domingo, 1 de fevereiro de 2026

Manifestações por justiça no caso do cachorro Orelha tomam as ruas do país


Por mais de duas décadas cobrindo direitos humanos e causas sociais, posso dizer que poucas mobilizações têm sido tão transversais e emocionais quanto as que vêm sendo realizadas em diferentes capitais brasileiras em memória do cachorro Orelha.

O caso, que chocou o país pela brutalidade, reacendeu o debate sobre a impunidade em crimes de maus-tratos e crueldade contra animais e levou milhares de pessoas às ruas em um pedido comum: justiça e leis mais rigorosas.

Em São Paulo, a Avenida Paulista voltou a ser palco de um grande ato simbólico. Tutores, ativistas, protetores independentes e famílias inteiras se concentraram no principal cartão-postal da cidade levando cartazes, fotos de Orelha e frases que pediam punição exemplar aos responsáveis. Em meio a palavras de ordem e momentos de silêncio, a manifestação reforçou que a violência contra animais não pode ser tratada como um crime menor.


Na Bahia, a mobilização ocorreu no Farol da Barra, em Salvador. O local, tradicionalmente associado a encontros culturais e manifestações populares, recebeu um protesto marcado por emoção. Velas acesas, laços pretos e faixas pedindo justiça deram o tom do ato, que também destacou a necessidade de políticas públicas efetivas para a proteção animal. Para os participantes, Orelha se tornou um símbolo de milhares de casos que nunca chegam ao conhecimento das autoridades.

Em Fortaleza, a manifestação reuniu protetores de animais, ONGs e cidadãos comuns indignados com o desfecho do caso. O ato teve caráter educativo, com discursos que explicaram à população como denunciar maus-tratos e cobraram mais estrutura para delegacias, fiscalização e acolhimento de animais vítimas de violência. A mensagem foi clara: sem investigação séria e punição, a crueldade se repete.

Já em Manaus, o protesto mostrou que a indignação ultrapassa fronteiras regionais. Mesmo distante do centro do país, a capital amazonense ecoou o pedido por justiça a Orelha. Os manifestantes destacaram a dificuldade de combater crimes ambientais e contra animais na região e pediram que o poder público trate o tema como prioridade, com leis que sejam, de fato, aplicadas.

O que foi o caso Orelha

O cachorro Orelha teve sua história amplamente divulgada após ser vítima de maus-tratos extremos, em um episódio que causou revolta nacional. As imagens e relatos expuseram não apenas a violência sofrida pelo animal, mas também a fragilidade do sistema de punição para esse tipo de crime. Para muitos brasileiros, o caso escancarou uma realidade antiga: a crueldade contra animais ainda encontra brechas na legislação e na fiscalização.

A urgência de leis mais rigorosas

Especialistas e ativistas são unânimes ao afirmar que manifestações como essas vão além da comoção momentânea. Elas pressionam o Estado a agir. Embora o Brasil já possua legislação que criminaliza maus-tratos, a aplicação das penas ainda é considerada branda diante da gravidade dos crimes. A defesa de leis mais duras, investigações ágeis e punições exemplares aparece como caminho fundamental para inibir novos casos.

As manifestações em São Paulo, Salvador, Fortaleza e Manaus mostram que Orelha se transformou em um símbolo nacional. Um símbolo de dor, mas também de mobilização. Para quem foi às ruas, a mensagem é direta: justiça por Orelha é justiça por todos os animais que não podem se defender — e um teste de civilidade para toda a sociedade brasileira.

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