza por muitas décadas.
Porém, no final dos anos 80, os agricultores do setor, que já enfrentavam a queda dos preços internacionais do cacau, se depararam com um novo inimigo: a praga da vassoura-de-bruxa. Causada por um fungo, esta praga arrasou boa parte das plantações locais - concentradas no sul do estado, incluindo aí a cidade de Ilhéus. A praga tirou do Brasil o título de maior produtor de cacau do mundo. O país figura atualmente entre a quarta e a quinta posição. A crise foi tão séria que a produção do estado, que se aproximou das 400 mil toneladas em meados dos anos 80, caiu para cerca de 123 mil toneladas entre 1999 e 2000. Na safra de 2005/2006, a produção foi de aproximadamente 172 mil toneladas. Desemprego, pobreza, êxodo rural, favelização, aumento da violência. Isso era só o começo.
Foram décadas assistindo à vassoura-de-bruxa contagiar as lavouras, ao ritmo do sobe e desce das cotações internacionais. Famílias empobreceram e produtores se desesperaram com o rápido avanço da doença. Uma verdadeira catástrofe!
Agora vamos lá.
Quem divulga o Projeto Porto Sul, tenta transmitir a noção de quantos empregos serão gerados, de como pode proporcionar crescimento econômico à cidade, região e estado. Coisas que fazem brilhar os olhos de quem passa fome e engrossa a fila dos desempregados.
Em contrapartida, como os tais “ambientalistas” (depois explico estas aspas) pretendem mostrar alternativas para o desenvolvimento econômico?
Resposta:
-Turismo
-Pesca
-Artesanato
Agora vem cá, depois de mais de 20 anos da crise do cacau, o que foi que o turismo fez por Ilhéus?
N-A-D-A
Sabe por quê?
Porque o turismo é sazonal, só restrito ao verão e às férias.
Como uma cidade pode viver disso?
Ah, temos um maravilhoso Centro de Convenções, verdade!
Mas que realiza mais eventos evangélicos do que outra coisa. Nada contra os evangélicos, mas sim contra a falta de diversidade de eventos.
Ah temos um Teatro Municipal histórico, lindo, verdade!
Mas apenas artistas locais e regionais se apresentam. Uma vez ou outra é que tem algo diferente. Outra vez esclareço: nada contra os artistas locais e sim contra a falta de apoio e patrocínio às iniciativas artísticas em nossa região.
Ah, mas tem a Casa de Jorge Amado, o Vesúvio e o Bataclan, verdade!
Mas em duas horas se vê tudo isso, nos mínimos detalhes.
Bom, então tem as praias. Ilhéus tem praias maravilhosas.
Mas você sabia que o Brasil tem mais de 9 mil km de litoral?
Então não vejo tanta vantagem nisso.
E o que o turista faz à noite? Essa é a verdadeira pergunta que não quer calar.
Ou ele vai dormir ou resta apenas umas poucas pizzarias, sorveterias, um Bob´s, um cinema ou 1 casa noturna: Mar Aberto.
Eu sinceramente fico penalizada com a falta de opção de atividade noturna, principalmente para a juventude. Sem poder escolher muito, acabam restritos ao trio Cinema-Praçinha-Mar Aberto.
Além disso, tem outros fatores. O maior deles é justamente o emprego.
Muitos hoteleiros, donos de restaurantes e cabanas de praia, contratam gente só na temporada. Acabou o verão, acabou o emprego!
Depois disso tudo, não sei como o turismo pode ser uma alternativa viável, capaz de sustentar economicamente uma cidade com mais de 200 mil habitantes.
Agora tem a pesca.
Lá os pescadores são organizados em colônias, já até elegeram vereador.
Existem investimentos federais e estaduais no setor, mas isso também não isenta esse tipo de atividade econômica de possíveis impactos ambientais, em especial a pesca predatória.
Ah, ainda tem o artesanato. Nem vou falar muito disso, pois qualquer pessoa sabe que nesta área quem ganha é o atravessador. O produtor sempre é explorado ao extremo.
Tudo esclarecido fica a questão: Então como o ilheense sobrevive?
Sobrevive de teimoso. De trabalhador e batalhador que é.
O caminho não é preservar o meio ambiente e matar as criançinhas de fome.
Gente, acorda, existe uma coisa chamada S-U-S-T-E-N-T-A-B-I-L-I-D-A-D-E.
Sim, preservar e utilizar.
Você acha que um agricultor que vivia do cacau e agora não tem nada, vai preservar a mata?
Claro que não!
O cacau preservou a mata porque é um tipo de planta que precisava de sombra para se desenvolver.
Sim, ele, o agricultor, avançou sobre a mata para manter sua família.
É aí que são derrubados os Jequitibás centenários, os restinhos de madeira nobre e de Mata Atlântica.
Sim, porque entre a nobreza da madeira e a barriga vazia, o estômago é quem ronca mais alto.
A história e o bioma se transformam em feijão com arroz.
Ah, mas tem o IBAMA fiscalizando.
O IBAMA coitado é outro que precisa de investimento. Falta material, falta veículo e principalmente, falta gente!
Será que ninguém lá em Brasília olha pelo pobre IBAMA?
Súplicas à parte, voltemos ao nosso colóquio.
E agora o crucial: As aspas!
Falei que ia explicar e vou.
Tenho muito respeito por quem defende a natureza, mas quem defende e vive essa defesa.
Explico.
Se eu defendo a natureza, eu:
• Reciclo meu lixo;
• Me preocupo com a emissão de gás carbônico do meu automóvel;
• Uso lâmpadas econômicas;
• Imprimo os documentos usando os dois lados do papel, sempre utilizando papel reciclado;
• Prefiro ir a pé ou de bicicleta em todos os percursos possíveis;
• Cultivo plantas;
• Tomo menos leite e como menos carne vermelha (sim porque o rebanho bovino também é responsável por uma expressiva emissão de gases que provocam o efeito estufa);
• Uso absorventes internos (eles são feitos de algodão, portanto se degradam com maior facilidade, ao contrário dos antigos Modess);
• Não como nenhum tipo de animal silvestre (Tatu, Paca, Tartaruga...);
• Uso sacola retornáveis (Eco Bags) em supermercados, feiras...
• Não jogo lixo na rua, praia ou rios;
• Não jogo óleo de cozinha pelo ralo da pia;
• Ensino as crianças a importância de tudo isso, fazendo com que estas atitudes se integrem em suas vidas, como algo rotineiro e simples.
E assim, ao invés de deixarmos um mundo melhor para os nossos filhos, deixaremos filhos melhores para o mundo.
Pratico tudo isso que escrevi e ainda assim estou longe de me considerar ambientalista.
Então ficam as duas últimas perguntas desse texto:

