Mostrando postagens com marcador ciganos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ciganos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

81 anos da libertação de Auschwitz-Birkenau, o maior campo de concentração da II Guerra


Hoje o mundo celebra os 81 anos da libertação de Auschwitz-Birkenau, o maior campo de concentração da II Guerra. 81 anos daquele dia 27 de janeiro de 1945. E justamente por isso é preciso lembrar de uma verdade dura e pouco contada: para milhares de Roma (ciganos), a liberdade nunca chegou.

Em 1944, quase 3 mil mulheres, homens e crianças Roma foram assassinados em um único dia dentro do campo. Eles morreram antes da libertação, sem resgate, sem despedida, sem justiça. E, depois disso, foram também apagados da memória coletiva.

Durante o Holocausto, mais de um quarto do povo Roma da Europa foi exterminado. Ainda assim, essa história foi ignorada por décadas, ficando fora dos livros, das escolas e das homenagens oficiais. A violência não terminou com a morte: continuou no esquecimento.


Lembrar não é um gesto simbólico. É um alerta.
O ódio contra o povo Roma não ficou no passado. Ele ainda aparece hoje na forma de discriminação, desumanização e perseguição, os mesmos sinais que um dia abriram caminho para o genocídio.

Quando minha avó visitou Auschwitz, no meio dos anos 80, eu tinha 10 anos. Lembro bem do que ela me disse ao voltar: “Lá é um lugar de dor, um lugar de sofrimento, que oprime o nosso coração, que sufoca. É um lugar que todos nós devemos ir, porque não podemos esquecer o que aconteceu.”

Neste Dia da Memória do Holocausto, lembrar precisa significar ação:
* Reconhecer o Genocídio Roma como parte da história do Holocausto
* Incluir essa memória na educação
* Enfrentar o anticiganismo
* Defender a dignidade e os direitos do povo Roma, agora.

“Nunca mais” só tem sentido se for compromisso.

Roma/ciganos: suas vozes importam. Contem suas histórias, deixem sua mensagem.

Quem não é Roma, aproveite para escutar e aprender sobre esse terrível acontecimento histórico.

Interaja, comente e ajude a manter viva uma memória que tentaram apagar.
LEIA MAIS

sábado, 2 de agosto de 2025

Samudaripen: a dolorosa lembrança do holocausto Romani

Hoje, 02 de agosto: Dia em Memória ao Holocausto Cigano/Romani, o mundo para para lembrar uma dor que ainda ecoa entre os ciganos. Uma data marcada pelo luto, mas também pela resistência e pela força de um povo e uma cultura que, apesar de perseguida, jamais foi apagada.

Na noite de 2 de agosto de 1944, mais de 4 mil Roma/Sinti — principalmente mulheres, idosos e crianças — foram assassinados nas câmaras de gás do campo de Auschwitz-Birkenau. Esse massacre é conhecido como Samudaripen (“o assassinato de todos”), termo que tenta dar conta da brutalidade do genocídio que vitimou entre 250 e 500 mil roma/sinti na Europa durante o regime nazista.

Eles foram mortos por sua identidade, sua cultura, sua ancestralidade. Morreram de fome, doenças, em câmaras de gás, por fuzilamento, em experimentos médicos e trabalhos forçados. Mas também resistiram. Lutaram até o fim, com orgulho de sua origem, mesmo diante do terror.

Essa lembrança não é apenas histórica — ela é urgente. É um lembrete do que o ódio e o racismo podem fazer quando encontram silêncio e conivência.


Em 2015, o Parlamento Europeu oficializou a data como o Dia Europeu em Memória do Holocausto dos Sinti e Roma, reforçando a importância de manter viva a memória das vítimas — para que a história nunca mais se repita.

Honrar a memória é também lutar hoje contra o preconceito, a invisibilização, a esteriotipação, a apropriação cultural e o racism0 estrutural que ainda ameaçam ciganos em todo o mundo. Hoje, honro a memória dos meus ancestrais, com todo orgulho q tenho do sangue q corre em minhas veias.

Que o mundo jamais esqueça e que nós sempre estejamos alertas e prontos para lembrar a todos o tamanho das atrocidades que o homem é capaz de cometer. Não esqueceremos!

