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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Casarão da Rua Conselheiro Dantas: Um Patrimônio em Risco no Coração de Ilhéus


No centro histórico de Ilhéus, o casarão localizado na Rua Conselheiro Dantas, outrora símbolo de relevância arquitetônica e cultural, enfrenta um estado alarmante de abandono. Construído no início do século XX, o imóvel já abrigou importantes órgãos federais, como a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunaman) e o Lloyd Brasileiro.​

Em 2018, a União cedeu o casarão à Prefeitura de Ilhéus com a intenção de instalar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, visando à economia com aluguéis. Entretanto, a municipalidade não cumpriu o acordo, resultando na rescisão unilateral da cessão por parte da União. Desde então, o prédio permanece desocupado e sem manutenção adequada, apresentando riscos estruturais evidentes, como árvores crescendo nas paredes externas, o que compromete a segurança de pedestres em uma das vias mais movimentadas da cidade.

Em 2024, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) decidiu leiloar o imóvel, com lance mínimo de R$ 670 mil. O Coletivo Preserva Ilhéus, composto por membros da sociedade civil, impugnou o leilão, argumentando que o edital não mencionava a proteção do imóvel pela Lei Municipal nº 2.312/1989, que delimita o Centro Histórico de Ilhéus. A SPU acatou a impugnação, adiando o leilão e ajustando o edital para incluir a informação sobre a proteção legal do casarão.

Apesar dessas ações, o casarão continua em estado de deterioração. O Coletivo Preserva Ilhéus solicitou a intervenção do Ministério Público da Bahia, visando garantir a restauração do imóvel e a preservação de sua arquitetura original. A situação atual representa não apenas uma perda cultural, mas também um perigo iminente para a população que transita diariamente pela região.

Em junho de 2024, o imóvel foi arrematado por R$ 2 milhões em leilão. O casarão tinha lance mínimo de R$ 670 mil.


Diante desse cenário, é imperativo que o novo proprietário, em conformidade com as diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Secretaria Municipal de Cultura, elabore e execute um plano de restauração que respeite as características históricas do casarão. Além disso, medidas emergenciais devem ser tomadas para garantir a segurança dos transeuntes, como a contenção das árvores que comprometem a estrutura do edifício.​

A preservação do casarão da Rua Conselheiro Dantas não é apenas uma questão de conservação patrimonial, mas também de responsabilidade social e segurança pública. A mobilização da sociedade civil e a atuação dos órgãos competentes são fundamentais para assegurar que este símbolo da história de Ilhéus seja restaurado e integrado de forma segura e digna ao cotidiano da cidade.
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terça-feira, 7 de maio de 2024

Museu Nacional apresenta coleção de fósseis encontrados no Nordeste com fragmentos de dinossauro desconhecido


O Museu Nacional da UFRJ apresentou, nesta terça-feira, uma nova coleção de fósseis encontrados no Nordeste. Entre as mais de mil peças, se encontram fragmentos de um dinossauro até então desconhecido.

A chegada dessa nova coleção se dá em meio aos trabalhos de restauração após o incêndio de grandes proporções que acometeu o Museu em 2018. A direção do Museu, pertencente à UFRJ, e o Instituto Inclusartiz apresentaram hoje a nova coleção de fósseis que integrará o acervo da instituição.

Segundo reportagem do G1, são 1.104 vestígios, em sua maioria de plantas e de insetos, coletados na Bacia do Araripe, entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí.

O destaque, no entanto, vai para dois fósseis de dinossauros que ainda não foram descritos pela literatura científica. Provavelmente se tratam de Dromeossaurídeos, da mesma família dos velociraptors.

Frances Reynolds, do Instituto Inclusartiz, destacou que é importante que o museu, em seu processo de reconstrução, se volte para a digitalização de suas peças e ao fortalecimento das relações com outras instituições. “Você pode ter o melhor prédio, mas se não tem coleção, você não tem nada”. - disse Fraces.

A doação faz parte de uma união entre as iniciativas pública e privada. Os fósseis foram doados pelo colecionador Burkhard Pohl. “É preciso ter uma coleção de fósseis do Brasil no museu mais importante do país”.

O presidente do Museu Nacional, Alexander Kellner, destacou a importância de parcerias com instituições públicas e privadas de várias partes do mundo para a reconstrução do acervo. “É uma enorme tragédia, mas temos que olhar para frente e pensar na reconstrução. O Brasil precisa do museu nacional de volta”. - explicou Alexander.