Será que todas as pessoas que se auto-intitulam defensoras do meio ambiente fazem realmente coisas desse tipo?

Ou será que por trás do rótulo ambientalista se escondem vis interesses puramente capitalistas?



"O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de dominarem a si mesmos."

Albert Schweitzer - teólogo, músico, filósofo e médico alsaciano



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terça-feira, 13 de novembro de 2007

No Alvo

Rompendo com as barreiras superficiais dos relacionamentos

Viver com os outros nem sempre é coisa fácil. Mais difícil, ainda, é trabalhar com pessoas estranhas e complicadas, em contato quase diário, sobretudo quando não estamos preparados para isto. Uma das estratégias é conhecer a si mesmo. Mas o que fazer quando temos em nossa equipe um colega de trabalho que implica com tudo, tem problemas de comunicação interpessoal e precisa dividir conosco a execução de alguma atividade?

Partindo da premissa levantada neste espaço de discussão, tento responder ao pressuposto direcionando a discussão para penetrarmos campos mais férteis e profundos. Conhecer o sintoma não significa conhecer a causa, mas este pode ser um direcionador. Ter uma pessoa com a discrição acima, pode não ser de todos os males, uma vez que, este, não passa despercebido e tão pouco, não se desconhece suas características pessoais.

Conhecer sua realidade, não pode está limitado a ver simplesmente os seus defeitos. Pois como a própria palavra diz “limite”, que aqui, deve ser entendida como simplísmo, superficialidade; fragilizaria toda um diagnóstico. Temos que ter em mente a visão holística social também, para e nas relações interpessoais. Como lidadores de conflitos, gestores de políticas sociais, cientistas sociais; gestar conflitos e /ou em conflito deve nos ser peculiar e, talvez por esse motivo, vejo que a melhor forma de lidarmos com adversários é conhecê-los com mais profundidade, nos aproximando deles, ouvindo-os mais que falando, descobrindo suas fragilidades e seus virtudes, tentando a partir daí superar ou pelo menos, relacionarmos-nos sem maiores conflitos.

