terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Polícia Civil de Santa Catarina conclui inquérito e aponta apenas um adolescente como responsável pela morte do cão Orelha


A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu na noite dessa terça-feira (03 de fevereiro) o inquérito que investigou as circunstâncias da morte do cão comunitário Orelha, animal conhecido e acarinhado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis. O desfecho do procedimento policial trouxe uma reviravolta: apesar de inicialmente quatro adolescentes terem sido investigados, a corporação passou a apontar apenas um deles como autor direto das agressões que levaram o animal à morte.

Conclusão da investigação

Segundo a Polícia Civil, depois de ouvir 24 testemunhas, analisar cerca de mil horas de imagens de câmeras de segurança e cruzar diversos elementos probatórios, os investigadores concluíram que um dos adolescentes teve participação principal nas agressões ao cão Orelha — que sofreu uma pancada na cabeça de acordo com o laudo pericial e morreu em um hospital veterinário no dia seguinte.

Com o fim da fase de investigação, a corporação formalizou na Justiça o pedido de internação provisória desse adolescente, uma medida equiparada à prisão para adultos, considerando a gravidade do ato infracional, conforme critérios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Outros envolvidos e situações que cercam o caso

Além da conclusão quanto ao agressor principal, a Polícia Civil indiciou três adultos — familiares dos adolescentes por coação de testemunhas, após tentativas registradas de influenciar depoimentos durante a investigação.

Vale lembrar que a investigação também apurava um segundo episódio de maus-tratos, relacionado a um cão chamado Caramelo, que escapou com vida apesar da tentativa de afogamento.

Controvérsias e resistência do Ministério Público

A conclusão da Polícia Civil não encerra todas as discussões sobre o caso. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) manifestou preocupação com lacunas em relatórios e incertezas quanto à participação de outros adolescentes originalmente investigados, pedindo diligências complementares para aprofundar a apuração dos fatos.

Críticas à investigação e à defesa do adolescente

A defesa do menor acusado contesta a conclusão do inquérito, criticando a força dos indícios usados para apontá-lo como autor, sobretudo pela ausência de imagens diretas do momento da agressão e por depender de análises circunstanciais como horários e depoimentos que se contradiziam.

Repercussão pública

O caso ganhou enorme repercussão nas redes sociais e na imprensa nacional desde o início de janeiro, quando imagens e relatos sobre a agressão a Orelha chocaram internautas e ativistas de proteção animal. A conclusão do inquérito e o direcionamento da responsabilidade para um único adolescente intensificaram o debate público sobre a resposta das instituições a casos de crueldade animal no Brasil — especialmente quando envolvidos são menores de idade.

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