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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Casarão da Rua Conselheiro Dantas: Um Patrimônio em Risco no Coração de Ilhéus


No centro histórico de Ilhéus, o casarão localizado na Rua Conselheiro Dantas, outrora símbolo de relevância arquitetônica e cultural, enfrenta um estado alarmante de abandono. Construído no início do século XX, o imóvel já abrigou importantes órgãos federais, como a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunaman) e o Lloyd Brasileiro.​

Em 2018, a União cedeu o casarão à Prefeitura de Ilhéus com a intenção de instalar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, visando à economia com aluguéis. Entretanto, a municipalidade não cumpriu o acordo, resultando na rescisão unilateral da cessão por parte da União. Desde então, o prédio permanece desocupado e sem manutenção adequada, apresentando riscos estruturais evidentes, como árvores crescendo nas paredes externas, o que compromete a segurança de pedestres em uma das vias mais movimentadas da cidade.

Em 2024, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) decidiu leiloar o imóvel, com lance mínimo de R$ 670 mil. O Coletivo Preserva Ilhéus, composto por membros da sociedade civil, impugnou o leilão, argumentando que o edital não mencionava a proteção do imóvel pela Lei Municipal nº 2.312/1989, que delimita o Centro Histórico de Ilhéus. A SPU acatou a impugnação, adiando o leilão e ajustando o edital para incluir a informação sobre a proteção legal do casarão.

Apesar dessas ações, o casarão continua em estado de deterioração. O Coletivo Preserva Ilhéus solicitou a intervenção do Ministério Público da Bahia, visando garantir a restauração do imóvel e a preservação de sua arquitetura original. A situação atual representa não apenas uma perda cultural, mas também um perigo iminente para a população que transita diariamente pela região.

Em junho de 2024, o imóvel foi arrematado por R$ 2 milhões em leilão. O casarão tinha lance mínimo de R$ 670 mil.


Diante desse cenário, é imperativo que o novo proprietário, em conformidade com as diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Secretaria Municipal de Cultura, elabore e execute um plano de restauração que respeite as características históricas do casarão. Além disso, medidas emergenciais devem ser tomadas para garantir a segurança dos transeuntes, como a contenção das árvores que comprometem a estrutura do edifício.​

A preservação do casarão da Rua Conselheiro Dantas não é apenas uma questão de conservação patrimonial, mas também de responsabilidade social e segurança pública. A mobilização da sociedade civil e a atuação dos órgãos competentes são fundamentais para assegurar que este símbolo da história de Ilhéus seja restaurado e integrado de forma segura e digna ao cotidiano da cidade.
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terça-feira, 7 de maio de 2024

Museu Nacional apresenta coleção de fósseis encontrados no Nordeste com fragmentos de dinossauro desconhecido


O Museu Nacional da UFRJ apresentou, nesta terça-feira, uma nova coleção de fósseis encontrados no Nordeste. Entre as mais de mil peças, se encontram fragmentos de um dinossauro até então desconhecido.

A chegada dessa nova coleção se dá em meio aos trabalhos de restauração após o incêndio de grandes proporções que acometeu o Museu em 2018. A direção do Museu, pertencente à UFRJ, e o Instituto Inclusartiz apresentaram hoje a nova coleção de fósseis que integrará o acervo da instituição.

Segundo reportagem do G1, são 1.104 vestígios, em sua maioria de plantas e de insetos, coletados na Bacia do Araripe, entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí.

O destaque, no entanto, vai para dois fósseis de dinossauros que ainda não foram descritos pela literatura científica. Provavelmente se tratam de Dromeossaurídeos, da mesma família dos velociraptors.

Frances Reynolds, do Instituto Inclusartiz, destacou que é importante que o museu, em seu processo de reconstrução, se volte para a digitalização de suas peças e ao fortalecimento das relações com outras instituições. “Você pode ter o melhor prédio, mas se não tem coleção, você não tem nada”. - disse Fraces.

A doação faz parte de uma união entre as iniciativas pública e privada. Os fósseis foram doados pelo colecionador Burkhard Pohl. “É preciso ter uma coleção de fósseis do Brasil no museu mais importante do país”.

O presidente do Museu Nacional, Alexander Kellner, destacou a importância de parcerias com instituições públicas e privadas de várias partes do mundo para a reconstrução do acervo. “É uma enorme tragédia, mas temos que olhar para frente e pensar na reconstrução. O Brasil precisa do museu nacional de volta”. - explicou Alexander.

Kellner também destacou que outras coleções doadas ao museu, fruto de parcerias serão anunciadas em breve. O presidente do Museu ainda indicou que a reabertura da instituição deve acontecer no mês de abril de 2026.

“O que perdemos é grave e não temos como recuperar. Os fósseis e o material etnográfico. São peças únicas. Nós temos que aprender com os nossos erros e merecer essas novas coleções. Por isso, essas doações são importantes para nós”, destacou Kellner.