📷 Fotos: Acervo digital e Museu da Memória do Holocausto

LEIA MAIS

sexta-feira, 4 de julho de 2025

O perigo da representação estigmatizante dos ciganos na TV brasileira


A nova novela das 18h da Rede Globo, Êta Mundo Melhor, que estreou em 30 de junho como continuação de Êta Mundo Bom!, começou gerando estigmatização e preconceito contra o povo cigano.

No primeiro capítulo da trama de Walcyr Carrasco, a personagem Carmem, uma cigana interpretada pela atriz Cristiane Amorim, convence um casal do interior a entregar a ela o filho desaparecido de Candinho (Sérgio Guizé). Em seguida, ela negocia a criança com a vilã Zulma (Heloísa Périssé), responsável por um orfanato de fachada. Com o dinheiro da transação, Carmem vai embora em busca de seu povo.

A cena, que passou quase despercebida por grande parte da crítica cultural, levanta uma questão urgente: até quando a televisão continuará reforçando estereótipos racistas e estigmatizantes contra o povo cigano?

A ciganofobia — termo que descreve o preconceito, a discriminação e a exclusão histórica vivida pelos povos ciganos — é uma forma de racismo estrutural ainda naturalizada no Brasil. São mais de 800 mil ciganos no país, segundo estimativas do IBGE, que convivem diariamente com a desinformação, a marginalização e a falta de reconhecimento cultural e institucional. Quando a teledramaturgia opta por retratar um personagem cigano de forma criminosa, irresponsável e desumanizada, ela não está apenas “contando uma história ficcional” — está alimentando uma imagem social que reforça o preconceito e contribui para a violência simbólica e real contra comunidades inteiras.

A resposta veio imediatamente por parte de organizações representativas dos povos ciganos, como o Instituto Cigano do Brasil, a Urban Nomads Brasil, o Internacional Romani Union Brasil e a AMSK Brasil. Em nota pública, essas entidades repudiaram a cena da novela e denunciaram a Rede Globo por reforçar estereótipos violentos e propagar desinformação sobre a cultura cigana. 

"Anticiganismo é racismo, e a Globo precisa responder. A novela 'Êta Mundo Melhor' apresentou, logo em seu primeiro capítulo, uma personagem cigana que entrega um bebê a uma golpista exploradora de crianças. Essa representação não é apenas irresponsável, é racista", criticou o texto.

Nas mensagens, as entidades ainda acusaram o canal de propagar estereótipos que já causaram muitos problemas ao povo cigano.

"O que vimos não foi arte, foi reprodução de estereótipos cruéis e coloniais, como o mito da 'cigana que rouba ou vende crianças'. Isso não tem base na realidade, apenas reforça um imaginário que já causou dor, perseguição e exclusão aos povos ciganos ao longo dos séculos. A Rede Globo, como concessão pública, tem responsabilidade sobre o conteúdo que transmite. E o Estado brasileiro tem a obrigação de agir diante da propagação de imagens que marginalizam ainda mais um povo que já luta por reconhecimento, visibilidade e direitos básicos", destacou a carta.

"Nunca roubamos crianças. Somos um povo de cultura, saberes e dignidade. Não queremos ser vilões exóticos de novelas. Queremos respeito", as organizações acrescentaram. 

Elas finalizaram o pronunciamento cobrando uma resposta oficial do Ministério da Igualdade Racial. "Está na hora de dizer: 'Não em nosso nome'. Chega de racismo travestido de ficção. Chega de silêncio institucional. Isso é anticiganismo. Isso é romafobia. E sim, isso é racismo étnico-cultural", concluiu.

O movimento informou ainda que pretende acionar o Ministério Público e órgãos de controle de comunicação social para que a emissora seja responsabilizada pelo conteúdo exibido. As entidades também afirmaram que irão solicitar uma retratação pública da Rede Globo e exigir que haja consultoria cultural para evitar novas representações ofensivas. Para as lideranças ciganas, esse tipo de conteúdo coloca vidas em risco, ao reforçar o estigma que marginaliza crianças e mulheres ciganas nas escolas, nos postos de saúde, nos espaços públicos e até mesmo nas políticas de assistência social.