Aja visto que, como afirmamos no início, “conhecer o sintoma não significa conhecer a causa, mas esta pode ser um direcionador”. Através desse olhar, aqui superamos o sintoma. Buscamos agora penetramos na ‘causa’ e esta, aqui entendida, como ‘raiz’. Aqui já estaremos preparados para intervir junto a este sujeito pois, que já rompemos, com a fragilidade e a superficialidade de julgarmos suas atitudes; conhecemos com maior penetração sua personalidade e assim, rompemos com as barreiras superficiais do relacionamento.

Ser Assistente Social, no meu entendimento, é ter e ser maduro conhecedor de si mesmo. Como Sócrates há muitos anos antes disse: “(...) conheça a ti mesmo”. E assim sendo, seremos planejadores, investigares inquietos e vorazes conhecedores de homens e como conhecedores de homens transitaremos nos territórios das discordâncias, críticas, elogios com a segurança precisa e necessária para gestar na solução do objetivo comum. Rompidos com a superficialidade dos nossos julgamentos emocionais com relação ao outro. Sabedores que na complexa relação interpessoal, deve ser você, dentro da equipe, o capaz de conduzir uma convivência harmônica e objetivada paro o bem comum, que supera adversidades nas relações, nos programas e projetos que lhe forem apresentados. Mas claro! Isso só acontece para quem está aberto para o dialogar, investigar, ouvindo impostado na habilidade de mediar seja ao nível da infra-estrutura ou da superestrutura.

Por esta via partimos do singular ao universal, sendo objeto proposta, superação da superficialidade de se relacionar com esse individuo “chata”. Conduzindo e canalizando a sua potencialidade a serviço da equipe. Permeando a relação para que este se conheça e se perceba com intervenções seguras, indagações e discordâncias na perspectiva do diálogo, na inteligência emocional, deixando sempre claro os interesses e a importância da equipe quanto às mudanças necessárias e bom relacionamento.





Um Presente da Vida


Quantas coisas boas acontecem em nossas vidas.

Quantas emoções...

São tantas, que pedir para você enumerá-las e datá-las, torna-se humanamente impossível. Pode até se lembrar de algumas que de tão importantes tornaram-se inesquecíveis: aniversário do filho ou filha; o dia em conheceu o seu grande amor; o dia em que nasceu (mesmo que em determinada época da vida não gostemos mais de lembrar...ahahah). Talvez fossemos capazes de recordar dos problemas que por ventura nos deparamos na longa caminhada da vida.

Quantos de nós nos esquecemos de todas as conquistas e batalhas vencidas.

Tantos de nos deixamos de nos lembrar porque já não são prioridades.

Talvez para você, neste exato momento, o mais importante fosse resolver uma mera dor de cabeça ou quem sabe, encontrar o número do telefone de uma pessoa com quem quer falar o mais depressa possível.

Ai de nós se pudéssemos registrar na consciência, para jamais cairmos no esquecimento de nós mesmos, todos os fatos de nossa vida. Já imaginou?...

Quem sabe, dessa maneira, fossemos melhores?

Quem sabe não lamentássemos tanto nossa curta e veloz trajetória?

Quem sabe?...

O que espero aconteça de agora em diante é que você não fique lamentando-se dos fatos, enquanto o seu presente passa sem que você segura as rédeas dos acontecimentos, com o prazer de poder estar vivo e podendo viver "apesar de"...

Não que você ou eu, não tenhamos o direito e quem sabe, até o dever como seres humanos, de queixar-se e chatear-se de situações problemas.

Só peço que pare para pensar antes nas benesses que a vida lhe proporcionou, inclusive os obstáculos capaz de superar. Pois assim, fica bem mais fácil viver. Do contrário mais dolorido se tornará o problema e menos doce a vida.

Então conseguiu lembrar-se de todos os acontecimentos em sua vida?

Se conseguiu, descobriu as datas?