O Museu Nacional é um dos mais antigos do Brasil. Foi fundado em 1818 pelo Imperador Dom João VI e foi residência da Família Real Portuguesa e sede do Governo Imperial. O seu acervo incluía mais de 20 milhões de itens, como fósseis de dinossauros e objetos históricos.

Em setembro de 2018, um incêndio acometeu o Museu Nacional, fazendo com que quase a totalidade de seu acervo fosse destruído. As causas do fogo foram atribuídas a uma combinação de fatores, como a falta de investimentos, infraestrutura precária e ausência de planos de contingência.
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sexta-feira, 8 de março de 2024

Madre Thaís: A influência da mulher na Educação em Ilhéus



Para encerrar a nossa semana de homenagem à mulher escolhi uma referência feminina da educação em Ilhéus. Estou falando de Madre Thaís, uma mulher que veio de longe, com grande determinação, para ajudar a escrever, de maneira singular, a história da educação em Ilhéus.

Maria Thaís do Sagrado Coração Paillart veio para o Brasil para ocupar o cargo de Provincial da Ordem das ursulinas no Brasil. Logo que ela chegou da Europa, resolveu que deveria fundar um colégio para meninas. Numa viagem que fez a Salvador, o então bispo de Ilhéus, D. Manoel de Paiva, convenceu-a de que a cidade deveria ser Ilhéus.

Madre Thaís chegou em Ilhéus no ano de 1916, a bordo do vapor Jequitinhonha e, durante sua viagem, teve tempo suficiente para refletir sobre o empreendimento que iria fazer, pois não possuíam nada, nem terreno, nem recursos financeiros.

O colégio para meninas iniciou suas atividades em um endereço da Rua Conselheiro Saraiva, atual Rua Antonio Lavigne de Lemos, nas instalações da diocese.No inicio, o estabelecimento tinha apenas 16 alunas. Naquela época, o casal Adelaide e José das Neves César Brasil havia doado um terreno no alto das Quintas, atual alto da Piedade, para que lá fosse construído o prédio do Palácio Episcopal, que teria como destino a moradia do bispo diocesano. O bispo cedeu parte do terreno para que a freira iniciasse seu empreendimento educacional.



O começo da vida do colégio foi muito precário. Faltava água, luz, e a subida era feita por uma ladeira íngreme, que quando chovia ficava intransitável, mesmo a pé. O projeto do prédio é de Salomão da Silveira, uma referência local em construções, apesar de não ser engenheiro formado. Foi Salomão que esteve à frente do projeto e, em 16 de julho de 1917, o colégio Nossa Senhora da Piedade transferiu-se para sua sede própria. No ano de 1921, o Colégio foi reconhecido como de utilidade pública, no ano seguinte foi equiparado à Escola Normal do Estado.

Para entender o significado e a importância de uma escola deste porte na época em que ela foi concebida e construída, é preciso entender a própria História da Educação nesta região, em particular, e no Brasil como um todo. Estudar não era obrigatório, mulher não precisava ir à escola, e ainda não tinha direito a voto. A escola e, conseqüentemente, o saber, eram para um pequeno grupo de privilegiados que podiam pagar o deslocamento para centros maiores, e possuía família para bancar o longo período de estada nestes centros. Só os ricos estavam aptos, ou alguns poucos obstinados que, mesmo sendo pobres, conseguiam superar todas as dificuldades e conseguiam concluir o curso superior.

O Colégio Nossa Senhora da Piedade significou a possibilidade da chegada do conhecimento às meninas, filhas dos fazendeiros que não permitiriam que jamais suas filhas se deslocassem para Salvador ou Rio de Janeiro, como acontecia com os homens; e para as meninas de famílias pobres que queriam ascender na escala social através do conhecimento intelectual. A obra pode ser realizada porque contou com a participação da sociedade local, fato a que Madre Thaís sempre foi muito grata.

Em 1927, foi iniciada a construção da capela, um belíssimo exemplar da arquitetura neogótica. O construtor Salomão da Silveira fez uma adaptação da planta encomendada, na França, por Madre Thaís, e a obra ficou pronta em 1929. O ponto alto da capela é o seu altar-mor, com a imagem de Nossa Senhora da Piedade, aos pés da cruz, aconchegando ao colo o Cristo morto. A capela possui belos vitrais, que proporcionam uma perfeita iluminação do templo, e retratam as “Sete Dores de Maria”.


Madre Thaís foi uma mulher obstinada em realizar seu sonho de fundar um colégio, que não deixava nada a desejar a qualquer instituição escolar de cidade grande; encontrou em seu caminho, pessoas que a ajudaram bastante para que ela pudesse realizá-lo.