Kellner também destacou que outras coleções doadas ao museu, fruto de parcerias serão anunciadas em breve. O presidente do Museu ainda indicou que a reabertura da instituição deve acontecer no mês de abril de 2026.

“O que perdemos é grave e não temos como recuperar. Os fósseis e o material etnográfico. São peças únicas. Nós temos que aprender com os nossos erros e merecer essas novas coleções. Por isso, essas doações são importantes para nós”, destacou Kellner.

O Museu Nacional é um dos mais antigos do Brasil. Foi fundado em 1818 pelo Imperador Dom João VI e foi residência da Família Real Portuguesa e sede do Governo Imperial. O seu acervo incluía mais de 20 milhões de itens, como fósseis de dinossauros e objetos históricos.

Em setembro de 2018, um incêndio acometeu o Museu Nacional, fazendo com que quase a totalidade de seu acervo fosse destruído. As causas do fogo foram atribuídas a uma combinação de fatores, como a falta de investimentos, infraestrutura precária e ausência de planos de contingência.
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sexta-feira, 8 de março de 2024

Madre Thaís: A influência da mulher na Educação em Ilhéus



Para encerrar a nossa semana de homenagem à mulher escolhi uma referência feminina da educação em Ilhéus. Estou falando de Madre Thaís, uma mulher que veio de longe, com grande determinação, para ajudar a escrever, de maneira singular, a história da educação em Ilhéus.

Maria Thaís do Sagrado Coração Paillart veio para o Brasil para ocupar o cargo de Provincial da Ordem das ursulinas no Brasil. Logo que ela chegou da Europa, resolveu que deveria fundar um colégio para meninas. Numa viagem que fez a Salvador, o então bispo de Ilhéus, D. Manoel de Paiva, convenceu-a de que a cidade deveria ser Ilhéus.

Madre Thaís chegou em Ilhéus no ano de 1916, a bordo do vapor Jequitinhonha e, durante sua viagem, teve tempo suficiente para refletir sobre o empreendimento que iria fazer, pois não possuíam nada, nem terreno, nem recursos financeiros.

O colégio para meninas iniciou suas atividades em um endereço da Rua Conselheiro Saraiva, atual Rua Antonio Lavigne de Lemos, nas instalações da diocese.No inicio, o estabelecimento tinha apenas 16 alunas. Naquela época, o casal Adelaide e José das Neves César Brasil havia doado um terreno no alto das Quintas, atual alto da Piedade, para que lá fosse construído o prédio do Palácio Episcopal, que teria como destino a moradia do bispo diocesano. O bispo cedeu parte do terreno para que a freira iniciasse seu empreendimento educacional.



O começo da vida do colégio foi muito precário. Faltava água, luz, e a subida era feita por uma ladeira íngreme, que quando chovia ficava intransitável, mesmo a pé. O projeto do prédio é de Salomão da Silveira, uma referência local em construções, apesar de não ser engenheiro formado. Foi Salomão que esteve à frente do projeto e, em 16 de julho de 1917, o colégio Nossa Senhora da Piedade transferiu-se para sua sede própria. No ano de 1921, o Colégio foi reconhecido como de utilidade pública, no ano seguinte foi equiparado à Escola Normal do Estado.

Para entender o significado e a importância de uma escola deste porte na época em que ela foi concebida e construída, é preciso entender a própria História da Educação nesta região, em particular, e no Brasil como um todo. Estudar não era obrigatório, mulher não precisava ir à escola, e ainda não tinha direito a voto. A escola e, conseqüentemente, o saber, eram para um pequeno grupo de privilegiados que podiam pagar o deslocamento para centros maiores, e possuía família para bancar o longo período de estada nestes centros. Só os ricos estavam aptos, ou alguns poucos obstinados que, mesmo sendo pobres, conseguiam superar todas as dificuldades e conseguiam concluir o curso superior.

O Colégio Nossa Senhora da Piedade significou a possibilidade da chegada do conhecimento às meninas, filhas dos fazendeiros que não permitiriam que jamais suas filhas se deslocassem para Salvador ou Rio de Janeiro, como acontecia com os homens; e para as meninas de famílias pobres que queriam ascender na escala social através do conhecimento intelectual. A obra pode ser realizada porque contou com a participação da sociedade local, fato a que Madre Thaís sempre foi muito grata.