Em um país onde a palavra "cigano" ainda é associada a charlatanismo, trapaça ou misticismo, a televisão tem um papel central na reeducação simbólica e no combate à discriminação. E justamente por isso, quando um canal com o alcance e a responsabilidade da Rede Globo decide retratar uma personagem cigana como uma criminosa envolvida no tráfico de crianças, o impacto ultrapassa o entretenimento e entra no campo da violação de direitos humanos.

A novela, com forte audiência e poder de formar opinião, deveria exercer papel educativo e inclusivo, e não alimentar imaginários que associam ciganos a práticas ilegais. A escolha de representar uma mulher cigana como alguém que vende uma criança é não apenas ofensiva, mas perigosa. Em um país onde o racismo se manifesta de formas muitas vezes sutis, esse tipo de narrativa dramatizada reforça uma lógica de exclusão que atinge diretamente famílias ciganas que lutam para sobreviver com dignidade e respeito.

É hora de cobrar da mídia responsabilidade social sobre as histórias que escolhe contar — e sobre as consequências que elas geram fora da ficção. A liberdade artística não pode ser justificativa para a perpetuação do preconceito. A televisão, como veículo de massa, precisa escolher se quer ser aliada da diversidade ou cúmplice da ignorância. Afinal, cigano também é povo. Também é Brasil. Também merece respeito.
LEIA MAIS

terça-feira, 28 de maio de 2024

Britânico está perto de se tornar o 1º bilionário cigano do mundo


O britânico Alfie Best está perto de se tornar o primeiro bilionário cigano do mundo. Em reais, o magnata já alcançou a marca, acumulando uma fortuna de R$ 6 bilhões. Em libras esterlinas, porém, ele ainda tem £ 947 milhões.

Em apenas um ano, a fortuna de Alfie passou de £ 745 milhões para os atuais £ 947 milhões – um salto de £ 200 milhões. O ricaço é dono da Wyldecrest Parks, uma empresa de parques para trailers.

Best, por sinal, cresceu viajando um um trailer. Com uma família cigana, passou seus primeiros 15 anos de vida viajando nessa caravana, sem manter uma rotina de estudos.

Aos 17 anos, Alfie se tornou revendedor de automóveis. Depois, migrou para o ramo de venda de celulares, criando uma rede de lojas, que mais tarde foi vendida com um grande lucro.

Nesta semana, o empresário apareceu na lista de pessoas mais ricas do jornal britânico The Sunday Times de 2024, na posição 174ª.

Bestie, inclusive, decidiu recentemente deixar o Reino Unido para morar em Mônaco, paraíso fiscal onde não é cobrado imposto sobre renda e bens.

LEIA MAIS

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Romani Resistence Day: O dia que os ciganos enfrentaram os nazistas

Hoje, em todo o mundo, Sinti e Roma comemoram  o chamado Dia da Resistência Romani, data que relembra o sacrifício dos ciganos que decidiram revoltar-se contra a morte durante o seu cativeiro no campo de concentração de Auschwitz. 

Em 16 de maio de 1944, ciganos confinados no campo de concentração de Auschwitz, deram início a um grande levante contra o exército nazista. Eles lutaram bravamente para que vidas não fossem tiradas em câmaras de gás, mulheres e crianças não fossem estupradas, pessoas não fossem escravizadas, seres humanos não fossem submetidos a macabros experimentos científicos, tontura e fome.

Na noite de 16 de maio de 1944 chegou ao campo de concentração uma ordem em código: 'Nacht und Nebel'. A ordem era clara: eliminar os mais de 4000 humanos presentes no campo. Mas os nazis foram surpreendidos. Esperando por eles em Auschwitz um grande grupo de homens, mulheres, idosos, armados com qualquer coisa que pudessem usar para se defender os aguardava.

Os ciganos fizeram grandes baixas no numeroso contingente dos soldados da SS. 

A revolta durou três meses até que, em 2 de agosto de 1944, alguns meses antes do campo ser fechado, os nazistas usaram estratégias de guerra para  exterminar 2897 pessoas das etnias ciganas Rom e Sinti.

O sacrifício desses homens e mulheres ciganos que perderam suas vidas em Auschwitz jamais será esquecido, especialmente por seus descendentes. Suas histórias serão passadas de geração em geração, contadas com orgulho que corre nas veias de cada ciganinho que habita a face da terra.

LEIA MAIS
Related Posts with Thumbnails