Maria Thaís do Sagrado Coração Paillart foi também uma mulher humilde e desprovida de vaidade, que recebeu do governo francês o título de “Officier d’Academie” pelos serviços prestados à educação em Ilhéus. Madre Thaís faleceu no dia 5 de junho de 1955, aos 67 anos de idade.
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segunda-feira, 4 de março de 2024

Maria da Conceição Soares Lopes: uma mulher que marcou a história de ilhéus


Nesta semana da Mulher, o Ideias Barbara´s homenageia mulheres que deixaram sua marca na história de Ilhéus, uma ação de reconhecimento pelo legado único e pioneiro daquelas que desbravaram terrenos sociais até então inacessíveis a nós mulheres.

Nossa primeira homenageada é professora primária, musicista, promoter, escritora, banqueteira, vereadora, uma colunista social brilhante. Estamos falando de Maria da  Conceição Soares Lopes, cidadã que marcou a história de Ilhéus.

Nascida no distrito de Tabocas, hoje Itabuna, em 9 de dezembro de 1905, filha de João Baptista Soares Lopes e Laura Ferreira Lopes, Maria da Conceição tinha seis irmãos: Felogênio, Antônio, Jorge, Aloísio, Aníbal e José.

Aluna aplicada, ela foi uma das formandas da primeira turma do Colégio Nossa Senhora da Piedade, em 1923. Estudou na Escola de Música da Bahia, em Salvador, chegando a ser Diretora da escola na sua secção de Ilhéus.

Intelectual, atuante socialmente e influente na comunidade ilheense, Maria da Conceição escreveu uma brilhante história de vida. Foi a primeira mulher negra a ser eleita vereadora em Ilhéus, um marco da luta contra o racismo e contra a atuação da mulher na esfera legislativa. Seu mandato parlamentar ocorreu durante o governo do Prefeito Herval Soledade, na sua primeira gestão, 1956/1959.

Maria da Conceição discursa no 40º Aniversário da Associação das Senhoras de Caridade em 1972

Dedicada às causas sociais, ela também foi Secretária da Legião Brasileira de Assistência, em Ilhéus; Presidente de Honra do Conselho das Bandeirantes; Secretária da Associação Santa Isabel das Senhoras de Caridade de Ilhéus e depois sua Presidente por 12 anos.

Conceição Soares Lopes, Denise Kruschewsky e Florianael Portela, Miss Ilhéus - Miss Bahia

Ceiça, como era mais conhecida, também foi uma das precursoras dos concursos de beleza em Ilhéus. Em 1966 foi promoter de Florianael Costa Portela (Flori), jovem que se elegeu Miss Ilhéus, ficando apta a concorrer ao Miss Bahia, e trazendo para Ilhéus o título estadual, em concurso realizado no Ginásio Antônio Balbino, em Salvador. Em 1969 foi presidente da Comissão Julgadora do Concurso Miss Verão de Ilhéus, que elegeu Cristina Reis Miss Verão no dia 23 de fevereiro, um evento promovido pelo Semanário Bahia Sul, com patrocínio da Associação Baiana das Indústrias de Cacau (ABIC), nas praias da Avenida Soares Lopes, em frente ao Edifício Souza.

Festa das Rosas 1971/1972 - Clube Social de Ilhéus

Além dos concursos de beleza, Conceição Soares Lopes promoveu a tradicional Festa das Rosas, evento social onde meninas debutantes erma apresentadas à sociedade, conforme tradição da época.

Maria da Conceição Soares Lopes terminou seus dias internada no hospital e maternidade a que dedicou parte da sua vida, o Santa Isabel, sofrendo de mal de Alzheimer. Faleceu em 10 de junho de 1994, seu corpo está sepultado no Cemitério de Nossa Senhora da Vitória, junto a seu pai e irmãos.

A trajetória dessa mulher não se encontra registrada em livros, e nem sequer é trabalhada em sala de aula. A história de Maria da Conceição Soares Lopes é encontrada em fotografias  ou em pesquisas que se valem da memória e de relatos orais. Sua vida vida pública pode ser acompanhada pelas fontes locais, parco registros em jornais, revistas e periódicos de época. Porém isso não a impediu de deixar a sua marca na história de Ilhéus. Seu legado é exemplo e incentivo para todas as mulheres que sempre estiveram à frente do seu tempo, lutando por seus sonhos e desbravando cenários até então inusitados e proibidos a nós mulheres.

Em 1955, com então candidato à presidência da república Juscelino Kubitschek, em recepção na casa de Sá Barreto.


Conceição Soares Lopes e outras senhoras da sociedade em encontro com o Presidente Castelo Branco e  Governador Lomanto Júnior, por ocasião da inauguração da Ponte Ilhéus - Pontal em 15 de agosto de 1966.


Em 1984, na Festa do Cacau, junto com Jorge Amado, em Ilhéus



Com os colunistas sociais Charles Henry e Lucílio Bastos

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sábado, 26 de agosto de 2023

Filme “Golda – A Mulher de Uma Nação” retratará a vida da única mulher que governou Israel


O filme “Golda – A Mulher de Uma Nação” é um recorte histórico e político da Guerra do Yom Kippur, em 1973, sob a perspectiva de Golda Meir, a primeira mulher a ocupar o posto de primeira-ministra de Israel. A trama narra decisões de alto risco que ela teve que tomar durante o conflito e todos os dilemas pessoais que a atingiram durante sua passagem por um cargo político tão importante não só para Israel, como para o mundo todo.