Em 1927, foi iniciada a construção da capela, um belíssimo exemplar da arquitetura neogótica. O construtor Salomão da Silveira fez uma adaptação da planta encomendada, na França, por Madre Thaís, e a obra ficou pronta em 1929. O ponto alto da capela é o seu altar-mor, com a imagem de Nossa Senhora da Piedade, aos pés da cruz, aconchegando ao colo o Cristo morto. A capela possui belos vitrais, que proporcionam uma perfeita iluminação do templo, e retratam as “Sete Dores de Maria”.


Madre Thaís foi uma mulher obstinada em realizar seu sonho de fundar um colégio, que não deixava nada a desejar a qualquer instituição escolar de cidade grande; encontrou em seu caminho, pessoas que a ajudaram bastante para que ela pudesse realizá-lo.

Maria Thaís do Sagrado Coração Paillart foi também uma mulher humilde e desprovida de vaidade, que recebeu do governo francês o título de “Officier d’Academie” pelos serviços prestados à educação em Ilhéus. Madre Thaís faleceu no dia 5 de junho de 1955, aos 67 anos de idade.
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segunda-feira, 4 de março de 2024

Maria da Conceição Soares Lopes: uma mulher que marcou a história de ilhéus


Nesta semana da Mulher, o Ideias Barbara´s homenageia mulheres que deixaram sua marca na história de Ilhéus, uma ação de reconhecimento pelo legado único e pioneiro daquelas que desbravaram terrenos sociais até então inacessíveis a nós mulheres.

Nossa primeira homenageada é professora primária, musicista, promoter, escritora, banqueteira, vereadora, uma colunista social brilhante. Estamos falando de Maria da  Conceição Soares Lopes, cidadã que marcou a história de Ilhéus.

Nascida no distrito de Tabocas, hoje Itabuna, em 9 de dezembro de 1905, filha de João Baptista Soares Lopes e Laura Ferreira Lopes, Maria da Conceição tinha seis irmãos: Felogênio, Antônio, Jorge, Aloísio, Aníbal e José.

Aluna aplicada, ela foi uma das formandas da primeira turma do Colégio Nossa Senhora da Piedade, em 1923. Estudou na Escola de Música da Bahia, em Salvador, chegando a ser Diretora da escola na sua secção de Ilhéus.

Intelectual, atuante socialmente e influente na comunidade ilheense, Maria da Conceição escreveu uma brilhante história de vida. Foi a primeira mulher negra a ser eleita vereadora em Ilhéus, um marco da luta contra o racismo e contra a atuação da mulher na esfera legislativa. Seu mandato parlamentar ocorreu durante o governo do Prefeito Herval Soledade, na sua primeira gestão, 1956/1959.

Maria da Conceição discursa no 40º Aniversário da Associação das Senhoras de Caridade em 1972

Dedicada às causas sociais, ela também foi Secretária da Legião Brasileira de Assistência, em Ilhéus; Presidente de Honra do Conselho das Bandeirantes; Secretária da Associação Santa Isabel das Senhoras de Caridade de Ilhéus e depois sua Presidente por 12 anos.

Conceição Soares Lopes, Denise Kruschewsky e Florianael Portela, Miss Ilhéus - Miss Bahia

Ceiça, como era mais conhecida, também foi uma das precursoras dos concursos de beleza em Ilhéus. Em 1966 foi promoter de Florianael Costa Portela (Flori), jovem que se elegeu Miss Ilhéus, ficando apta a concorrer ao Miss Bahia, e trazendo para Ilhéus o título estadual, em concurso realizado no Ginásio Antônio Balbino, em Salvador. Em 1969 foi presidente da Comissão Julgadora do Concurso Miss Verão de Ilhéus, que elegeu Cristina Reis Miss Verão no dia 23 de fevereiro, um evento promovido pelo Semanário Bahia Sul, com patrocínio da Associação Baiana das Indústrias de Cacau (ABIC), nas praias da Avenida Soares Lopes, em frente ao Edifício Souza.

Festa das Rosas 1971/1972 - Clube Social de Ilhéus

Além dos concursos de beleza, Conceição Soares Lopes promoveu a tradicional Festa das Rosas, evento social onde meninas debutantes erma apresentadas à sociedade, conforme tradição da época.

