quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Talibã proíbe acesso de meninas e mulheres ao ensino fundamental II, 2º Grau e universidades


Novas restrições impostas pelas autoridades do Talibã estão aprofundando a exclusão das mulheres da vida pública e intensificando uma crise humanitária e de direitos humanos que já dura anos no país. Desde sua retomada ao poder em agosto de 2021, o grupo vem eliminando gradualmente direitos fundamentais e as medidas mais recentes atingem diretamente o direito à educação e à saúde das mulheres afegãs.

Educação: Banimento quase total

As mulheres e meninas continuam proibidas de frequentar a educação secundária (após o sexto ano) e o ensino superior em todo o país, numa política que persiste há mais de quatro anos. O Afeganistão é hoje o único país no mundo com essa restrição sistemática de acesso à educação para esse grupo.

Organizações internacionais como a UNICEF e o UN Women alertam que essa política não só viola direitos humanos básicos, mas também compromete o futuro da nação ao privar milhões de jovens de conhecimento essencial para o desenvolvimento econômico, social e de saúde.
Saúde: a exclusão em dois níveis

As restrições também avançam no setor de saúde. Além de vetar a educação médica de mulheres — incluindo enfermagem, obstetrícia e outras formações essenciais de saúde — as autoridades impuseram normas que dificultam ainda mais o acesso das mulheres a cuidados médicos adequados.

Em várias províncias, as regras exigem que mulheres só possam ser atendidas por médicas, e que consultas com médicos homens exigem a presença de um parente masculino. Ao mesmo tempo, o banimento de mulheres de cursos de saúde impossibilita a formação de novas profissionais — uma contradição que especialistas denunciam como catastrófica para a saúde pública.

Consequências profundas

🔹 Colapso do sistema de saúde feminino – Sem novas médicas, enfermeiras e parteiras formadas, muitas mulheres enfrentam longas jornadas para encontrar atendimento ou acabam sem acesso algum, sobretudo em áreas rurais onde a presença masculina na consulta não é culturalmente aceita.

🔹 Aumento da mortalidade materna e infantil – A Organização Mundial da Saúde já destacava que o Afeganistão sofria com uma das maiores taxas de mortalidade materna do mundo antes de 2021. Especialistas temem que a falta de profissionais femininas reverte qualquer ganho anterior.

🔹 Deterioração da saúde mental e social – A exclusão educacional e profissional tem sido associada a sentimentos de desesperança, isolamento e aumento de depressão entre meninas e mulheres, além do crescimento de casamentos forçados e migração compulsória.

🔹 Impacto econômico – A exclusão de mulheres do mercado de trabalho e da educação representa um enorme retrocesso econômico, limitando a produtividade e o desenvolvimento sustentável do país.

Reações internacionais e interna

Organizações humanitárias, líderes políticos e grupos de direitos humanos condenam essas medidas como discriminatórias e contrárias ao direito internacional. Pesquisa do UN Women revelou que mais de 90 % da população afegã apoia pelo menos o retorno das meninas às escolas, um indicativo claro de que esses decretos não refletem o desejo popular.

Grupos de defesa também relatam que muitas mulheres tentam organizar aulas clandestinas ou buscam oportunidades educacionais no exterior, apesar dos riscos que isso representa.

As novas restrições do Talibã contra mulheres no Afeganistão representam um dos episódios mais severos de rollback de direitos civis no mundo contemporâneo. Ao negar o acesso à educação e restringir profundamente o acesso à saúde, as autoridades colocam em risco não apenas o futuro das mulheres, mas também a estabilidade e o desenvolvimento geral do país. A situação continua sendo uma das maiores crises de direitos humanos do século XXI.

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