Com uma atuação e caracterização impecáveis, a atriz Helen Mirren, vencedora do Oscar pela sua atuação no filme A Rainha, volta às grandes telas como a forte e emblemática figura de Golda Meir. Além dela a produção traz no elenco nomes como Liev Schreiber e Camille Cottin.

Quem foi Golda Meir

Assim como Margareth Thatcher,  Golda Meir também foi chamada de Dama de Ferro. Ela foi a primeira – e única – mulher a chefiar Israel,  assumindo o cargo de primeira-ministra em 1969, aos 70 anos.

Natural de Kiev, de família judaica, migrou para a Palestina em 1921, depois ter vivido um tempo nos Estados Unidos, onde se formou na faculdade.

Ela começou a carreira política em 1932, quando engajou na Confederação Geral do Trabalho (Histadrut), onde exerceu uma série de cargos. Como líder do movimento, Golda foi uma das responsáveis pelas negociações com os britânicos para a partição da Palestina.

Na década de 1940 e durante a Segunda Guerra Mundial, foi chefe do departamento político da Agência Judaica (a maior autoridade em Israel sob administração britânica) e da Organização Sionista Mundial.

Golda foi uma de duas mulheres signatárias da declaração de independência de Israel, em 1948. Ela foi nomeada pelo então primeiro-ministro para o cargo embaixadora de Israel na União Soviética.

Entre 1949 e 1956, foi ministra do Trabalho e Segurança Social e, posteriomente, dos Negócios Estrangeiros.

Em 1969, após a morte do então primeiro-ministro, Levi Eshkol, tomou posse como primeira-ministra.

Diplomata experiente, Golda mostrou forte liderança durante a Guerra do Yom Kipur entre Israel e uma coalizão de países árabes, em outubro de 1973.

Naquele ano, o Egito e a Síria lançaram um ataque surpresa contra Israel, durante o feriado judaico de Yom Kippur, ameaçando dominar o país. Israel lançou uma contraofensiva massiva antes que um cessar-fogo fosse estabelecido.

Golda Meir renunciou em 1974 por questões de saúde e morreu em 1978, aos 80 anos.

Agora parte de sua vida estará nas telonas.

“Golda – A Mulher de Uma Nação” chega aos cinemas brasileiros em 31 de agosto e promete retratar toda a resiliência, inspiração e luta pela paz que essa forte mulher representa.
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terça-feira, 27 de junho de 2023

Castelo do último baile da Monarquia Brasileira será reaberto ao público


Um lugar paradisíaco, localizado na Baía de Guanabara, pertinho do Centro da cidade do Rio de Janeiro. Esta é a Ilha Fiscal, local onde fica o castelo onde foi realizado o último baile da Monarquia Brasileira, ocorrido seis dias antes da Proclamação da República, em 1889. 

Após ficar fechado por um ano e meio para reformas, a espaço será reaberto à população no próximo dia 08 de julho e funcionará de quarta-feira à domingo nos horários de 12h45, 14h15 e 15h30. 

Construída a pedido do Imperador Dom Pedro II no final do século XIX para ser posto alfandegário do Porto do Rio de Janeiro, a edificação possui uma arquitetura em estilo neogótico provençal e arte em cantaria. 

A tradicional escuna que leva os visitantes até o monumento tem capacidade para receber 105 pessoas. Todas as visitas são guiadas por profissionais, que contam a história, tiram dúvidas e interagem com o público.

A novidade é a Galeota Imperial, embarcação utilizada pela Família Imperial, que está do lado de fora do castelo, em uma vitrine própria, em que o visitante, por meio de uma passarela, terá acesso. 

Atualmente, a Ilha Fiscal faz parte do Complexo Cultural mantido pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), e tem uma média de 40 mil visitantes anuais, conforme dados anteriores à pandemia. 

Os ingressos poderão ser adquiridos antecipadamente online ou na bilheteria do Espaço Cultural da Marinha, localizado na Orla Conde (Boulevard Olímpico), s/no, Praça XV, Centro, Rio de Janeiro.
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terça-feira, 18 de junho de 2013