Maria da Conceição Soares Lopes terminou seus dias internada no hospital e maternidade a que dedicou parte da sua vida, o Santa Isabel, sofrendo de mal de Alzheimer. Faleceu em 10 de junho de 1994, seu corpo está sepultado no Cemitério de Nossa Senhora da Vitória, junto a seu pai e irmãos.

A trajetória dessa mulher não se encontra registrada em livros, e nem sequer é trabalhada em sala de aula. A história de Maria da Conceição Soares Lopes é encontrada em fotografias  ou em pesquisas que se valem da memória e de relatos orais. Sua vida vida pública pode ser acompanhada pelas fontes locais, parco registros em jornais, revistas e periódicos de época. Porém isso não a impediu de deixar a sua marca na história de Ilhéus. Seu legado é exemplo e incentivo para todas as mulheres que sempre estiveram à frente do seu tempo, lutando por seus sonhos e desbravando cenários até então inusitados e proibidos a nós mulheres.

Em 1955, com então candidato à presidência da república Juscelino Kubitschek, em recepção na casa de Sá Barreto.


Conceição Soares Lopes e outras senhoras da sociedade em encontro com o Presidente Castelo Branco e  Governador Lomanto Júnior, por ocasião da inauguração da Ponte Ilhéus - Pontal em 15 de agosto de 1966.


Em 1984, na Festa do Cacau, junto com Jorge Amado, em Ilhéus



Com os colunistas sociais Charles Henry e Lucílio Bastos

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sábado, 26 de agosto de 2023

Filme “Golda – A Mulher de Uma Nação” retratará a vida da única mulher que governou Israel


O filme “Golda – A Mulher de Uma Nação” é um recorte histórico e político da Guerra do Yom Kippur, em 1973, sob a perspectiva de Golda Meir, a primeira mulher a ocupar o posto de primeira-ministra de Israel. A trama narra decisões de alto risco que ela teve que tomar durante o conflito e todos os dilemas pessoais que a atingiram durante sua passagem por um cargo político tão importante não só para Israel, como para o mundo todo.

Com uma atuação e caracterização impecáveis, a atriz Helen Mirren, vencedora do Oscar pela sua atuação no filme A Rainha, volta às grandes telas como a forte e emblemática figura de Golda Meir. Além dela a produção traz no elenco nomes como Liev Schreiber e Camille Cottin.

Quem foi Golda Meir

Assim como Margareth Thatcher,  Golda Meir também foi chamada de Dama de Ferro. Ela foi a primeira – e única – mulher a chefiar Israel,  assumindo o cargo de primeira-ministra em 1969, aos 70 anos.

Natural de Kiev, de família judaica, migrou para a Palestina em 1921, depois ter vivido um tempo nos Estados Unidos, onde se formou na faculdade.

Ela começou a carreira política em 1932, quando engajou na Confederação Geral do Trabalho (Histadrut), onde exerceu uma série de cargos. Como líder do movimento, Golda foi uma das responsáveis pelas negociações com os britânicos para a partição da Palestina.

Na década de 1940 e durante a Segunda Guerra Mundial, foi chefe do departamento político da Agência Judaica (a maior autoridade em Israel sob administração britânica) e da Organização Sionista Mundial.

Golda foi uma de duas mulheres signatárias da declaração de independência de Israel, em 1948. Ela foi nomeada pelo então primeiro-ministro para o cargo embaixadora de Israel na União Soviética.

Entre 1949 e 1956, foi ministra do Trabalho e Segurança Social e, posteriomente, dos Negócios Estrangeiros.

Em 1969, após a morte do então primeiro-ministro, Levi Eshkol, tomou posse como primeira-ministra.

Diplomata experiente, Golda mostrou forte liderança durante a Guerra do Yom Kipur entre Israel e uma coalizão de países árabes, em outubro de 1973.

Naquele ano, o Egito e a Síria lançaram um ataque surpresa contra Israel, durante o feriado judaico de Yom Kippur, ameaçando dominar o país. Israel lançou uma contraofensiva massiva antes que um cessar-fogo fosse estabelecido.

Golda Meir renunciou em 1974 por questões de saúde e morreu em 1978, aos 80 anos.

Agora parte de sua vida estará nas telonas.

“Golda – A Mulher de Uma Nação” chega aos cinemas brasileiros em 31 de agosto e promete retratar toda a resiliência, inspiração e luta pela paz que essa forte mulher representa.
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