É humanamente impossível.

Assim sendo, porque continuarmos encarando a vida por tal prisma?

Está mais do que hora de mudarmos a maneira de ver a vida.

Pense nisso e reavalie sua maneira de encarar os fatos que se apresentam na sua trajetória.






Reflexão sobre os monólogos travestidos de diálogos...

Refletir nunca, em nenhum outro tempo, foi tão difícil. Digo isso, por não sabermos mais reconhecer quem são os mocinhos, nem quem são os bandidos. São tantos os lobos em forma de cordeiros que já ficamos meios perdidos diante deles.

Nunca pensei que possibilitar novos modelos e espaços de acesso para aprendizagem pudesse motivar tanto medo, ameaça e pânico, principalmente em determinada categoria profissional. Realmente, o que vem ocorrendo é de causar espanto! Considero isso devido à maneira com que vem sendo alimentada, já que nasce de forma isolada e sem fundamentação.

O que não nos impede de sentirmos indignação e ficarmos com certo grau de preocupação já que, nós não podemos saber ao certo se a preocupação destes profissionais é com a educação e a profissão ou, se é com a garantia de seus lugares no mercado de trabalho. Bem, quero poder acreditar que sejam as duas primeiras possibilidades. Mas se for realmente isso, estes deveriam estar discriminando e boicotando o aprendizado, estágio curricular, de futuros profissionais? Pois é o que nos parece e vem acontecendo aqui no nosso país! Dá para acreditar?

Não quero entrar no mérito da qualidade do ensino, se boa ou ruim. Não só por não ser, realmente a pessoa mais indicada, mas porque já possuímos os órgãos e instituições superiores de ensino com seus mestres, doutores e PHDs para discutir a educação em seus métodos, modelos e qualidade. O que não nos impede de questioná-los, mas não é essa a celeuma em questão.

Sabemos que em cada um de nós existe um crítico. E, com um olhar crítico a tudo, este grita loucamente dentro de nós para apontar esse ou aquele defeito, mesmo que, muitas vezes, sem a competência para tal. Tudo devido à falta de profundidade, essa superficialidade para com o todo do objeto criticado. Esta atitude parece ser mais um ato instintivo do que uma ação racional.

A crítica, sempre será bem vinda, mesmo porque, sem ela, não conseguimos ser quem somos, seres pensantes. Porém, esse olhar crítico não pode e não deve vir envenenado pelo preconceito, cheio de si em si. Talvez possa ser esse, “o olhar crítico” que vêm nos lançando os profissionais de Serviço Social. Aqui não ouso afirmar, por não ser eu o dono da verdade. Mas como sofro desse “olhar crítico”, percebo e sei que ele carece de justiça. Criticar a educação é necessário sim. Exigir mais investimento e melhor qualidade faz parte desse processo sócio-histórico. Mas isso de desqualificar todos os alunos, graduados, Mestres, Doutores e PHDs que estão sendo ensinados, foram ensinados e/ou ensinam em redes de educação EAD, não nós parece sensato. Se assim o fosse, todos seríamos “Farinha do mesmo Saco”, digo do mesmo sistema de educação. Tanto quem crítica, como parecendo que dele não fazendo parte, quanto quem é criticado. Uma vez que todos somos frutos do mesmo ensino tradicional presencial.

Para melhorar a educação e/ou modelos de ensino é necessário mais do que críticas superficiais. É necessária reflexão, discussão e investimento. Não são posturas infantis, preconceituosas e de boicotes contra a formação de alunos ou contra a atuação de profissionais do Serviço Social (os poucos que contribuem com a formação dos alunos EAD) que entenderam não ser esse o caminho.

O que se espera dessa categoria profissional, Assistente Social, é, no mínimo, sensatez e compromisso com a formação desses futuros profissionais. Ignorando-os, discriminando-os, não os permitindo estagiar, não se trará crescimento algum para a educação, muito menos, para a profissão. Essa atitude, não irá fazer a educação ser melhorada se preciso for, caso seja essa realmente a preocupação dessa categoria profissional. Tentar impedir esses estudantes de aprenderem e apreenderem nos campos de estágios, sob os seus olhares e orientações, não é lucidez.