Tic Tac

Vivemos um momento histórico.
Histórico não só no papel, não só pela ausência de comodismo.
Histórico sim pela tomada de atitude, de desejo de mudança.
Tentam retratar esta onda de protestos como sendo reflexo do aumento das tarifas dos transportes urbanos.  Ledo engano.
Foto: Fábio Motta - Estadão
Os R$ 0,20 foram a gota d´água.
Como já diziam os Titãs: "A gente não que só comida, a gente quer comida, diversão e arte..." 
E não é só isso!
Queremos escolas, hospitais, segurança pública, moradia, transporte...
Já estamos pagando o preço do desgoverno faz tempo.
Quer ver?
Em junho completamos oito anos de ocupação do exército brasileiro no Haiti. Ninguém fala nisso. Nossos soldados foram para lá em 2004, prestar auxílio e até hoje não voltaram. Financiamos tudo e esta conta já chegou em 2 bilhões de reais. Um número bem distante dos 154 milhões que o governo brasileiro disse que iria gastar.
Aliás, o Haiti não é nem foi o único se beneficiar do dinheiro brasileiro. Cuba, Timor Leste, Venezuela, entre outros, também se beneficiaram do suor dos nosso rosto, da arrecadação cada vez mais voraz dos nossos impostos. 
Orçamento aqui nunca adiantou para nada.
Em 2007, os jogos Pan-americanos foram orçados em menos de 400 milhões de reais. A conta acabou subindo para amargos 4 bilhões.
Salvador espera há 10 anos pelo metrô. A obra baiana foi lançada em 2000 e ia custar 300 milhões de reais. Será? O governo já consumiu mais de 600 milhões e a obra continua inacabada. 
Se a situação já se delineava assim, o que dizer das obras dos estádios da Copa?
Basta dizer que desde o começo do ano para cá, o orçamento já recebeu um acréscimo de quase um bilhão de reais.
De bilhão em bilhão, o brasileiro vai pagando a conta.

Sacrificando a possibilidade de uma vida com condições dignas em prol da corrupção desenfreada.
Não temos hospitais descentes, escolas adequadas, professores suficientes, policiamento necessário...
Teremos eventos de cunho mundial, os quais a grande maioria dos brasileiros assistirá pela TV por conta dos exorbitantes preços dos ingressos. A Copa das Confederações já está aí, mostrando como a FIFA quartelizou tudo. Beber um copo de cerveja durante um jogo num estádio custa R$ 12,00. Absurdo!
Privatização de aeroportos, obras ferroviárias que nunca acabam, mensalão, Celso Daniel, Bingos, Renan Calheiros, BNDS, Escândalo da Renascer em Cristo, Brasil Telecom, Daniel Dantas...
Engolimos um sapo atrás do outro durante todos estes anos.
Vimos figuras públicas antes bastiões da verdade e honestidade acima de tudo, amargarem uma derrocada funesta rumo ao fundo do negro poço da incredibilidade.
Assistimos perplexos o mar de lama e corrupção que assolou ou país.
Ah e ainda tem a questão da Rede Globo... Dizer que ela é culpada de tudo é muito comodo, simplista, superficial. Antes de mais nada, a culpa é nossa por termos permitido que ela seja a emissora de TV aberta com maior capacidade de alcance. Isso mesmo. Se ela tem o poder de mascarar a verdade e manipular as massas foi porque expandiu silenciosamente seus tentáculos para todas as aldeias do país, sem que ninguém fizesse nada a respeito. Os "riquinhos" tem de lembrar que o povão não tem Sky, NET, GVT...
Vamos deixar de demagogia e dessa mania pseudo-altruísta de impingir culpas.
Vamos assumir a parcela dos nossos enganos e desacertos.
Certos de que para entramos nos trilhos de um futuro melhor, temos primeiro que alinhar as engrenagens e restabelecer a rota.
O despertar já começou.
Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac-Tic-Tac...
Acerte o seu relógio!

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quinta-feira, 6 de junho de 2013

8 ou 1980

Há quem ame e quem odeie a década de 1980. Fato é que aqueles 10 anos foram essenciais para chegarmos onde estamos hoje.

Lembramos dos penteados carregados de laquê e das roupas com ombreiras. 
Madonna nos anos 1980

Madonna e Wham! tocavam nas rádios.
Na televisão, o Alf era o herói para crianças e todos os adolescentes queriam ser da turma de 90210 (mais conhecidos no Brasil como Barrados no Baile).
Atores como Tom Cruiser, Matt Dillon, Ralph Macchio e Rob Lowe povoavam as telas do cinema.
Michael Jackson ainda era negro.
O Menudo era uma epidemia.
Boy George era o camaleão do momento.
Xuxa usava maria-chiquinhas e tinha uma nave cor-de-rosa.
Barbie e Ken tinham casa, carro, roupas glamourosas e edições especiais.
Todo adolescente sonhava em ser Ferris Bueller, personagem imortalizado pelo ator Matthew Broderick, no filme Curtindo a vida adoidado.
O celular começava a ser uma realidade, mesmo que muito elementar e limitada.
Tudo muito fofo.
Mas muitas coisas ruins também começaram nos anos 80.

A primeira e mais impressionante foi a ascensão descontrolada do consumismo. Foi justamente nesse período que as pessoas começaram a alimentar assustadoramente o vício de comprar por impulso, por compulsão, por influência da mídia. A moda tornou-se mais volátil do que nunca. Os modelitos usados pelas atrizes do seriado Dinastia dominavam o mercado.
Elenco de Dinastia
Aliás vamos abrir um grande parenteses para falar em Dinastia. Este seriado não foi apenas uma soap opera, foi um verdadeiro marco na TV mundial. Seu enredo, estilo novelão dramático, conquistou em primeiro lugar os americanos e depois o mundo todo. Dinastia é considerada a primeira série de TV a criar sua própria linha de roupas, acessórios e perfumes. Todas as mulheres queriam ser Alexis Carrington, personagem interpretado pela atriz Joan Collins. Nascia então o consumismo como o conhecemos agora. 
Agências de publicidade acreditavam que podiam vender qualquer coisa a qualquer pessoa. Impulsionadas pela guerra comercial entre a Pepsi e a Coca-cola, elas premiavam os espectadores com fabulosos comerciais de televisão e engenhosas campanhas de marketing. Astros do rock e estrelas da tv davam o recado. E por mais incrível que pareça, a Pepsi conseguiu alcançar a Coca. Desesperados, os fabricantes da Coca resolveram tomar uma medida drástica: Mudar a fórmula do refrigerante. Foi um fracasso absoluto. Pessoas compravam Coca só para jogar fora em protesto. Resultado: Voltaram para antiga fórmula.
Michael Douglas e Charlie
Seen no filme Wall Street
Mas se consumismo estava em alta, a especulação na bolsa de valores também. Yuppies espalharam seu estilo de vida pelos quatro cantos do mundo: retração das ideologias de cunho coletivista e ascensão de uma ideologia focada no indivíduo. Em 1986, a bolsa de valores americana despencou, resultado das ações de vários especuladores e do "inchaço" da bolha formada pelo "sonho americano". Quem assistiu o filme Wall Street sabe...
Não era só isso. As drogas também começam a tomar a forma globalizada que tem hoje. A maconha já era grande conhecida dos americanos (eles sempre foram o maior mercado consumidor do mundo). Os traficantes então introduziram a cocaína no mercado americano e ela se propagou rapidamente. Primeiro usando Miami como porta de entrada, depois o México e sua enorme fronteira. Jovens e adultos dos frenéticos anos 80, cheiravam em festas e boates. Era a grande onda: Cocaína estava associada ao poder financeiro, a status social. Como era um droga mais cara, logo um "gênio" imaginou uma forma de baratear os custos e oferecer aos menos afortunados: o Crack. É minha gente, isso mesmo, foram os americanos que inventaram o crack. Bastou misturar uma parte de cocaína com duas de bicarbonato de sódio e cozinhar até transformar essa mistura em cristais. O crack ganhou os Estados Unidos e o mundo. Hoje vivenciamos o reflexo de tudo isso.
Por tudo isso que eu digo: Há quem ame e quem odeie os anos 80. 
Mas como podemos ver, ninguém pode negar que chegamos até aqui por conta deles.
Como disse Renato Russo, na música Índios:
"O futuro não é mais como era antigamente."




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sexta-feira, 8 de março de 2013