Não está aberto para permitir novos processos de educação é retrocesso e descompromisso com a profissão e é, antes de tudo, faltar com o respeito aos valos democráticos. A palavra “Democracia” nós soa como o direito de ter direito, de defender direitos e vê-los respeitados. Negar a possibilidade ao novo, é romper com o estado democrático de direito e os valores éticos da profissão. Enfim, é desconstrução não nos permitirmos discutir - respeitando o outro e despidos de armaduras - o preconceito contra os estudantes EAD.

Fica mais uma reflexão para todos nós: Quer façamos parte desse sistema de educação Presencial ou Semi Presencial - EAD, não se pode condenar ou discriminar quem deles fazem parte. Se estudantes EAD vieram do ensino tradicional, se estudantes presenciais permanecem no modelo tradicional. A discussão não deve estar na forma do ensino, mas no direito e na qualidade. Tanto uma como a outra tem necessidade de melhorar. Não é o estudante de modalidade à distância e tão pouco o ensino EAD o “X” da questão. É o direito dos estudantes, quer EAD, quer presenciais, de poderem estudar sem serem discriminados e nem prejudicados por qualquer que seja o “discurso”. Principalmente se de um julgamento vazio de profissionais que se argúem do direito de negar direitos, para quererem ter direito. A Educação EAD é tão boa ou tão ruim quanto a Educação Presencial. Mas é necessário que elas existam e coexistam, porque faz parte do processo, procurar sempre melhorias. Que o digam todas as ciências em seus processos evolutivos.

Percebemos que o problema não está em um ou outro método de ensino, está no olhar de quem os vêm e os negam. Independentemente de ser essa ou aquela modalidade de ensino, vão sempre existir problemas. Mas ao que parece, o problema aqui não é a educação. São os profissionais assistentes sociais que não aceitam os estudantes de Serviço Social EAD. Criticar a educação é necessário, aqui reafirmado. Mas discriminar estudantes não me parece o caminho para se melhorar a educação.

Plagiando Cazuza, “Que já vem malhada antes de eu nascer...”

O que tem me incomodado quanto cidadão de direito, não é quando se questiona a melhoria da qualidade do ensino seja EAD ou Presencial, mas, a forma insana, vergonhosa e covarde do que vêm ocorrendo contra os estudantes desta modalidade de ensino EAD, particularmente, contra os estudantes de Assistência Social.

Justamente estes profissionais que deveriam estar construindo pontes para combater qualquer forma de discriminação. Mas, até mesmo, a atitude desses profissionais, nos ensina o que não podemos e não devemos ser quando formarmo-nos, seja qual for a profissão, no caso, Assistência Social.

Não bastasse a discriminação, que a categoria de assistentes sociais impõem aos estudantes EAD, ainda continuam boicotando estes, não os aceitando como estagiários. E com ardis perversos, lançam críticas aos próprios colegas de profissão, os poucos, que tentam contribuir com a formação dos alunos EAD. Realmente eles envergonham a profissão, julgando defendê-la em nome de algo que nos parece não ser a qualidade da educação. O que nos envergonha e nos enoja quantos futuros profissionais de Assistência Social. Esta violência contra o saber nos faz acreditar ainda mais na verdade de que, a verdade imposta, não é verdade.

Talvez por isso, nunca concordei que monólogos autocráticos fossem construídos como sendo sinônimo de diálogos. Pensar em dialogar é ao mesmo tempo, pensar em se permitir ouvir e falar, em trocar idéias e razões, sem ter ou ser dono da própria razão. Se assim o fosse poderia ser tudo, menos um diálogo.

Quando não nos permitimos o diálogo, começamos a nos entrincheirar nos discursos déspotas, travestidos em razões, de direitos e de qualidades. Esses monologuistas são os mesmos que outrora faziam uso dos “diálogos monólogos” para se passarem por ovelhas mesmo sendo lobos, nas suas maquiavélicas intenções, para usurparem o poder e do poder, golpistas ambiciosos, vis e gananciosos.