Por entre cartões postais


Quem nunca viajou pelo Brasil dificilmente conhece as reais mazelas das nossas cidades.
Como não são poucas, escolhi uma cidade para falar.
Em primeiro lugar vamos falar de Salvador.
Sim, a primeira capital do Brasil.
Cidade histórica que deveria ter infraestrutura invejável.
Não é o que acontece.
Você não precisa andar muito. Basta uma visitinha rápida aos mais conhecidos cartões postais da cidade: Pelourinho, Mercado Modelo e Elevador Lacerda.
Pelourinho - Salvador
Se eu fosse falar da sujeira, seriam necessárias páginas e mais páginas. Então vamos passar aos outros pontos. 
No Pelourinho é espantosa a quantidade de imóveis antigos em ruínas. Um verdadeiro crime contra a história nacional. Sobradinhos aos pedaços. Na verdade o descaso com o Pelourinho e a indiferença política é geral! Por ignorância cultural ou interesses partidários, conluio e irresponsabilidade dos três poderes, o Brasil já perdeu parte considerável da sua primeira capital e da sua História. Mais de 100 casarões estão arruinados, alguns irrecuperáveis, dezenas estão escorados, e dezenas desabaram ou foram destruídos por incêndios nos últimos anos! Lastimável!
Além disso, é impossível ignorar o número assustador de mendigos e pedintes. Isso denota, no mínimo, falta de políticas de assistência social voltadas à população sem-teto, menores infratores e dependentes químicos
Mas vamos descer, para cidade baixa. E vamos de... Elevador Lacerda!
Elevador Lacerda - Mercado Modelo
Não se pode negar que a reforma pela qual passou o Elevador Lacerda foi pontual e realmente necessária. Mas fim de papo. Esqueceram de pensar em uma bilheteria descente. Dois funcionários ficam nas roletas de acesso recebendo dinheiro e passando o troco ali mesmo. Pior do que ônibus.
Há e por falar neles, tenho que dizer que pegar um ônibus em Salvador é simplesmente insólito. Além de sujos, não estão disponíveis em número suficiente, tem horários estranhos e rotas inexplicáveis. Ah e tem outra coisa, se você pensa que ir a algum lugar de táxi é melhor, com certeza este lugar não fica em Salvador. Nunca em minha vida estive em um local com uma concentração tão grande motoristas mal educados e golpistas, que até agora só perdem para os de Praga(na República Checa), porque estes te assaltam, literalmente a mão armada, dentro do táxi.
O Mercado Modelo, que deveria comercializar em grande parte produtos artesanais, está recheado de industrializados, fabricações em série dos mesmos objetos. Isso sem falar do Restaurante ou melhor, restaurantes do primeiro andar: garçonetes fantasiadas de baianas de acarajé se degladiam literalmente pelos clientes. Chega a ser assustador.
Sala de Embarque do Ferry Boat em Salvador
Fazer uma travessia tranquila de barco é sempre algo agradável. Mas se você vai de Ferry Boat para Salvador, essa viagem pode não ser tão tranquila assim. Começando pelas instalações das salas de embarque e dos terminais. Se fossem classificadas como péssimas ainda seriam um eufemismo. O serviço de bilheteria é terrível. As atendentes não utilizam o sistema informatizado para vender as passagens e por isso acabam perdendo um tempo precioso fazendo contas erradas, aumentando as filas e atrasando o embarque de quem está com pressa. As balsas muitas vezes não saem no horário previsto. O acesso dos passageiros às balsas é feito pela saída de emergência. Eu ainda não entendo porquê.
E pelo amor de Deus, por que as autoridades concedem alvarás de funcionamento para as verdadeiras espeluncas que se dizem lanchonetes e restaurantes, especialmente em locais públicos?
Não dá para entender!
Você, caro leitor(a), deve estar imaginando que odeio Salvador.
Não, não, não.
Eu amo Salvador e seu inebriante ar de cidade provinciana.
Mas o amor não pode ser permissivo. 
É necessário exigir dos governantes mais respeito com a cidade, mais cuidado com o nosso patrimônio histórico, mais zelo com a população e os visitantes.
Temos que expor as deficiências para estabelecer metas de melhoria, reformas, ajustes.
A mudança tem que vir do povo.
Temos que questionar, indagar e não aceitar passivamente as coisas do jeito que se encontram.
Temos que exigir a cidade cartão-postal, a cidade modelo, a cidade que desejamos.
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domingo, 22 de agosto de 2010

Quando os ditados tem razão...

Sempre ouvimos aqueles tradicionais ditados populares, coisas impregnadas de uma sabedoria própria. Muita gente com toda certeza já empregou em alguma ocasião “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.” e por aí vai...
Eu não poderia ser diferente.
Então vamos lá.
O que vou relatar aqui poderia ter sido inspiração pra a música “Mais uma vez” do Legião Urbana, em especial para o verso que diz: “Quem acredita sempre alcança.” Ou, simplesmente um fiel retrato do velho ditado; “O que tiver que ser será...”
Vamos aos fatos.
Quando eu tinha 14 anos, uma amiga namorava um rapaz. A família dela era contra o namoro, perseguia a relação e acabou fazendo com que o namoro acabasse. Eu dava uma força aos dois. Ajudava como podia.
O rapaz, que também era meu amigo, nunca esqueceu esse amor. Foram conversas intermináveis sobre eles, sofrimento de ambos os lados.
O tempo passou e com ele a vida foi levando cada um de nós em direções diferentes.
Eles continuaram suas vidas separados. Mudaram de cidade, fizeram faculdade, casaram, tiveram filhos, se divorciaram, perderam familiares próximos.
Por muito tempo não tive notícias de ambos.
Eu também mudei, me formei, casei, constitui família, retornei a minha cidade.
Ao retornar, esporadicamente encontrava essa amiga.
Os anos passaram e chegamos a julho de 2010.
Estava de férias, mas ainda assim resolvo acessar a Internet para verificar meu e-mail, orkut, facebook...
Qual não foi minha surpresa ao encontrar uma solicitação de amizade em meu orkut, vinda desse amigo sumido?
Entramos em contato. Soube que estava morando em Salvador, com duas filhas adolescentes e uma irmã. Uma surpresa realmente repleta de alegria.
Verdadeiro milagre proporcionado pela tecnologia da comunicação. São por motivos como estes que não saio nunca do Orkut ou do Facebook!
Bom, a coisa continua.
Agora é agosto de 2010. Orkut de novo.
Dessa vez encontro em minhas atualizações recentes uma foto da amiga em questão.
Postei um comentário elogiando a foto. Ela estava on line, me enviou quase que automaticamente um scrap.
A mensagem dizia: “Bárbara, vc não vai acreditar.... me reencontrei com X, lembra?”
Bom, a princípio pensei que ela tinha encontrado com ele via orkut, como eu. Mas sei lá, alguma coisa no jeito como ela escreveu me deixou com a pulga a trás da orelha e eu não me segurei, tive que perguntar como.
E aí veio a resposta: “Ao vivo e a cores. Estamos revivendo o passado! Às vezes penso que nem é verdade!”
Fiquei pasma!!! Tive que ir para o MSN saber o resto.
E agora leitores e leitoras o que vou contar não deixa nada a desejar aos livros de Nicholas Sparks e similares.
Eles se encontraram virtualmente, trocaram endereços e passaram ao plano real.
Ela mudou de profissão e de cidade. Ele foi até lá. Se reencontraram e estão vivendo o amor da adolescência.
Agora pasmem: 20 anos depois!
Maravilhada, eu lia as mensagens que eu e ela trocávamos no MSN.
Preparados para mais?
Eles vão CASAR!!
E eu vou ser Madrinha!!!
Não imagino frases melhores para descrever essa história do que as colocadas no começo desse post.