Diálogo não se constrói unilateralmente, nem em suas razões preestabelecidas em preconceitos velados em “discursos” cheios de si. Assustamo-nos muito quando pensamos, vivendo em pleno estado democrático de direito, ouvimos e não somente isso. Presenciamos e ao mesmo tempo sofremos esses “diálogos monólogos”, preenchidos de “razões”, essas desequilibradas e infundadas como sendo, a própria verdade. Que nos diga a idade das trevas, e, mais recentemente, a ditadura militar. Mas que bom que tivemos o “Renascimento” e a “Redemocratização”, que surgem para mudar a ordem social estabelecida e fazer um novo pensar e discutir em sociedade. Reorganizando-a para possibilidades de mudanças, em diálogos outros, que não os velhos “diálogos monólogos” de donos e senhores do poder e no poder. Poder esse que não servia se não para os seus próprios propósitos e intentos.

Pensar o diálogo nos faz refletir...

Não, como donos da verdade, pois que esta é livre, senhora em si, não tendo senhor nem senhora que a domine. Aqui talvez, esteja uma ponta desse novelo: defender o diálogo (direito) não se legitima com o monólogo (preconceito). Defender o diálogo só funciona com a permissividade de falar e de ouvir sem, contudo esteja-se senhor da verdade. Se não, a “verdade”, não passa de uma grandessíssima mentira de interesse mesquinho. O que a história tem nos revelado quando observada criticamente e liberta de preconceito.

Deixemos esses lobos travestidos de ovelhas em suas “razões vãs”, em seus “diálogos monólogos” déspotas, pensando estarem passando-se por atentos e preocupados defensores da “educação de qualidade” (verdade), da defesa por profissionais de excelência, por legitimadores da educação profissional. Acreditamos que como um todo, tudo em sociedade não é perene, salvo os valores universais da dignidade da pessoa humana, esses a ferro e fogo conquistados. Mas se a sociedade é por natureza dinâmica por que não se pensar em construímos um diálogo aberto ao novo, a novos saberes, despidos de “diálogos monólogos?” Algo que não seja interesseiro e desprovido de fundamento, sem propósitos vis.

Acredito que possam estar se perguntando neste momento, o propósito de toda essa dissertação. Sim, tem realmente um grande propósito: primeiro explicitar essa tolice toda que vêm nos imprimindo, os assistentes sociais e, segundo, mais importante, fazer através desse texto que você, eu e todos nós, atentemos para esses “diálogos monólogos” travestidos de “verdades”, que nos são apresentados seja na política (autocracia), seja na economia (neoliberalismo), seja na educação (modelos e qualidade) ou em qualquer área de nossas vidas. Já está mais do que na hora de olharmo-los com visões e ouvidos atentos e aguçados, como críticos atores nestes cenários “Shakespeareanos” onde nos dão papeis de figurantes ou de peças mortas nas cenas que se desenrolam...

Convido-os a um diálogo sem a pretensa intenção de induzi-los ou a massificá-los com uma “razão”, mas como desejo que conheçam e fujam da superficialidade das “razões impostas” como sendo estas, esgotadas em si próprias. “Monólogos” como sendo verdades ou a própria e única verdade. Se assim o texto fizer ou provocar em nós, deixamos de ser “figurantes” e também vocês, “monologuistas”. Teremos a possibilidade de nos permitir passarmos a ser “Atores” de diálogos. Estes, desarmados de preconceitos, e não mais cheios nem donos de uma própria verdade mais da construção dela. Assim este texto já vai está cumprindo seu intento.

Não defendemos a idéia de certo ou de errado, mas defendemos o direito que todos têm ao conhecimento. Não acreditamos em “razões impostas” nem em “diálogos monólogos”. Acreditamos na possibilidade das idéias que busquem dela, verdades, universalizado, mas não a esgotado. Negar a possibilidade de novas formas de aprender e apreender é negar o direito de se ter direitos, de defender direito e de respeitar direitos. A ideia de que a sociedade como sendo estática e que a educação também o é e, está esgotada em si. Entendemos que precisamos ser construtores de pontes com duas finalidades: unir para os pólos e avançar, crescer, melhorar...

Nunca pensei que uma ponte fosse construída se não para um fim (finalidade) que não, estas. Somente por este meio romper-se-á com os “monólogos” travestidos de diálogos.


Sérgio Rogério é especialista na área de Segurança Pública e Terceiro Setor, profissional de Serviço Social e diretor da Ong Rede Mundo Melhor.



Agora está aqui conosco

no Ideias de Barbara!



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