“A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande.”

Roger Bussy-Rabutin, escritor francês.



Dedico este texto, of course, ao casal de amigos, inspiração para todos que acreditam no Amor!!

Bjs especiais pra vcs!!
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domingo, 27 de setembro de 2009

Revirando o Baú

Muita gente crê na antiga máxima :“Quem vive de passado é museu.” E sob certos aspectos até que a citação está correta. Vamos imaginar que em matéria de história, não existe descrição melhor. Teorias e máximas à parte, analisar a evolução humana pode ser considerada uma das melhores (se não a melhor) forma de entendermos o que somos hoje. Há alguns posts atrás, falei sobre a carga de significados que se encontra atrelada a um comercial, uma propaganda. Hoje vou mostrar como evoluímos em explorar uma imagem. Em 1958, exatamente há 51 anos, marcas como Omo, Nescau, Kolynos (agora Sorriso), Ninho, Toddy, Palmolive, Cônsul, Goodyear, Walita e Ovomaltine anunciavam assim:




Agora os anúncios são assim:




Repararam nas diferenças? São muitas. Mas a principal de todas está na redução de informações. As propagandas antigas preocupavam-se em descrever o produto, enaltecendo suas qualidades e benefícios. Hoje, a propaganda passou a um estágio meramente interpretativo. Graças aos pequenos slogans e a excessiva valorização da imagem, é possível transmitir diversas mensagens a diferentes públicos. É como se o objetivo fosse fazer com que o produto crie uma imagem para cada pessoa. Cada um imagina diferente. No final as diferenças são o que acaba por fomentar o consumo do produto. As propagandas do século passado não davam muita margem a este tipo de mecanismo. Elas buscavam a objetividade, clareza, evidência. Era com atirar num alvo parado. Hoje os “tiros” são mais estilo “O Procurado” (filme com Angelina Jolie e Morgan Freeman). Pode parecer bobagem comparar o antigo com o novo. Mas é assim que entendemos como a mente humana avança ou retrocede (depende do seu ponto de vista). Ah, mas a coisa não para por aí. Sabiam que muito do que falamos hoje, tinha ou tem outra denominação? Vou falar agora de uma coisinha chamada Figura de Linguagem. Em foco aqui, a Figura chamada Metonímia. Esta categoria se subdivide em mais de 14 tipos. Mas, em se tratando de propaganda, vamos falar da subdivisão chamada: Marca pela coisa ou produto. É aqui que entram:

Maisena
Gilete
Bombril

Cotonete

Q-boa
Xerox

Lycra

Chiclete (chiclets)

Isopor

Leite Moça

A propagação destas marcas tornou-se tão massiva que seu nome passou a ser adotado como sendo o próprio nome do objeto. Isto é Metonímia pura. Tanto que soa estranho quando alguém se refere a um desses produtos por seu nome verdadeiro:

Amido de Milho (Maisena)
Lâmina de Barbear (Gilete)
Lã de aço (Bombril)
Haste flexível com pontas de algodão (Cotonete)
Água Sanitária (Q-Boa)
Fotocópia (Xerox)

Elastano (Lycra)

Goma de mascar (Chiclete)

Poliestireno Expandido (Isopor)
Leite Condensado (Leite Moça)

São muitos os exemplos desse tipo de Metonímia que fazem parte do nosso cotidiano. O mais curioso, porém fica por conta da Xerox, que, assustadoramente, acabou evoluindo de mera Metonímia para um tipo andrógeno de derivação imprópria. É mais ou menos como se ela tivesse assumido ares de substantivo gerador de um verbo: Xerocar. Vide aqueles que falam: “Vou xerocar tudo.” Este é o verdadeiro poder do Marketing. Alguns teóricos da língua sugerem que mecanismos como este fazem parte da evolução lingüística. Outros o taxam de retrocesso. Se é atraso ou avanço, você decide. O fato é que já foi mais do que implementado em nossas relações cotidianas. Tudo graças à força da cultura de massa.

Obs: Todas as imagens das propagandas antigas fazem parte do acervo visual da Rede Mundo Melhor.
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